Sem memória

Um dia, a televisão que fica quase à minha frente, na redação onde trabalho, anunciou o centenário do Jamelão, o intérprete não só da Estação Primeira de Mangueira, como o maior de todos de Lupicínio Rodrigues.

Um colega, estagiário, disse num muxoxo:

– Quem é o Jamelão?

Contei brevemente da Verde e Rosa e do Lupi e emendei:

– Se não sabe quem era o Jamelão, não sabe quem foi Lupicínio, né?!

Ele confirmou afirmativamente que desconhecia. Daí perguntei do paulistaníssimo Paulo Vanzolini, recentemente falecido, autor de Ronda e tantos outros clássicos.

O outro impassível, quase orgulhoso, admitiu que não conhecia. Felicitei-o por não escrever sobre cultura, o que seria um grande desastre e disse que, fosse meu subordinado, estaria na rua com esse diálogo.

O outro riu. Por dentro eu chorei a falta de memória do outro.

Anderson Passos

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