Xô Satanás (1)

Como todo filho que se preze, admiro minha mãe. Desde quando ela me ligou em 10/9, a admiração ficou sem tamanho ou maneira de expressão – tentarei fazê-lo nas linhas que vêm vindo.

Ocorre que minha mãe é casada com um evangélico xiita da Assembleia de Deus. Um exemplo: anos atrás, quando do horror do tsunami no Japão, meu padrasto veio esbaforida da rua, e com o suor a lhe escorrer pela testa, anunciou o fim do mundo. Observou, no entanto, que para eles havia alternativa: que ele e minha mãe corressem à igreja mais próxima a modo de salvarem-se.

Mama disparou:

– Tá, tá. Deixa eu ver minha novela. E traz minha cerveja!

Lindo. E com tal brilho que não imaginei que minha mãe pudesse ser ainda mais sensacional. E, grazzie dio – perdão o emprego irônico da expressão – me enganei.

Anderson Passos

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