Isolamento

Na minha adolescência, eu e alguns amigos levemente frustrados, que não tínhamos namoradas, comentávamos em tom de troça com os que tinham que “fulano era escravo do amor”.

Não pensei que pudesse voltar a usar o termo. Quer dizer, vou usar sem troça porque o caso é grave. Refere-se a um conhecido que vou declinar o nome pelo respeito que tenho por ele.

Mas o caso é que assisti recentemente o isolamento do sujeito educadamente citado. O caso é que a namorada dele é o que eu chamaria de menina sem estrela. Não, não é cega como a Daniela, filha do Nelson Rodrigues, que me inspira o termo. Ela produz cegueira.

Não se vê o cara sorrindo como dantes. Nesse recente encontro, trocamos não mais do que duas palavras. Para este escriba, isso muda pouco porque, felizmente ou não, não frequentamos a casa alheia.

Mas pior fica para os familiares. A irmã mal consegue trocar uma palavra, sem que a namorada do outro a observe com censura. Os pais dele, num esforço comovente, fazem um mise en cene que tenta tornar a relação menos fria.

A cereja do bolo é que a moça tem um filho de outra relação e o pequeno rapaz, de uns seis anos, insiste em chamar a atenção full time. E acaba tensionando qualquer ambiente.

Mais triste é ouvir a irmã do sujeito comentar uma fala da cunhada de que vão encomendar um bebê para o próximo ano. Torço que a poeira se assente. Mas confesso estar pessimista.

Anderson Passos

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