Fantárdigo

Nunca mais tive coragem para assistir o Fantástico. Talvez eu tenha assistido flashes trocando de canal e só. Um dos últimos que assisti inteiro foi o dedicado a Ayrton Senna em 1º de maio de 1994, data da morte do piloto.

É verdade que, talvez, eu tenha assistido aos seguintes, já que ainda se tinha o Sai de Baixo e as pernas de Marisa Orth a seguir. Mas fato é que fui abandonando paulatinamente a atração até deixá-la de vez.

Numa crise de audiência que tem se prolongado nos últimos tempos, a Globo resolveu ousar e levantar a poeira do programa. Tirou o dançarino do ventre Zeca Camargo e a Renata Ceribelli e se embelezou com o talento da Renata Vasconcellos. Ceribelli será repórter do dominical em New York e Camargo despencou para o pior dos mundos: o Videoshow.

Somando tudo, digo que estou tentado a ver a Renata Vasconcellos no dominical. E esperançoso de que o Fantástico volte a seus melhores dias sob a batuta da musa.

Anderson Passos

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F1 correta demais

Leio no noticiário que estão fazendo uma grita geral – com direito a punição – ao australiano Mark Webber, por ter pego carona na Ferrari de Fernando Alonso pós Grande Prêmio de Cingapura.

Não vi a imagem tampouco o contexto em que se deu a carona, mas berra-se aos quatro ventos que houve risco de atropelamento. Bem, por mais que houvesse risco, punir só o australiano e não o ferrarista me soa estranho.

Por outra, se visse a cena, talvez eu chorasse feito guri cagado porque essas caronas me remetem de imediato ao GP da Inglaterra de 1991 quando Ayrton Senna ficou pelo caminho e Nigel Mansell, a bordo de uma Williams que já voava, deu carona ao brasileiro, com direito a tapinhas entusiasmados de Senna no capacete do inglês.

Sim, às vezes eu começo a achar que o politicamente correto já deu no saco. E que ele não devia pautar a F1 e nenhum outro esporte.

Anderson Passos

Vettel, o rebelde

É bom que na Fórmula 1 dos dias atuais ainda existam atitudes como a do campeão Sebastian Vettel que, desobedecendo recomendações da equipe Rede Bull Racing (RBR) ultrapassou o companheiro de equipe, o australiano Mark Webber e venceu o Grande Prêmio da Malásia.

Digo isso porque principalmente os espectadores brasileiros assistiram, na era Ayrton Senna, desobediência igual, que foi um dos diferenciais a transformá-lo em piloto número 1 por onde passou.

Depois de Senna, viu-se Rubens Barrichello dar passagem a Schumacher, Felipe Massa abrindo caminho para Fernando Alonso e assim o resultado só podia ser um: a representação brasileira na categoria limitar-se a um único piloto.

Felizes os alemães que podem contar com um jovem tricampeão do mundo mobilizado a ignorar contratos milionários, ordens estúpidas e, ainda por cima, dando espetáculo de perícia e arrojo. Se minto ou estou equivocado, uma única comparação me dará um pouco mais de razão: basta lembrarem quantos alemães e quantos brasileiros estão no grid da categoria. Covardia não?

Anderson Passos

Meu primeiro Senna

No final de semana que se foi, eu e o amigão Danilo Schneider, fizemos uma tour por lojas de miniaturas, nossas paixões.

Eis que, saindo de uma loja nababesca da Rua Augusta, como eu me queixasse que não tinha nenhum item da Fórmula 1 em miniatura e meu plano audacioso de ter todas as réplicas de carros dirigidos por Ayrton Senna na categoria, Danilo perguntou se eu não estaria interessado numa estátua do Senna que ele adquirira.

Então ele me sapecou o preço, que achei razoável e eu disse:

– Compro.

Dei o sinal e fomos à casa dele, que revelou-me que sua digníssima ficaria agradecida a mim. Mais tarde, isso aconteceu de fato. Argumento dela: a estátua do Senna, de uns 18 centímetros, não combinava com a decoração da casa, que mantinha algumas peças relacionadas a heróis da mitologia grega.

Não adiantou nem eu nem Danilo argumentarmos que Senna era um herói brasileiro ou coisa que o valha. E agora a estátua repousa cintilante no meu rack. E só posso agradecer ao Danilão e à Vanessa por isso.

Anderson Passos

Grandes entrevistas (1)

Em 2 de maio de 1994, o programa Roda Viva, da TV Cultura, produziu uma de suas mais épicas entrevistas. Exatamente no dia anterior, morria Ayrton Senna da Silva na curva Tamburello do circuíto de Ímola, Itália.

No centro do Roda Vida, o desafeto de Senna, Nelson Piquet, fez a mais sóbria e surpreendente leitura dos fatos diante de um Brasil em luto. Abaixo, a estupenda entrevista.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Parte Final

Anderson Passos

Barrichello, o insistente

Como as vagas na Fórmula 1 estão ao ponto de serem classificadas como “só um milagre”, o insistente Rubinho Barrichello se prepara para trocar de categoria.

Depois de 19 anos na principal categoria do automobilismo, vai testar na próxima semana um modelo da equipe KV Racing Technology, da Fórmula Indy americana, o mesmo conduzido pelo compatriota Tony Kanaan.

Não sei se desejo sorte a ele. Bem, tentarei.

Mas a minha opinião é que desde a batida forte em Ímola em 1994, nos treinos para o GP fatal que levaria Ayrton Senna embora, Barrichello não conseguiu ser rápido jamais, mesmo a bordo de uma Ferrari ou de uma Brown, mais recentemente, ambos carros de ponta da categoria.

Tomara, para o Barrichello, que eu me engane e ele se supere nos States.

Anderson Passos

Um binômio, 18 anos depois

Nesta terça-feira que passou (17/01) assisti à distância na redação onde trabalho e, mais tarde num café, as imagens de Bruno Senna como piloto da Williams. Enquanto uma colega que me acompanhava perguntava se ele não era “bonitinho”, eu só pensava na ironia da vida.

Quis o destino que uma Williams fosse o primeiro carro que o tio consagrado Ayrton Senna testasse primeiro, lá em 1983, antes de chegar à Fórmula 1. O mesmo bólido – com outro arranjo tecnológico – que em 1994 fez o tricampeão fenecer em Ímola no mais dramático grande prêmio de Fórmula 1 já realizado.

A reedição do duo Senna/Williams por hora me arrepia. Ainda não vejo no jovem o talento do tio. Tenho esperança que ele possa mostrar a que veio em 2012.

Que abençoado seja. E que o tio lhe abra os melhores caminhos.

Anderson Passos