Luz, câmera: o Tom

Assisti durante o Carnaval à estréia de A Luz do Tom, tributo do Nelson Pereira dos Santos ao maestro soberano. O filme contou com o depoimento da irmã, Helena Jobim, da primeira mulher Thereza Hermanny e da fotógrafa Ana Lontra Jobim, com quem o maestro viveu até o final da vida, em 1994.

Extremamente bem fotografado, o trio desfilou histórias do maestro. Eu me vi chorando em lágrimas de esguicho quando Helena fez o relato da reação do maestro quando sua professora de piano atestou que a primeira valsa assinada por ele, que mais tarde seria denominada Imagina – e ganharia letra de Chico Buarque de Holanda – era uma obra prima.

Tereza, que fora a Tereza da Praia da canção, contou docemente que num intervalo da criação de Matita Perê, Tom, envolvido em obras no sítio de Poço Fundo, começou a dedilhar o violão e, entre improvisos, cantarolou “é pau, é pedra, é o fim do caminho”.

Ana Lontra relatou o projeto sobre a Mata Atlântica, que resultou em filme e livro e recitou a ode de Antônio Brasileiro ao urubu, nome aliás de um dos maiores discos do maestro nos ano 70.

Vez em quando, como suas mulheres dirigissem palavras e gestos ao céu, o urubu jeba reinava voando em círculos, como a dizer que Tom estava ali não só em voz ou em acordes, mas em espírito.

Um filme lindo, sensível e monumental. Tom merece.

Anderson Passos

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