Não compre produto pirata

Vou narrar uma tragicomédia. Começa assim: subíamos eu e meu irmão a Rua Augusta, onde eu esperava encontrar camelôs que me vendessem filmes piratas do momento. Ok, vou confessar: eu queria ver o Batman e não deixar 40 mangos no cinema.

No meio da subida, senti um fincão. Suei frio, devo ter tremido e meu irmão, com ar de preocupação, perguntou:

– Algum problema?

– Tudo bem… – respondi

Ato contínuo, meu estômago disse algo como:

– Gloerguinhdgfdfvgddf

Chegamos ao camelot, achei o Batman e outros títulos e deixei R$ 20 com o trabalhador informal. O sol era de rachar. Nisso, eu e meu irmão nos separamos na Avenida Paulista e meu estômago e eu travávamos diálogos desconexos. Ele avisando que ia despejar toda a fossa. E eu pedindo “não, não, não”.

Chequei à esquina da Paulista com a Consolação e, tentando ser otimista, disse sussurrando:

– Em 20 minutos estou em casa e nada, nada vai acontecer.

Nem 20 minutos se foram e eu estava na metade do caminho, me contorcendo, cuidando para que ninguém estivesse vindo logo atrás de mim. Meu estômago gritava, napoleôneco a essas alturas.

– Gransashdsdaidadad.

Pensei comigo então:

– Que bom que estou de calça. Se eu me borrar perna abaixo ninguém verá nada. Mas não, eu não vou me borrar.

Mas, fato é que, para que eu me borrasse perna abaixo, bastaria um susto. E ele veio: eis que do nada, surgido como uma miragem maledeta, um mendigo veio me pedir fogo para seu cigarro de palha.

Eu, claro, só tinha gases, até então. Pois o mascote dele, vira lata de grande porte e cara de faminto, veio me cheirar. E, pensando que o canino me arrancaria uma perna, tentei apressar o passo.

A seguir meus músculos todos cederam, e suei, e perdi a respiração e flocos de mierda começaram a rondar minha calça como aqueles balões que as crianças punham dentro das calças para depois estourarem a agulhadas numa daquelas gincanas do Silvio Santos no Domingo no Parque.

O cachorro que me ameaçava, farejou o horror e correu de mim com olhos de quem diz:

– Catzo, esse tá fedendo mais do que o meu dono.

Chegando em casa, 40 minutos depois do primeiro fincão, só pude concluir:

– Não compre produto pirata. Deus castiga.

Anderson Passos

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