Epopeia negra

Django Livre é longo, tem trilha sonora alucinante e contagiante, fotografia de primeira e os diálogos sempre explosivos de Quentin Tarantino e revela uma tendência recente do cineasta americano, que é reescrever a história, sob sua ótica sarcástica.

Se em Bastardos Inglórios, as vítimas do nazifascismo foram vingadas num incêndio épico que matou Hitler e Goebbels, em Django Livre os escravos negros tiveram o que brindar massacrando os que os açoitaram. O próprio diretor admitiu que as duas histórias podem se fundir num terceiro filme, encerrando a trilogia.

Ainda não entendi por que Spike Lee entrou na conversa para criticar Tarantino pela frequente menção ao termo nigger nas falas. Ora, se o filme se propõe a revisitar a história, ainda que com alguns aspectos pitorescos, acreditar que a ofensa nigger deveria ser tirada do roteiro sob o pretexto do politicamente incorreto ou coisa que o valha, a queixa é descartável. E, para um cineasta engajado como Lee, deprimente.

Ou alguém vai me sugerir que os negros eram tratados à época com garbo e elegância? Se ainda hoje o tratamento é desigual, imagine naquele tempo obscuro da história americana?

Quanto ao desempeno do elenco, Christoph Waltz arrebenta. Leonardo Di Caprio mostra que, sob a batuta de um bom diretor, pode se sair bem. Jamie Foxx e Samuel L Jackson também se saíram bem, com destaque para o último, um mordomo cagueta – espero não ter comprometido nada com essa revelação.

Anderson Passos

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