Eu e o mestre

Na semana passada, recebi um informe da minha orientadora da graduação, Patrícia Weber, sobre a chegada do mestre Paulo Torino a São Paulo donde não titubeei em resposta: vou recebê-lo. Isso porque foi ele a primeira pessoa a me dar uma oportunidade na área, quando atuei na Unisinos FM, 103.3, de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, há exatos dez anos.

Então fui às proximidades do Aeroporto de Congonhas e encontrei o mestre tostado de sol e brinquei:

– Veraneando na Pauliceia, mestre?

Então o mestre, sempre um realizador, me contou mais uma de suas proezas. Que se aposentara do batente jornalístico e investira suas forças no projeto de um jornal voltado ao automobilismo, sua grande paixão. O “bronzeado” se devia aos dois dias batendo perna em Interlagos, onde conversou com possíveis anunciantes.

Tudo isso depois, claro, de um outro revés profissional que nem vem ao caso comentar porque a notícia é esta: o mestre continua com a criatividade e o desejo de fazer o que gosta pulsantes.

Grazzie e buona sorte, mestre soberano

Anderson Passos

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Paulão

Conheci o Paulão, do Polícia em Ação – programa veiculado no Canal 20 da NET no Rio Grande do Sul – quando, ainda estudante da Unisinos, levamos o repórter policial para ser entrevistado num programa de humor e sarcasmo denominado Programa do Terrível Homem Mau, veiculado na Unisinos FM 103.3.

Lá, o pai de expressões como “curso de canário” contou várias histórias de bastidores de operações policiais que documentou, com direito a tiroteio, tigradas, histórias mil.

Outro dia eu falava com meus colegas de redação lembrando justamente a expressão “curso de canário”, que O Paulão cunhou. A expressão nada mais é do que uma analogia ao sujeito que é preso ou está na prisão. Todos se divertiam à beça com a expressão.

Na sexta passada (27/4), no entanto, os motivos para riso se foram. Enildo Paulo Pereira, o Paulão e seu câmera da Band, Ezequiel Barbosa, morraram num acidente estúpido quando o comboio policial em que estavam foi atingido por um caminhão desgovernado na chamada “curva da morte”, na ERS 122, em Farroupilha, na Serra Gaúcha.

Às famílias dos dois, o meu afeto e a minha solidariedade.

Anderson Passos

Trilhas Matadoras (21)

Ainda que o Ecad tenha tido a genial ideia de cobrar direitos autorais de blogs como este que, eventualmente veiculam músicas hospedadas no Youtube, resolvi correr o risco e atacar de Raimundo Fagner.

Primeiro porque me vem à lembrança os inesquecíveis karaokês com a turma da 103,3 Unisinos FM, de São Leopoldo, onde estagiei entre 2001 e 2003, um tempo flagrantemente feliz com raríssimas exceções.

Segundo porque, morando em São Paulo, vira e mexe a gente cruza e o ouvido sem demora se familiariza com o sotaque nordestino.

Lá vai o cearense, cabra da peste!!!

O novo Chico

Ousado, meu irmão mais velho vaticinou que Chico Buarque nada mais fez de marcante pela música brasileira desde Construção. Como se vê, a opinião é sujeita a polêmicas e meu irmão teria como companheiro de crítica o Juremir Machado da Silva e um ou outro gato pingado.

A primeira menção ao Chico que fiz, conta meu pai, se deu quando da minha janela, no bairro Partenon, em Porto Alegre, eu via a torre da Igreja de São Jorge, e tentei cantar O Que Será. Tinha menos de cinco anos, seguramente. Pois que lembro da cena, mas não precisamente da idade.

Anos mais tarde, lá nos nossos fantásticos jogos de botão na casa do Daniel de Mendonça, grande amigo gênio do Direito e das letras, me falou da genialidade da letra de Meu Guri, citando que o escrito, por si só, cabia como uma luva na descrição de um amigo nosso comum. Burramente, naquele tempo, eu achava Renato Russo e o rock brazuca das coisas melhores que se podia ouvir. Ouvido medíocre o meu.

Então os anos foram passando e, chegando à 103.3, frequência da Unisinos FM, encontrei mestre Torino, Patrícia Weber, Gabriel Izidoro, Douglas Lunardi e o poeta Alessandro Varela, este com uma visão única da obra do grande Chico. Luz tamanha que me varou e me convenceu de quão burro eu era até ali.

E a minha consagração foi levar o poetinha ao show do poeta maior no Teatro do Sesi, em Porto Alegre, com direito a Luiz Fernando Veríssimo a nos ladear na plateia. Choro de leve de saudade do meu irmão poeta por agora.

Escrevo escrevo e nada digo. Alegria, chegou novo Chico, que ouço encantado num site especialmente criado para recebê-lo. E a dizer da faixa Querido Diário – que ouço sem parar, vendo filmes na cabeça passando, com saudades de todos que um dia foram meus – digo que o grande Chico vem para os braços do povo não sem tempo.

Anderson Passos

Unisinos FM (Final)

Pois veio a segunda-feira seguinte à visitinha professoral fora de hora. Eu nem me lembrava mais do caso quando Isaías do Avião (eis mais um apelido da fera – Vivas ao Leandro Vignoli!!!!) me chamou novamente ao SOE.

Começou perguntando como fora o sábado. Respondi que tudo bem. Aí o Cor de Cuia (4º apelido do sujeito – créditos para Douglas Lunardi) relatou o que a professorinha inocente assistira escandalizada.

Disparei que só transmitira uma opinião pessoal e que não era guia turístico. O outro, ladeado pelo Rochinha, disse que aquilo ia me queimar no “mercado”, que eles poderiam ligar até no inferno me excomungando.

Reagi dizendo que eu poderia fazer o mesmo tendo em vista que eu tinha toda uma carreira pela frente, bem ao contrário deles. Disse mais: que os dois eram laranjas do senhor Alexandre Kieling e que não mandavam nada ali.

Foi então que o Gordo Cinza (créditos para Aline Mãe Marques) sacou:

– Vou te mostrar que eu mando aqui. O Kieling pediu pra eu te mandar embora, mas tu vai ficar.

Reconheci que precisava do estágio, mas acrescentei que o risco era todo dele e que não faria papel de guia turístico novamente.

Algumas semanas mais se passaram e eu, que fora acolhido dois anos antes com uma redação cheia e sorridente, fui embora despedindo-me apenas do valente Alessandro Varela que, por puro idealismo, ainda colaborava com a emissora.

Anderson Passos

Unisinos FM (12)

Com a chegada de Paulo Moreira ao Moviola, e com ajustes no horário, o programa começou a ir ao ar às 12h e não mais no final da tarde de sábado. Logo, para produzir a atração, que continuou a ser transmitida ao vivo, seria prudente chegar em torno de 9h à emissora.

Pois, num sábado qualquer estava lá estou selecionando trilhas e correndo com o roteiro quando bate o telefone e o “Seu Moreiras” me diz para tocar sozinho a atração porque ele estava doente.

Pensei comigo que, ao menos naquele sábado, o programa terminaria no horário. Foi então que uma professorinha da Unisinos – acho que seu nome era Cozete alguma coisa – ladeada por visitantes, veio até mim perguntando se eu podia apresentar a emissora a eles.

Apresentei com gosto: sinteticamente disse que o jornalismo ali já não se fazia como antes, que eu mostraria a CDteca se a mesma não estivesse trancada à chave, enfim. Fiz a caveira da nova gestão ante olhos incrédulos dos visitantes e da inocente professorinha.

Terminada a visita, pus o programa no ar, entreguei no horário e fui para a minha casa tranquilo.

Mas a segunda-feira seria tensa. Mas fiquem tranquilos que já está acabando essa saga…

Anderson Passos

Unisinos FM (11)

Semanas depois que Paulo Torino se foi recebemos a notícia de que Isaías Porto, que soubemos depois ser apenas um mediano locutor que falava um inglês muito particular, iria conduzir os destinos da rádio ladeado por um sujeito tão medíocre que só vou lembrar-lhe o apelido: Rochinha.

Mas a rádio teria ainda um período de vácuo onde a incerteza e o pessimismo ganhavam corpo. Um corpo cinza, aliás. O gracejo explico mais abaixo.

Então veio a primeira reunião de apresentação da nova direção e um apontamento de Alexandre Kieling sobre originalidade chamava a atenção.

Segundo o gajo, toda a ideia que se torna pública não tem mais dono. Talvez seja por isso que inventaram o Napster, a pirataria, essas coisas.

Para mostrar que má vontade não era o caso, eu e Gabriel Izidoro apresentamos ao Gordo Cinza (eis o primeiro apelido do Isaías) o projeto do Programa do Terrível Homem Mau.

Ele fingiu satisfação, sentiu-se escudado, viu motivação naquele gesto, agradeceu o apoio, ficou de dar um retorno e até agora esperamos pela resposta.

Mas tínhamos nós, os homens maus, pressa. E, como a resposta não viesse, passamos a fazer graça nos corredores da emissora. Tanto que um dia, não lembro a razão, saímos correndo às gargalhadas por ali.

Foi então que inaugurou-se na rádio um dispositivo que eu só vira no ensino mais que primário. O famigerado Serviço de Orientação ao Estudante (SOE).

Pela travessura de correr às gargalhadas pelo corredor rumo ao estúdio, fomos perguntados do propósito daquilo, que não ficava bem e tals. O filme do momento era O Pianista, de Roman Polanski e eu aproveitei a reunião de cúpula para dizer que eles estavam transformando a rádio no Beco de Varsóvia ao fechar a porta de vidro que ligava os estúdios da rádio aos estúdios onde os alunos produziam seus trabalhos acadêmicos.

A crítica, claro, não pegou bem. Talvez não esperassem aquela insurreição. A seguir, como estava se formando, Gabriel Izidoro deixou a rádio sem um obrigado pelos serviços prestados.

Passei a apresentar o programa Moviola ladeado por Paulo Moreira, o novo programador, que aliás conhecia muita música, cinema, artes, mas era um tagarela incorrigível.

Mas um dia a voz do tagarela falhou e consegui causar a maior bagunça entre os novos diretores.

Explicarei o caso no próximo post.

Anderson Passos