Canção para Helena (Helena é mil)

É Helena que vem
É minha sobrinha vindo logo ali
Vem pra deixar tudo perfeito
Vem do campo dos sonhos
Para iluminar o caminho

É Helena que vem no verão
Na abertura de 2014
Que Copa do Mundo, o quê?
O acontecimento do ano será o desembarque de Helena no mundo.

Helena, não de Tróia
Mas igualmente no trono
Das mais belas e mais queridas

Virá Helena ruiva como Marina Diana?
Ou morena como o Ferdinando?
Terá a pele alva da mãe?
Ou a mais escura do pai?
É um detalhe que o futuro vai descortinar
E deixar com os nervos em pandarecos os mais ansiosos

Que venha saudável
Que não faltará colo nem carinho nem entusiasmo
Nem companhia
Que o digam Heitor, agora irmão mais velho sem ser velho
E a mascote Rebecca, que terá trabalho dobrado.

Helena é mil
Igual ao número de textos publicados neste blog
Fica aqui o meu leve tributo às famílias Diana e Silva
E aos leitores que ainda insistem em frequentar esta ilha

Anderson Passos

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A arrogância e a cegueira

Sou gaúcho e, portanto, posso falar com tranquilidade absoluta pelo tema. A arrogância cujo lema “melhor em tudo” parece inesgotável ganha ares cada vez mais burlesco. Só dois exemplos:

Recentemente uma turma foi pra frente da prefeitura contrária ao aumento das passagens no transporte coletivo. E, como a justiça decidisse pela ilegalidade do reajuste, o mesmo caiu e a corja, empoderada, fez pequena tomada da Bastilha a comemorar nas ruas. Muita calma, pessoal. Releiam o parágrafo por completo: foi decisão judicial e não pressão popular a causadora do fato.

Aí, para coroar, o personagem Kiko, do seriado Chaves, foi escolhido o Embaixador da Copa do Mundo da sede gaúcha. Isso é o que eu chamo de consciência política e cidadã.

Cada dia me “orgulho” mais e mais da minha terra.

Anderson Passos

Osmar Santos

Criador de inúmeros bordões da locução esportiva contemporânea, Osmar Santos, narrador da Globo na Copa de 1986, sofreu um grave acidente automobilístico em 1994. Perdeu muita massa encefálica, ficou à beira da morte. Lutou, guerreou pela vida. E venceu.

Na semana que passou, tive a feliz oportunidade de ver o grande locutor cara a cara. Sempre “armado” de um sorriso confortante a animador, Osmar, que hoje se dedica à pintura, comoveu a todos os presentes.

Foi sozinho, amparado apenas por uma muleta. A timidez não me permitiu chegar até o grande locutor. Mas meu coração bate alegre inda agora enquanto escrevo agradecido pelo exemplo de vida e de obstinação.

Grazzie Osmar Santos!!!

Anderson Passos

Essa é pra você que nasceu em… (1)

1986.

Naquele ano de Copa do Mundo do México, o Brasil perdia um de seus maiores comunicadores – Abelardo Barbosa, o velho guerreiro Chacrinha.

Volto ao evento esportivo: em 1986 a Globo tinha como narrador principal o tirulirulá de Osmar Santos, escudado por Galvão Bueno. E o garoto propaganda vai abaixo: Araken, o showman. E o jingle entoado por Gal Costa. Bons tempos, apesar da pataquada dos pênaltis da nossa seleção naquele mundial.

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Anderson Passos

Ronaldinho Gaúcho

Como torcedor do Fluminense eu devia estar a rolar de rir com a desgraça do Flamengo e a perda do Ronaldinho Gaúcho. Não é por ser gaúcho – porque a nossa turma lá tem um forte Q de bairrismo, separatismo, essas merdas – mas fiquei triste pelo atleta.

Da Copa de 2002 até 2006 ele brilhou como nunca entre os maiores do futebol mundial. Vi Maradona, vi Zico, mas nada comparável a Ronaldinho até então.

Veio a ida para o Milan e com ela a decadência, a irregularidade das atuações, as festas, o sorriso antes largo e farto se apagando. Chegando ao Flamengo, quem acompanha o esporte sem paixões já sabia: o casamento duraria pouco. E eis o epílogo final.

Com a mãe doente, Ronaldinho vai acompanhar o duríssimo tratamento contra um câncer que dona Miguelina, vai enfrentar. O que será do craque? O que será do seu sorriso? O tempo dirá. E, honestamente, espero que o tempo conspire a favor dele.

Anderson Passos

Fanfarronice misturada à cara de pau

Ouvi por cima a declaração, mas é de escandalizar, mesmo que fora do contexto.

Ocorre que o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, que passou penico na prefeitura e no governo do estado para pedir dinheiro público para a construção do seu futuro estádio em Itaquera, pôs a cara em cena e disse que no próximos quatro anos o clube será o mais rico do mundo.

Pode até ser verdade que a vinda de Ronaldo Nazário para o clube, primeiro como jogador e mais recentemente como dirigente atraia recursos. Mas a esse ponto estimado por Sanchez?

Num país sério, seria o caso de aqueles que aprovaram recentemente os financiamentos para o Itaquerão fechassem suas torneiras porque a declaração do dirigente me faz crer que parte do dinheiro emprestado vai para os cofres do clube e não para o estádio.

Ah, e antes que perguntem, sim, eu sou redonda e absolutamente contrário à vinda da Copa do Mundo e das Olimpíadas para o Brasil.

Anderson Passos

Um pouco de Copa e do Brasil

Registrei aqui outro dia que a Copa do Mundo, assim como o futebol, não me chama a atenção como outrora. Minha seleção é o Fluminense. Ponto.

No entanto, diante do que aconteceu com a seleção brasileira na África do Sul cabem algumas reflexões.

O erro de Dunga não foi esconder patrocinadores em treinos secretos, não foi brigar com a Globo – o que deve lhe render algum cargo de comentarista na Record para os jogos pré-olímpicos e para a Olimpíada de 2012.

Era cristalino que, já no ato da convocação, a zica viria. O time do presídio deve ter algo mais a dar à seleção do que Felipe Melo, Michel Bastos, Robinho, entre outros menos importantes. Havia muitos outros que poderiam dar um fim menos melancólico à participação brasileira na África. Dunga não os viu ou não quis ver. Crente de que a seleção deveria ser uma maçonaria e não a bandalha de 2006.

Daí que, ao enfrentar o primeiro adversário que acertasse três passes consecutivos, o time brasileiro se viu à mercê do adversário. Errou a CBF ao dar a Dunga o primeiro emprego de técnico da seleção.

Mas o gaúcho de cabelo espetado tem lá seus acertos. Um burro não iria à Argentina e ao Uruguai vencer e quebrar tabus ante as respectivas seleções nacionais. Um ser não dotado de mínima inteligência não seria campeão da Copa América e da Copa das Confederações.

Concluindo, Dunga teve vários acertos, mas cometeu o erro fatal de convocar jogadores que, por força de uma lei, deveriam ficar à anos luz da camisa canarinho.

Agora eu vou de Uruguai na Copa Europeia… Mas sem muita paixão, claro porque a Alemanha deve levantar o caneco com um canecão de cerveja pendurado no pescoço.

Anderson Passos