Sobrinhos

Não sei vocês, mas sou um tio babão. E reconhecidamente – e infelizmente pelo lavoro e pela vida que cobram seu preço diário – nem tão presente.

Mas, fato é que dias atrás fui ver meu sobrinho Heitor e só tive surpresas: o danado, que dia 2 de junho completa apenas dez meses, já engatinha como se braços e pernas fervilhassem. E, sozinho, posta-se de pé nos seus mais de dez quilos e ameaça andar.

Como a mãe e o pai, meu sobrinho sorri fácil, generoso. Mas não queiram irritá-lo, que ele fica manhoso. Exemplo é que quando a passada de pernas tortas de um gênio Mané Garrincha não vem, ele hesita, chora, para disparar uma gargalhada surpreendente a quem não o conhece logo a seguir.

Riso fácil, aliás, é com ele mesmo. Chamá-lo para dançar em sua passada cambaleante e envolvente o fazem gritar e se sacudir todo. Já mandei carta ao Jacaré, de É o Tchan, comunicando que ele já perdera o posto, tanto remelexe – esse verbo existe? – o meu sobrinho Heitor.

Mas o que me arrebatou mesmo foi ele imitando o que chamei de “motor de fusca” ao pressionar os lábios com o ar. Movimento que, claro, ele aprendeu em voo solo. E o “fusquetinha” do meu sobrinho faz um barulho tão delicioso, que ora vem grave e migra para o agudo, quanto mais longo o respiro do moleque.

Heitor também gosta de jogatina e não deixa o pai enfrentar o tio por igual no videogame. Apanha o controle e permite que o tio vença as partidas. Como todo homem da casa, já pega o controle da TV para chamar de seu. E pobre da chave do carro quando ele estiver mais crescido.

Meu sobrinho ‘inda não fala, mas certamente as palavras que o cercam daqui a pouco virão num brotar infinito. Por enquanto elas – as palavras –tomam o tio de assalto e, em plena madrugada, o fazem escrever orgulhoso do grande, pesado, possante e comilão Heitor.

Mas tudo é festa, que chega de agonia. Não bastasse tudo isso, o Heitor já está ficando velho pois que vem outro (a), para delírio de todos. A bela Helena ou o belo Roger – a mãe desta feita frisa, e o blogueiro acata, que o nome masculino não muda – chegará ao mundo com Heitor já dançando valsa, já cantando parabéns e batendo palmas.

Que abençoado (a) sejam todos. Por aqui, eu babo dobrado.

Anderson Passos

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