Fusca azul

Tinha eu talvez seis, sete anos e ia sempre acompanhado do meu avô materno, Prony da Silva Passos, para a escola Coronel Aparício Borges, no bairro Partenon, em Porto Alegre.

Numa manhã, íamos para a escola como fazíamos diariamente. No entanto, nesse dia eu me afastei uns bons metros do meu avô que, vai saber, parecia gostar da ideia, já que aquilo era um sinal de independência minha. Quem sabe num futuro próximo ele poderia deixar a função.

No entanto, um fusca exatamente azul se aproximou de mim em plena Rua 12 de Outubro. Nele, minha professora – agora lembro que era meu primeiro ano na escola normal – acenava para que eu apanhasse carona. Acabei embarcando irresponsavelmente.

Naquela época, um tio meu, irmão de minha mãe, tinha um feérico fusca azul. Igual ao da professora.

Corta para a sala de aula. A mesma transcorre normalmente, quando meu irmão mais velho, Everson Passos, invade a sala. Missão: certificar-se de que eu realmente estava em aula e não fora raptado ou o que seja. Lembro dele me dizer que meu avô estava assustadíssimo. E não era para menos.

O tempo não me deixa lembrar se pedi desculpas ao meu avô por esse ato infantil impensado.

Conto essa história porque meu avô orgulhosamente exerceu funções de meu pai até meus 15 anos, Me deixa saudades ainda hoje. Ele partiu em 1987 e a dor lancinante me consome ainda hoje.

A ele, o meu tributo nesse Dia dos Pais.

Anderson Passos

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