Parabéns aos sem partido

As imagens que os manifestantes do Movimento Passe Livre (MPL) e associados produziram nesta segunda-feira (17) foram emblemáticas e simbólicas.

A minha geração não tinha causa e portanto não fez nada. E essa juventude nos fez ver que o País piora do ponto de vista social em itens básicos como educação, saúde, moradia e saneamento, para ficar em poucos itens.

Que continuem assim, os bravos brasileiros. Que o vandalismo não tenha lugar senão entre as exceções. E vamos pra rua, que está valendo à pena.

Anderson Passos

Olimpíada: o saldo

Faço um boicote estupendo à TV Record. Simplesmente não assisto porque não dou audiência para bispo de duvidosa trajetória episcopal, para ficar numa razão bem mixuruca. Eu teria outras milhões de razões, mas quem lê o blog é capaz de conhecê-las bem.

Mas eu queria dizer do título: vi exatamente duas disputas brasileiras pela Record: futebol masculino contra Honduras – vitória por 3×2 chorado – e a final melancólica contra os mexicanos – derrota por 2×1 mentirosa, pois que o placar deveria ter sido mais elástico.

E não adianta: não há narrador melhor para um evento dessa envergadura como o Galvão Bueno. Alguém dirá que ele é pé frio e isso é folclore. Galvão não só narrou derrotas, mas também embalou muita vitórias brasileira no esporte.

E, do time da Record a cobrir o futebol, só salvou-se o competente repórter Roberto Tomé. Romário como comentarista deveria fazer silêncio e ser um poeta, nada mais. Do locutor sequer sei o nome. Mostrou-se esforçado, mas fez escapar um “haja coração” na grande final. O locutor ainda queria culpar a arbitragem pela derrota brasílis na final: jamais vi tão cintilante estupidez.

Espero que o Comitê Olímpico Internacional (COI) reveja em 2016 a cessão de direitos de transmissão para a Record, que não redundou na audiência prometida – ainda que o bispo vá tentar esconder isso como quem esconde o dinheiro de seus templos enviado ao exterior.

Anderson Passos

O tal de Protógenes

Li na coluna da Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, já há algum tempo, que o delegado licenciado e atual deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) lançou uma revista para júbilo pessoal.

Na publicação, o sujeito que comandou a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, faz um auto elogio afirmando que o comando da missão lhe foi passado diretamente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A iniciativa, embargada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no ano passado, merece ainda uma ironia em forma de cordel, pela revista do parlamentar.

Com delegado afastado/A coisa não anda boa/ Em missão presidencial/ Largaram o cara à toa (…) A Missão Satiagraha/Reprimiu grande banqueiro/ um grandão que parecia/ intocável por dinheiro/ Porém no final termina/Com ministro que fulmina/ com ar de pipoqueiro”.

No melhor estilo Tropa de Elite, Protógenes anuncia com pompa e circunstância que está ajudando produtores de cinema americanos num roteiro sobre a frustrada tentativa de “caçar o banqueiro ladrão”.

O delegado é alvo de processo por parte do banqueiro Daniel Dantas, do banco Oppottunity, preso duas vezes e duas vezes solto pelo ministro Gilmar Mendes, então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2008. Dentre as acusações estão crime de abuso de autoridade e outras irregularidades como a coleta de provas a partir de escutas telefônicas não autorizadas pois que os espionados – está na lei – devem ter ciência do fato de que estão sendo vigiados pelo Estado. A lei é burra? Concordo. Permite que advogados espertos libertem clientes suspeitos? Claro. Logo, mude-se a lei. Enquanto isso não acontece, que a mesma seja cumprida – deformada ou não.

Volto às escutas ilegais. O caso é que essa parte da história Protógenes omite. Afinal, ele se vendeu como um “baluarte da ética” e seus eleitores caíram no conto do vigário. Uma pena que os eleitores não tenham se preocupado em vasculhar as entrelinhas da polêmica operação.

Mais deprimente é que órgãos de imprensa acreditem e divulguem que o delegado licenciado é sim uma sujeito absolutamente indigno de críticas. Triste Brasil…

Ontem (30/05), lá estava o sujeito polemizando na CPI do Cachoeira ao insinuar que Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres apanharam carona em aviões oferecidos por Carlihhos Cachoeira e, mais grave, para ficar ainda mais evidente na mídia, o denunciante afirma ter tido acesso a escutas que comprovariam a tese.

Bem, se reeditados os métodos e expedientes da Satiagraha, tal manobra do “deputado/delegado caçador de banqueiros” não vai passar de mais uma fanfarronice.

Anderson Passos

Royalties do Cristo

Colo abaixo linda crônica do mestre Ruy Castro publicada na Folha de S.Paulo nessa semana.

O homem de braços abertos

RIO DE JANEIRO – Às vésperas do seu aniversário de 80 anos, em outubro próximo, o indiscutível logotipo do Brasil, o Cristo Redentor, vê-se disputado pelos herdeiros de dois homens envolvidos na sua criação: o engenheiro brasileiro Heitor da Silva Costa (1873-1947) e o escultor francês Paul Landowski (1875-1961). A disputa é de autoria. Cada lado quer assinar o Cristo.
A questão não é acadêmica. Envolve crédito artístico (o Cristo é o maior monumento art déco do mundo) e créditos bancários -os herdeiros de Landowski exigem uma fatia dos lucros gerados por sua suposta exploração comercial. Mas o Cristo pertence à Arquidiocese do Rio, que cede graciosamente sua reprodução (na forma de estatuinhas, santinhos e termômetros de feira hippie até joias da H. Stern) e só pede respeito pela imagem.
Os fatos são simples: Heitor da Silva Costa levou dez anos construindo o Cristo, de 1921 a 1931. Venceu a concorrência inicial (todo tipo de Cristo foi cogitado, até sentado), firmou sua localização (havia quem quisesse encarapitá-lo no Pão de Açúcar, em vez do Corcovado), optou pelo concreto armado revestido de pedra-sabão, contratou os desenhistas, ceramistas e escultores (entre eles, em Paris, Landowski, para executar a maquete, o rosto e as mãos) e acompanhou a construção, a 710 m do nível do mar.
A família do francês tenta diminuir o brasileiro. Para ela, Heitor seria só um mestre de obras; Landowski, o artista. Ótimo. Mas, para mim, ao se decidir pelo homem de braços abertos que, por seu formato e dimensões, poderia ser visto de toda parte da cidade e, à noite, iluminado, transformar-se-ia numa cruz, Heitor foi mais artista que qualquer artista. Pena Landowski não ter visto o resultado -nunca pôs cá os pés.
Outra coisa: para os herdeiros de Heitor, o Cristo pertence ao Rio. E este não lhes deve royalties, nunca lhes deverá.

Anderson Passos

Fanfarronice misturada à cara de pau

Ouvi por cima a declaração, mas é de escandalizar, mesmo que fora do contexto.

Ocorre que o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, que passou penico na prefeitura e no governo do estado para pedir dinheiro público para a construção do seu futuro estádio em Itaquera, pôs a cara em cena e disse que no próximos quatro anos o clube será o mais rico do mundo.

Pode até ser verdade que a vinda de Ronaldo Nazário para o clube, primeiro como jogador e mais recentemente como dirigente atraia recursos. Mas a esse ponto estimado por Sanchez?

Num país sério, seria o caso de aqueles que aprovaram recentemente os financiamentos para o Itaquerão fechassem suas torneiras porque a declaração do dirigente me faz crer que parte do dinheiro emprestado vai para os cofres do clube e não para o estádio.

Ah, e antes que perguntem, sim, eu sou redonda e absolutamente contrário à vinda da Copa do Mundo e das Olimpíadas para o Brasil.

Anderson Passos

Tenebroso inverno

Tenho defendido já há algum tempo que o senhor Mano Menezes não tem credenciais para ficar a frente da seleção brasileira de futebol.

Defendo a tese pelo óbvio: o treinador teve a mais absoluta tranquilidade para renovar o elenco, mas desde a largada insistiu num grave erro: Robinho.

O que Robinho fez pelo futebol? Ao que me lembro, descadeirou o lateral Rogério numa final de Brasileiro e, desde aquele tempo, nada mais que não muito marketing e pedaladas infrutíferas.

Ademais, taticamente, o ofensivismo desenfreado e desorganizado não encanta. Pelo contrário, assusta.

A medíocre performance nas penalidades contra o Paraguai na Copa América é um sinal de que o grupo está pouco se lixando com a amarelinha.

É preciso renovar: desde a CBF até o roupeiro. Do contrário, assistiremos a um novo fiasco em 2014.