A casa do Chico

Dia desses fiz um tour pelo cinema e, á saída do mesmo, sem encontrar a trilha de Django Livre, dei de cara com o DVD e o CD do show do Chico Buarque Na Carreira. O mesmo está disponível no Youtube e até já o assistira na íntegra. Mas fã é fã – tenho todos os CDs e DVDs do sujeito – e os comprei.

De imediato, me voltaram à memória as minhas conversas com o meu poeta e irmão Alessandro Varela, onde o Chico e suas letras eram tema recorrente. Lembrei em especial de uma conversa, quando eu já estava radicado em São Paulo, sobre a casa dos Buarque de Hollanda no bairro do Pacaembu. O meu amigo me revelara que outra amiga lhe enviara já fotos da casa.

Ocorre que nessa semana resolvi esticar o itinerário das minhas caminhadas e por um desses acasos, fui parar na rua Buri, onde fica a casa. Como jamais tivera referência fotográfica da mesma, dei com uma casa enorme abandonada e cravei comigo:

– É ali.

Não era. A casa, conservada, em estilo normando, era exatamente a que ladeava as ruínas que inicialmente eu creditava como a morada dos Buarque de Hollanda.

Quando de minha próxima atividade andarilha, tentarei me aproximar e olhar para o número 35 sem mais timidez.

Anderson Passos

Abu genial

Prestes a completar 80 anos, o ator e diretor Antonio Abujamra concedeu rara entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo. Eu e meu amigo poeta Alessandro Varela já tivemos a oportunidade rara de igualmente entrevistá-lo. Espero que o poetinha tenha guardado a maravilha. Por agora, leiam e se deliciem com o verborrágico apresentador do Provocações, da TV Cultura. Ou não.

Você está com algum projeto novo, Abu?

Quer ver como você não sabe nada da vida de repórter?

Sei que você completou 11 anos de Provocações e que, além disso, levou seu monólogo A Voz do Provocador para os CEUs de São Paulo e até para o Nordeste.

Fiz 21 espetáculos pelos CEUs. Fui ovacionado. Sou o rei da periferia. É uma plateia que não tem a arrogância da Augusta nem da Paulista. Parou agora. Em 2012 pode ser que eu volte. É um público livre. São jovens de 15, 16 anos. Fazem o que querem. Ficam atentos, querem aprender.

Você tem esperança nessa juventude?

Não tenho esperança em nada. Odeio a esperança. A esperança já f… a América Latina e você vem me perguntar, aos 79 anos, se tenho esperança? Minha esperança é que você não viesse aqui hoje. Era a única (risos).

O que você está montando ou ensaiando?

Um ator, um diretor de teatro, tem sempre 200 coisas na cabeça. Não dá pra te dizer “estou fazendo isso”, porque amanhã eu mudo. Não paro. Quero montar Thomas Bernhard, que você nunca ouviu falar, porque a cultura brasileira é uma m… mesmo. É um dos maiores autores de teatro do mundo hoje, à altura de Brecht.

O que João Cabral de Melo Neto influenciou na sua vida?

É a pessoa mais importante na poesia brasileira. Estive na casa dele em Marselha por 28 dias. Aprendi mais poesia do que em 50 anos de universidade brasileira. É uma das pessoas que realmente impressionaram pela qualidade, pela beleza, pelo saber fazer, por ensinar a olhar, a escutar, que nunca tem nada bem terminado, terminar bem é uma arte muito difícil.

Quem (ou o que) te levou a fazer teatro?

Britar pedras é pior do que fazer teatro. Então, quis fazer teatro, porque é mais fácil pra mim, porque eu não sei britar pedras. Faz tanto tempo e você quer que eu me lembre disso! Foi desde bem jovem. Uma irmã me levava para assistir peças de teatro – inclusive me levou ao extinto Teatro Santana, para ver um grupo americano apresentando um musical inesquecível com um elenco totalmente negro. Então, eu só queria ler teatro, ver os espetáculos. Fui percebendo que eu tinha uma naturalidade acumpliciante, com jeito mesmo para dirigir e interpretar.

Você estudou com grandes mestres do teatro europeu. Que lembranças guarda dessa experiência?

Terminada a faculdade, consegui uma bolsa de estudos na Espanha; depois, em Paris. Fui ficando por três anos, vendo o que de melhor acontecia no Velho Mundo, sempre mostrando o esqueleto para você colocar a carne viva com desembaraço, experiência, descaramento. Fui conhecendo os melhores, incluindo Jean Vilar, Roger Planchon, indo ver o teatro de Bertolt Brecht em Berlim e todas as modernas experiências. Impossível esquecer.

Como conseguiu ser dono do Teatro Brasileiro de Comédia e, depois, perdê-lo?

Porque não tenho talento para administrar teatro, sou artista.

Que balanço você faz, depois de mais de cem espetáculos?

Tive mas de cem fracassos. E, pra mim, não tem a mínima importância. Para um artista, o fracasso e o sucesso são iguais. Os dois são impostores.

Você gosta mais do sucesso ou do fracasso?

Essa pergunta não é boa de se fazer. O que interessa é o meu trabalho. Não tenho mais cobranças, dirigi demais.

Que legado deixará?

Nenhum. Ando na rua, vejo o nome do fulano de tal na placa, me pergunto quem será. Eu vou morrer, vai ter tabuleta na tabacaria, vai cair a tabuleta, vai cair o dono da rua, vai cair tudo. Não quero deixar nada.

Mas você tem uma importância muito grande para o teatro.

A palavra importante não existe pra mim. Eu proíbo a palavra importante, eu proíbo a palavra humano, a barbárie tem o rosto humano, então eu não preciso usar, proíbo a expressão “eu acho”. O achismo é uma bobagem. Não sou o que vocês querem. Não sou de dar entrevistas do jeito que vocês querem. Eu não sei, fico irritado. Acho que é bobagem e eu quero que você sinta que é bobagem. Quero que você sofra, não eu.

Vou continuar mesmo assim. É fácil fazer teatro no Brasil?

Como é que eu vou saber? Nada é fácil ao fazer teatro. É preciso ter talento e, principalmente, vocação. Alguns se jogam acalorados, perdendo o domínio das emoções, a consciência dos efeitos. Isso não é interpretação. É preciso ter sempre por perto os livros de João Cabral, que ensinam como fazer um gesto com a mão suave e sentida, como o toureiro diante da fera.

O que guarda de bom da sua época de diretor?

Alguns bons segundos, quando dirigi Cacilda Becker, Glauce Rocha, Margarida Rey, Lilian Lemmertz, Irene Ravache.

O que pensa dos diretores da sua geração?

A minha geração é formada por Antunes Filho, Zé Celso Martinez Corrêa, Amir Haddad, os falecidos Augusto Boal, Ademar Guerra e o gigante Flávio Rangel. Temos uma cumplicidade sem palavras entre nós. Conseguida com muita luta contra todas as pressões – ditadura, economia. Ninguém fala mal de mim para Antunes, porque ele não deixa; e eu também não deixo que falem dele. Temos nossas contradições, mas resolvemos entre nós. E o Amir Haddad diz: “Percebeu, Abu, que ainda somos os melhores e os mais modernos do teatro brasileiro?”. Fico puto e grito: “Onde estão esses jovens para dizer que somos umas bostas, todos com quase 80 anos?” – a juventude tem de ter mais coragem em relação a nós, porque, se nos respeitarem muito, vou desprezá-los.

O que pensa dos mais novos que você, como Hamilton Vaz Pereira e Gerald Thomas?

São os que estão existindo. No Rio, João Fonseca (para quem Abujamra passou a direção artística dos Fodidos Privilegiados, em 2000) é o darling atual. Mas não podemos nos esquecer desse talento chamado Charles Möeller.

Por que passou de diretor a ator, Abu?

Porque fui um imbecil quando diretor. Diretor tem de ter regras, soluções, rigor. Tem de ser chato. Já o ator não. O palco é do ator. Eu quero ser ator, brilhar, ser pavão. Dirigi 43 anos, fui um imbecil. O negócio é ser ator.

Você fez novelas.

Tenho de fazer TV, cinema, teatro, pois os supermercados também cobram dos artistas. A preferência é sempre o teatro, que é a fornalha do ator. O resto é executar.

Como vê Ravengar hoje?

Foi um sucesso extravagante. Feito em 1989, até agora o Ravengar passeia pelas ruas. Não tem explicação.

O que acha do que se faz na TV hoje em dia?

A televisão deveria deixar de trazer só a estética da pobreza. Mas não é fácil. Adquirir um conceito não é fácil. Por isso, é triste ver tanta mediocridade no meio da televisão.

Melhor atriz?

Fernanda Montenegro é a maior atriz brasileira e descobriu um diretor maravilhoso, Felipe Hirsch.

E diretores de cinema?

Gosto de Bresson, de Truffaut, do Hitchcock e todos que fazem cinema. Adoro, porque acho que são uns babacas, todos eles. Levam cinco anos para fazer um filme, e eu fracasso em dez peças em cinco anos.

Tem gente que diz ter medo de ser entrevistado no Provocações.

Já entrevistei umas 500 pessoas, você não pode dizer que elas tinham medo de estar lá comigo. Elas saem apaixonadas. Ninguém sai triste e irritado comigo.

Já fez terapia?

Não, senhora.

Chora?

Só choro quando as pessoas choram. Se você chorar agora, eu choro (risos).

O homem por natureza é bom ou ruim?

É uma experiência que não deu certo. Talvez daqui a 10 mil anos dê.

A vida é uma causa perdida?

Sem dúvida. A vida, branca ou tinta, é pra vomitar.

A burrice é irremediável?

Irremediável. A felicidade é uma ideia velha, cada dia nascem mais pessoas burras.

Acha estúpido ou inútil o matrimônio?

Tenho dois filhos e dois netos que me ensinam coisas inesperadas e maravilhosas. E uma esposa, Cibélia, 50 anos de casados. O que dá certo dá certo, o que não dá, não dá.

Anderson Passos

Encontro com o poetinha

Dos amigos que me acolheram na minha viagem de férias ao sul eu devo destacar o poetinha Alessandro Varela.

Este meu irmão do peito enfrentou 2011 com uma barra mais do que pesada em casa, por conta do falecimento da mana dele, a Selminha, em plena véspera de natal do ano passado.

Primeiro eu soube do caso ao lhe telefonar um dia para Porto Alegre. Ouvir dele personalmente o tamanho da batalha, que ainda é e será travada por muito tempo, fez-me bestificado e ainda mais sensível e orgulhoso ao grande poeta pela sua bravura.

E ele sabe que, mesmo longe, estarei com ele enviando todo apoio possível e impossível. Afinal, amigo não é amigo por estar presente na hora da festa, da confraternização. O sujeito só passa a reconhecer um amigo na multidão quando este surge no caminho, mesmo diante do luto mais fechado e dolorido.

De minha parte, também disse dos meus dramas e desafios que São Paulo tem me proporcionado e, de alguma forma, pressionado também. Dizer desses entraves ao poeta e ouvir suas palavras foi das melhores coisas que colhi na minha passagem pelo sul.

Grazzie poeta. E forza sempre.

Anderson Passos

O novo Chico

Ousado, meu irmão mais velho vaticinou que Chico Buarque nada mais fez de marcante pela música brasileira desde Construção. Como se vê, a opinião é sujeita a polêmicas e meu irmão teria como companheiro de crítica o Juremir Machado da Silva e um ou outro gato pingado.

A primeira menção ao Chico que fiz, conta meu pai, se deu quando da minha janela, no bairro Partenon, em Porto Alegre, eu via a torre da Igreja de São Jorge, e tentei cantar O Que Será. Tinha menos de cinco anos, seguramente. Pois que lembro da cena, mas não precisamente da idade.

Anos mais tarde, lá nos nossos fantásticos jogos de botão na casa do Daniel de Mendonça, grande amigo gênio do Direito e das letras, me falou da genialidade da letra de Meu Guri, citando que o escrito, por si só, cabia como uma luva na descrição de um amigo nosso comum. Burramente, naquele tempo, eu achava Renato Russo e o rock brazuca das coisas melhores que se podia ouvir. Ouvido medíocre o meu.

Então os anos foram passando e, chegando à 103.3, frequência da Unisinos FM, encontrei mestre Torino, Patrícia Weber, Gabriel Izidoro, Douglas Lunardi e o poeta Alessandro Varela, este com uma visão única da obra do grande Chico. Luz tamanha que me varou e me convenceu de quão burro eu era até ali.

E a minha consagração foi levar o poetinha ao show do poeta maior no Teatro do Sesi, em Porto Alegre, com direito a Luiz Fernando Veríssimo a nos ladear na plateia. Choro de leve de saudade do meu irmão poeta por agora.

Escrevo escrevo e nada digo. Alegria, chegou novo Chico, que ouço encantado num site especialmente criado para recebê-lo. E a dizer da faixa Querido Diário – que ouço sem parar, vendo filmes na cabeça passando, com saudades de todos que um dia foram meus – digo que o grande Chico vem para os braços do povo não sem tempo.

Anderson Passos

Selma

Tomado pela euforia do álcool, e ainda inflado pelo Tom Jobim ecoando no meu apartamento, liguei para o meu irmão Alessandro Varela lá no sul. Para quem está boiando na chuvarada, o poetinha é meu irmão e parceiro da Unisinos 103,3 FM.

Confesso que eu estava meio alto – e disse isso a ele – e eu queria falar com ele porque de muito – nem em minha passagem recente por Porto Alegre – precisávamos atualizar a conversa.

Eu queria dizer do especial Amor Em Quatro Atos, da Globo, que teve cenas gravadas quase defronte à minha nova casa em São Paulo. Eu queria ouvir dele que o especial global estava uma bosta, exceção à boca da Alinne Moraes.

Mas mal entramos na minha passagem relâmpago pela Capital gaúcha, quando o Varela me disse da morte da Selma, irmã dele, em 23 de dezembro último.

Tudo o que eu planejava dizer desmoronou. De repente, a minha euforia transfigurou-se na mais profunda tristeza. O Tom, que tocava no CD, de repente emucedeu. Por instantes, gelei até que só me foi possível dizer que a Selma finalmente descansara, pois que sofria de uma grave debilidade renal, que exigira dela uma sofrida assiduidade em sessões de hemodiálise.

Nisso – do sofrimento da Selma – eu e o meu irmão poeta concordamos. Mas ele vá me desculpar: que deus pode ser esse para impor tanto sofrimento dentro de uma casa?

Se deus existe ele é um cretino, um filho de uma puta de marca maior porque nem meu irmão Varela nem os pais dele merecem tanto sofrimento.

Justo a Selma que, um dia me dizia do irmão – abalado pela absurda falta de oportunidades para jornalistas no sul – algo como:

– Ele [Alessandro] está pra baixo, mas com alguém como tu por perto, com os amigos dele em cima, ele vai adiante.

Demorou, mas Varela finalmente arrumou trabalho e não abandonou o jornalismo, possibilidade que eu temia.

Irmão, a esperança que me move agora é que em outro terreno, a Selma há de torcer por nós, se empenhar por nós, agradecer por tudo o que a família fez para mantê-la por perto.

O meu lamento é não poder abraçá-lo fisicamente, não pode confortá-lo como deveria. Mas tentemos tocar adiante porque Selma agora ganha estrela no céu, ganha asas e torna-se anjo da guarda de todos nós.

Teus pais perdem devastadoramente uma filha. Mas saibam, eles ganham agora, ainda que distante e mais do que nunca, um sujeito que, não da boca pra fora, é sim teu irmão. Mais do que nunca teu irmão. Estarei com vocês em meus melhores desejos e pensamentos e dando o melhor de mim para minimizar essa dor eterna, que será de todos nós.

Anderson Passos

Unisinos FM (Final)

Pois veio a segunda-feira seguinte à visitinha professoral fora de hora. Eu nem me lembrava mais do caso quando Isaías do Avião (eis mais um apelido da fera – Vivas ao Leandro Vignoli!!!!) me chamou novamente ao SOE.

Começou perguntando como fora o sábado. Respondi que tudo bem. Aí o Cor de Cuia (4º apelido do sujeito – créditos para Douglas Lunardi) relatou o que a professorinha inocente assistira escandalizada.

Disparei que só transmitira uma opinião pessoal e que não era guia turístico. O outro, ladeado pelo Rochinha, disse que aquilo ia me queimar no “mercado”, que eles poderiam ligar até no inferno me excomungando.

Reagi dizendo que eu poderia fazer o mesmo tendo em vista que eu tinha toda uma carreira pela frente, bem ao contrário deles. Disse mais: que os dois eram laranjas do senhor Alexandre Kieling e que não mandavam nada ali.

Foi então que o Gordo Cinza (créditos para Aline Mãe Marques) sacou:

– Vou te mostrar que eu mando aqui. O Kieling pediu pra eu te mandar embora, mas tu vai ficar.

Reconheci que precisava do estágio, mas acrescentei que o risco era todo dele e que não faria papel de guia turístico novamente.

Algumas semanas mais se passaram e eu, que fora acolhido dois anos antes com uma redação cheia e sorridente, fui embora despedindo-me apenas do valente Alessandro Varela que, por puro idealismo, ainda colaborava com a emissora.

Anderson Passos

Unisinos FM (11)

Semanas depois que Paulo Torino se foi recebemos a notícia de que Isaías Porto, que soubemos depois ser apenas um mediano locutor que falava um inglês muito particular, iria conduzir os destinos da rádio ladeado por um sujeito tão medíocre que só vou lembrar-lhe o apelido: Rochinha.

Mas a rádio teria ainda um período de vácuo onde a incerteza e o pessimismo ganhavam corpo. Um corpo cinza, aliás. O gracejo explico mais abaixo.

Então veio a primeira reunião de apresentação da nova direção e um apontamento de Alexandre Kieling sobre originalidade chamava a atenção.

Segundo o gajo, toda a ideia que se torna pública não tem mais dono. Talvez seja por isso que inventaram o Napster, a pirataria, essas coisas.

Para mostrar que má vontade não era o caso, eu e Gabriel Izidoro apresentamos ao Gordo Cinza (eis o primeiro apelido do Isaías) o projeto do Programa do Terrível Homem Mau.

Ele fingiu satisfação, sentiu-se escudado, viu motivação naquele gesto, agradeceu o apoio, ficou de dar um retorno e até agora esperamos pela resposta.

Mas tínhamos nós, os homens maus, pressa. E, como a resposta não viesse, passamos a fazer graça nos corredores da emissora. Tanto que um dia, não lembro a razão, saímos correndo às gargalhadas por ali.

Foi então que inaugurou-se na rádio um dispositivo que eu só vira no ensino mais que primário. O famigerado Serviço de Orientação ao Estudante (SOE).

Pela travessura de correr às gargalhadas pelo corredor rumo ao estúdio, fomos perguntados do propósito daquilo, que não ficava bem e tals. O filme do momento era O Pianista, de Roman Polanski e eu aproveitei a reunião de cúpula para dizer que eles estavam transformando a rádio no Beco de Varsóvia ao fechar a porta de vidro que ligava os estúdios da rádio aos estúdios onde os alunos produziam seus trabalhos acadêmicos.

A crítica, claro, não pegou bem. Talvez não esperassem aquela insurreição. A seguir, como estava se formando, Gabriel Izidoro deixou a rádio sem um obrigado pelos serviços prestados.

Passei a apresentar o programa Moviola ladeado por Paulo Moreira, o novo programador, que aliás conhecia muita música, cinema, artes, mas era um tagarela incorrigível.

Mas um dia a voz do tagarela falhou e consegui causar a maior bagunça entre os novos diretores.

Explicarei o caso no próximo post.

Anderson Passos