Protesto vazio

Quase que semanalmente vou à Assembleia Legislativa de São Paulo por conta do meu trabalho.

Desde o auge dos protestos de junho e julho deste ano, ficou mais difícil – e burocrático – ingressar na Casa já que manifestantes tentaram invadir o Parlamento na tentativa de pressionar pela instalação de uma CPI para apurar denúncias de formação de cartel no transporte sobre trilhos no estado.

Daí que agora você tem que se identificar para o soldado da PM que faz a guarda local, dizer o que vai fazer na Casa e para onde vai. Antes, não era preciso dar satisfação a ninguém.

Mas eu dizia de protestos e de gente acampada em frente ao Parlamento. Sim, eles continuam lá, mas a manifestação se tornou uma piada deprimente.

Quando por lá passei havia não mais do que cinco pessoas. Tinham gerador, notebook, e mais não vi em termos materiais. Chamava a atenção um sujeito sem camisa, visivelmente entorpecido, que berrava:

– Lutar, lutar, ação popular.

Esse mesmo sujeito, em dado momento, quase ateou fogo às barracas concentradas em frente à Assembleia e testemunhei um colega em tom de súplica a dizer:

– Levem esse cara daqui.

Bem, depois dessa tomei meu rumo e envergonhado pela forma que a incapacidade política ganhou naquele espaço.

Anderson Passos

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