Fim do caminho

A preguiça, a falta de tempo, a falta de notícias, muitas faltas, enfim, fazem deste o último post desta Ilha de Concreto. Foram exatamente 1.019 – este somado.

Acho que devia a meus treze leitores regulares alguma satisfação e aqui vai ela, certeira como deve ser. A eles – aos treze – e a quem passou por aqui algum dia, o meu agradecimento.

Anderson Passos

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Pop oooops

Por conta do meu trabalho e também por conta das redes sociais – em menor grau – vivo conectado à internet no meu horário comercial e sometimes, fora dele. Daí que detectei uma praga: os pop ups.

O sujeito entra no site da Folha de S.Paulo, por exemplo, e a tela se enche de pop ups animados – e tanto que se movem pela tela e o sujeito precisa cassá-los.

O mais deprimente é que os conteúdos dos infernais pop ups remetem inclusive para dicas para emagrecimento. Quer dizer, além de tudo chamam o internauta de gordo, o que para alguns pode ser até uma ofensa.

A paranóia com dinheiro é tanta que a mesma Folha, em seu site, coloca pequenos banners sobre as fotos, poluindo ainda mais a visão e dificultando o essencial: a informação.

Se alguém souber como faço para bloquear essa praga de pop ups do inferno, manda aí um recado.

Anderson Passos

Protesto vazio

Quase que semanalmente vou à Assembleia Legislativa de São Paulo por conta do meu trabalho.

Desde o auge dos protestos de junho e julho deste ano, ficou mais difícil – e burocrático – ingressar na Casa já que manifestantes tentaram invadir o Parlamento na tentativa de pressionar pela instalação de uma CPI para apurar denúncias de formação de cartel no transporte sobre trilhos no estado.

Daí que agora você tem que se identificar para o soldado da PM que faz a guarda local, dizer o que vai fazer na Casa e para onde vai. Antes, não era preciso dar satisfação a ninguém.

Mas eu dizia de protestos e de gente acampada em frente ao Parlamento. Sim, eles continuam lá, mas a manifestação se tornou uma piada deprimente.

Quando por lá passei havia não mais do que cinco pessoas. Tinham gerador, notebook, e mais não vi em termos materiais. Chamava a atenção um sujeito sem camisa, visivelmente entorpecido, que berrava:

– Lutar, lutar, ação popular.

Esse mesmo sujeito, em dado momento, quase ateou fogo às barracas concentradas em frente à Assembleia e testemunhei um colega em tom de súplica a dizer:

– Levem esse cara daqui.

Bem, depois dessa tomei meu rumo e envergonhado pela forma que a incapacidade política ganhou naquele espaço.

Anderson Passos

Fantárdigo

Nunca mais tive coragem para assistir o Fantástico. Talvez eu tenha assistido flashes trocando de canal e só. Um dos últimos que assisti inteiro foi o dedicado a Ayrton Senna em 1º de maio de 1994, data da morte do piloto.

É verdade que, talvez, eu tenha assistido aos seguintes, já que ainda se tinha o Sai de Baixo e as pernas de Marisa Orth a seguir. Mas fato é que fui abandonando paulatinamente a atração até deixá-la de vez.

Numa crise de audiência que tem se prolongado nos últimos tempos, a Globo resolveu ousar e levantar a poeira do programa. Tirou o dançarino do ventre Zeca Camargo e a Renata Ceribelli e se embelezou com o talento da Renata Vasconcellos. Ceribelli será repórter do dominical em New York e Camargo despencou para o pior dos mundos: o Videoshow.

Somando tudo, digo que estou tentado a ver a Renata Vasconcellos no dominical. E esperançoso de que o Fantástico volte a seus melhores dias sob a batuta da musa.

Anderson Passos

F1 correta demais

Leio no noticiário que estão fazendo uma grita geral – com direito a punição – ao australiano Mark Webber, por ter pego carona na Ferrari de Fernando Alonso pós Grande Prêmio de Cingapura.

Não vi a imagem tampouco o contexto em que se deu a carona, mas berra-se aos quatro ventos que houve risco de atropelamento. Bem, por mais que houvesse risco, punir só o australiano e não o ferrarista me soa estranho.

Por outra, se visse a cena, talvez eu chorasse feito guri cagado porque essas caronas me remetem de imediato ao GP da Inglaterra de 1991 quando Ayrton Senna ficou pelo caminho e Nigel Mansell, a bordo de uma Williams que já voava, deu carona ao brasileiro, com direito a tapinhas entusiasmados de Senna no capacete do inglês.

Sim, às vezes eu começo a achar que o politicamente correto já deu no saco. E que ele não devia pautar a F1 e nenhum outro esporte.

Anderson Passos

Fórmula Vettel

Há quem diga que a Fórmula 1 perdeu a graça e que corre o risco de voltar aos modorrentos anos da era Michael Schumacher, campeão mundial por sete vezes.

Um amigo meu, por exemplo, soltou em altos brados no Facebook algo como “chega de Adrian Newey”, o projetista do mais robusto monoposto das últimas três temporadas, a Red Bull.

Esse mesmo camarada teorizou que se pilotasse outro carro Vettel não faria metade do que tem feito. Para este humilde escriba, há erros e acertos nesse apontamento.

É incontestável que Newey projeto o carro perfeito, mas subestimar Vettel é um tanto demais tendo em vista que ele já venceu o GP de Monza, na Itália, a bordo de uma modesta Toro Rosso. Logo, braço e talento o menino tem, me parece.

Até admito que a F1 tem ganho ares de monotonia, inclusive com o espanhol Fernando Alonso jogando a toalha após mais uma frustração em Cingapura. Eu mesmo, a despeito de uma audiência fiel de anos e anos – mesmo após a morte do maior dos pilotos, Ayrton Senna – jamais deixei de assistir, mas não consegui ver a corrida inteira deste domingo (22/09), senão do meio para o final.

Se algo serve de consolo é que em 2014 o regulamento sofrerá mudanças radicais sob a justificativa de equilibrar a disputa. Tentou-se o mesmo com Schumacher e ele quase sempre tinha algo mais para derrotar adversários e regulamentos. Será assim com Vettel e sua Red Bull? A conferir.

Anderson Passos

Rush

Finalmente tomei vergonha na cara e pus algum no bolso para ver Rush, no Limite da Emoção. Pra quem não ligou A com B, a fita trata do campeonato de Fórmula 1 de 1976, marcado pela rivalidade entre o inglês James Hunt e o austríaco Niki Lauda.

O fanfarrão Hunt é vivido por Chris Hemsworth e, tal como seu personagem, mostra-se um tigre comemorando vitórias tendo cigarro, bebida alcóolica e alguma mulher sempre à mão. O Lauda de Daniel Brühl é irrepreensível não apenas pelo marcante sotaque austríaco de seu personagem, mas sobretudo pela forma como se entrega neste papel, mostrando um Niki Lauda como um exímio preparador de carros e tecnicamente imbatível no seu tempo.

A cena do acidente que quase matou Lauda no antigo circuito de Nurburgring, no GP da Alemanha daquele ano é assustadora e a persistência do personagem em retornar às pistas para ainda lutar pelo segundo título mundial seguido – vencera o anterior, em 1975 – são comoventes.

Ah, fosse a trilha sonora formada apenas pelo som dos motores, e nenhum reparo seria preciso. mas o diretor Ron Howard selecionou clássicos que tornaram a película ainda mais vibrante que vai de David Bowie (Fame) a Thin Lizzy (The Rocker).

Para quem gosta do tema, vale ver mais de uma vez,

Anderson Passos