Deixando as pernas me guiarem

Fazia muitos domingos, fazia na verdade muitos meses, que eu deixara de andar. A coisa começou tempos atrás – talvez cinco meses – quando fui escalado para me revesar entre a minha casa e a do meu irmão enquanto ele estava em viagem.

Depois veio o frio, com ele a preguiça, um cansaço que eu não pensei que fosse voltar a se abater sobre este escriba e fim. De repente, já não tinha horizonte, a cabeça já não mais viajava no tempo, mesmo as leituras não me levavam a nada.

Daí que no domingo que se foi (8/9), minha casa ameaçava sufocar-me, a mesma opressão de ultimamente. Um sol incrível lá fora e eu enfurnado sob cortinas escuras, sem que a luz do dia me contemplasse.

Passava das 15h30min e uma ideia fixa me assolava: preciso andar. E eu, que até então vestia um roupão de inverno – sim, minha casa é gélida – pus um short, uma camisa, calcei os tênis e ganhei as ruas novamente.

O Minhocão repleto de crianças, seus pais, pessoas sob bicicletas, outras contemplando o nada e havia até quem tirasse um cochilo. Flagrei um conterrâneo tomando mate, mas não me juntei a ele. Preferi andar.

De repente, um contratempo. A bateria do I Pod foi embora e um ingrediente importante do meu andar reflexivo me deixara surpreendentemente. Tudo bem, nem o I Pod nem eu nos juntávamos há tempos.

Indo em direção ao Pacaembu, onde Corinthians e Náutico se enfrentavam, tive um breve temor. Afinal, a camisa que eu vestia era verde, o que nessa cidade é motivo para morrer, lamentavelmente, se você cruzar com as pessoas erradas.

Mas a torcida corinthiana estava em sua ampla maioria dentro do estádio, havendo um ou outro do lado de fora. Donde segui sem problemas. A seguir, peguei o caminho de volta por Higienópolis e uma hora e alguma coisa depois, estava em casa me perguntando porque deixara essa rotina aparentemente medíocre de lado.

No momento em que teço essas palavras, estou ganhando a rua de novo graças ao despertar que um caminhão pipa – desses que lavam a rua e fazer um barulho de matar – da prefeitura me permitiu.

Anderson Passos

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Corintianos

O Fantástico, da TV Globo, fez uma reportagem em que relatou as condições de cárcere dos corintianos, detidos após a morte de um torcedor no jogo entre San José e Corinthians, pela Libertadores da América.

Não vi a matéria e ainda que tivesse visto eu não me sensibilizaria. Justifico porque integrantes dessa mesma torcida trouxeram o verdadeiro autor do crime para o Brasil, foram portanto cúmplices dele e deveriam estar presos.

Os corintianos detidos em Oruro só estão lá talvez por garantia da justiça boliviana de que o ocorrido não passará impune. Afinal, o réu confesso depôs e foi libertado. Já deve ter caído no mundo até.

A única questão negociável nesse episódio é que o menor que disparou o sinalizador e seus cúmplices sejam entregues à justiça boliviana para que os que estão lá fora possam regressar. Tudo o mais que se dizer do assunto nada mais é do que fanatismo clubístico.

Anderson Passos

Guerra de meninos

Na quarta-feira que se foi um torcedor corinthiano, menor de idade ao que tudo indica, lançou um sinalizador que atingiu e matou o jovem boliviano Kevin, que assistia ao confronto San José e Corinthians, pela Libertadores da América, escondido dos pais.

A Gaviões da Fiel anuncia que vai apresentar o autor do disparo fatal. Alega que ele não se revelou antes porque a organizada se sentia responsável pelo autor do disparo.

Pergunta: se a Gaviões da Fiel esconde o autor, por que a sua direção não é responsabilizada no esteio da imprudência em terras bolivianas? É essencial que a Gaviões, por seus dirigentes, seja co-responsabilizada pelos incidentes, já que o clube não tem controle absoluto sobre seus torcedores.

Ainda acho que ficou barato para o Corinthians tendo em vista que a instituição financia a Gaviões e outras organizadas. Esse costume péssimo deve ser banido do futebol brasileiro, sob pena de termos mais vítimas fatais.

Anderson Passos

Futebol e cadeia

O torcedor corinthiano que arremessou um sinalizador que marcou um torcedor do San José boliviano na noite desta quarta-feira (20) em jogo pela Libertadores, deve pegar uma cana duríssima. Um escroto desses não precisa voltar para o Brasil jamais.

Assim como Paulo César Oliveira, árbitro e ladrão de quatro costados, que garfou o Fluminense no jogo contra o Grêmio no Engenhão. Deve-se muito a esse cidadão o resultado negativo de ontem, aliado a certa incredulidade do Tricolor das Laranjeiras ante os gaúchos.

Anderson Passos

Carnificina

No sábado (7/7) que se foi decidi que era tempo de ir cortar o cabelo e, sim, fazer as unhas. De uns quatro ou cinco meses pra cá resolvi que cuidar das unhas não é de todo mal, dado que as minhas são problemáticas pois que criam cascos de cavalho e, claro, encravam com extrema facilidade.

Daí que vi o treino da Fórmula 1 e, em paralelo, tentei agendar a coisarada desde às 9h ao telefone. Só às 11h30min tudo ficou arranjado.

Chegando ao local no começo da tarde, na região da Faria Lima, vi que meu barbeiro de sempre lá estava. Dona Helena, que me apresentou seus alicates com cuidado de uma enfermeira e que primeiro cuidara de meus cascos estava no Pará revendo a família, sem previsão de retorno.

A corinthiana que a substituíra – e para a qual perdi a aposta de que o time venceria a Libertadores da América – estava de folga. A aposta era apenas essa: se o Corinthians fosse campeão, eu pagava o dobro do valor pelos serviços dela. Ainda bem que ela faltou.

Mas, se de um lado me safei, dei de cara com uma baiana de apenas 18 anos. O nome dela me escapa, mas cumpre-me dizer que foi um começo de lavoro difícil para os dois.

Dado que eu tremia por conta do Parkinson – e talvez ela confundisse meu temor com pavor – ela arrancou-me centenas de pedaços de carne da mão direita, ignorando meu “vai com calma, baiana porreta”.

Diante dos meus apelos, a mão esquerda foi tratada com mais aprumo. Sempre e só com um alicate que parecia de estimação dado que o cabo era de um azul escuro que parecia perolado.

Donde, a seguir, passei-lhe o pé direito advertindo.

– Muita, mas muita calma com o pé esquerdo. O dedão é uma desgraça.

Sádica, a baiana apimentada ria. E, mais uma vez, ela deve ter produzido milhares de pedaços de chuleta a partir do meu dedão do pé direito. Uma moça que seria atendida por ela e que nos ladeava, ria.

– Vai matar o sujeito.

E eu exagerava:

– Já perdi dois litros de sangue. Mais um litro e fico escarrapachado aqui.

Ninguém entendeu patavina. Então dei à baiana o meu pé esquerdo quase em crise de nervos de tanto sangue que me jorrava dos pés.

– Antes de chegar ao dedão, quero uma pausa de mil compassos.

Ela devolveu-me um “óxente” e quando vi que o alicate sanguinolento me deceparia, puxei o pé que repousava trêmulo no colo da moça. Voltei a recomendar:

– Eu tenho trauma desse dedão aí porque na infância minha vó tinha mão pesada igual à sua e me perseguia com alicate pela casa.

Ela tomou meu pé de volta, escondeu habilmente com as mãos “as cirurgias” que me fazia enquanto seu alicate trabalhava. O resultado é que, num piscar de olhos (tenho a sensação de que a baiana estava irritadíssima), finito.

Agradeci por educação. Ainda vejo a baiana arretada com o avental branco marcado de minha “santa sanguinolença”. Quando voltar lá, levo um facão pra me prevenir dos ataques dela.

Tempo redundante: esse é o post de número 800 deste blog personal, mas nem tanto. E tanto assim que ele não durará mais. Mas falemos disso em tempo ou outro tempo.

Anderson Passos

Prévia do inferno

Neste domingo (22/4), o festejado Corinthians de Adenor Bachi levou uma sova da Ponte Preta (3×2 em pleno Pacaembu) e com ela um choque de realidade.

Ainda que detentor do Campeonato Brasileiro, mais pela incompetência alheia do que pelos próprios méritos, o time de Tite pouco renovou-se desde o título nacional.

O clube segue agora apenas com a Libertadores e sob uma pressão danada. E quem acompanha de perto o futebol paulista, evidente está que breve o time de Adenor Bachi deve dar adeus ao torneio continental. Afinal, não há enganação da mídia que dure.

Anderson Passos

Agora eu sou Vasco

Diante da derrota ridícula do desfalcado Fluminense diante do Atlético Mineiro, eu resolvi largar o time de mão e não esperar por um milagre do time de guerreiros.

As razões são duas em especial: um time que almeja ser campeão tem que ganhar clássicos regionais e o Flu, nesse quesito – já não é de hoje – falha e feio.

O item dois eu discutia ainda neste final de semana com meu irmão, Everson Passos. Coloradíssimo que ele é, ele defende que Abel Braga é sim um grande treinador. Enquanto eu digo que com o time que o Inter tinha, eu ganharia a Libertadores e o Mundial. Abel Braga, assim como Celso Roth, se configuram em duas fraudes dantescas do futebol brasileiro.

Dito isto, vou torcer para o Vasco uma vez que detesto a ideia de ver o Corinthians campeão. Afinal, resido em São Paulo, conheço corinthianos do tipo absolutamente sem noção. E vê-los às lágrimas de esguicho, como vi no ano passado, não tem preço.

Avante Vascão!!!

Anderson Passos