Carros x ciclistas (Final)

No último domingo (10), apanhei a Flecha Prateada – denominação da minha bike – e resolvi percorrer o Viaduto Costa e Silva, o tal Minhocão, que fica bloqueado para os carros nesse dia. Daí que moradores da região aproveitam para andar de bicicleta, passear com seus mascotes ou com seus filhos, enfim, relaxar é a ordem.

No entanto, logo que ali ingressei no acesso da Consolação, tomado de surpresa vi um caminhão parado na via. E, de repente, um ônibus de turismo surgiu por trás deste em baixa velocidade. Comecei a ter dúvidas sobre o acesso livre até que vi alguns transeuntes correndo ou caminhando.

Descendo em direção à região do Pacaembu, cruzei então com banners que indicavam KM X ou Y. Mais tarde, um outro banner avisava: área de lazer de 6h às 12h. Como passava das 8h fiquei sossegado pois dali a uma hora, no máximo, já estaria em casa refeito de mais um dia de ginástica e pedaladas.

Subi e desci o viaduto duas vezes e, mal iniciada a última parte do percurso, ia eu na altura do Metrô Santa Cecília quando vi que motos se aproximavam. De repente, um dos pilotos sinalizava para que eu rumasse para a pista contrária. Obedeci, claro. Quando ele chegou mais perto, gritou pra mim:

– Tá vindo a corrida aí.

E de repente, motos com batedores e câmeras traziam os primeiros colocados. Daí que, ao passar sobre a Avenida Pacaembu deparei-me com o estrago todo. Um mar de coletes amarelos vinha naquela direção. Pensei comigo que não iria descer à avenida e “tudo bem, vambora”.

Quando tomei o caminho de volta, os batedores voltaram a se aproximar. Dessa vez, era impossível mudar de pista. Dei meia volta e corri pra diabo para que a turba de maratonistas não chegasse perto. Saí do Costa e Silva do lado da estação do metrô Santa Cecília e me preocupei. Era a primeira vez que ia andar na rua sem a suposta segurança de uma ciclovia.

Entrei pelo bairro de Higienópolis. Um ou outro carro passava perto, mas sem ameaçar. Minha obsessiva preocupação era obedecer à sinalização. Daí que chegando na Avenida Angélica, rumei pela calçada vazia – a via é estreita demais para se dividir com carros e até ônibus – e, coisa de meia hora, estava já em casa feliz que nada me ocorrera.

Ainda que tenha ido tudo bem, me senti tenso e não gosto dessa sensação. Se nenhum outro evento me impedir, domingo que vem retomo minhas pedaladas pelo Costa e Silva.

Anderson Passos

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