Visitas

Recentemente o meu bruxíssimo Gabriel Izidoro apareceu finalmente em São Paulo. A trabalho, é verdade, mas é um progresso pois que eu já perdera a conta de quantas vezes o convidara para dar uma passada por aqui.

Diante da queda de temperatura recente, fiz ver ao Izidoro que aquilo ali já era frio para muito paulistano, ao que ele deu risadas. Passamos em frente ao Bar Brahma na esquina que Caetano cantou e o homem fez fotos. Noturnas, mas fotos.

Voltando ao frio, nunca esqueço de uma vez que ainda morando no sul, fui à casa dele na gélida Caxias do Sul. Ele recebeu-me de polainas, short e camiseta. Fazia zero grau. Horror.

Paramos num boteco, onde pedintes pareciam se multiplicar, sem poder se aproximar de nós dada a ação de um segurança man in black. Ele relatou seus projetos de assessoria que o livraram da estressante vida formal num grande grupo de comunicação gaúcho. Eu lhe contei de Sampa, de suas dificuldades, de como a mistura CQC, Pânico na TV em coletivas de imprensa pode ser uma merda.

Por fim, o grande amigo do peito conheceu meu barraco, pirou nos bonecos, nos livros e lamentou pelas travecas – que ficam na parte de baixo do prédio – que não apareceram sob a janela pois que estavam exercendo atividades pecaminosas com homens casados tão pecadores quanto.

Valeu a visita e volta sempre, índio velho!!!

Anderson Passos

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Acerto do Tas

A mente flamejante por trás do CQC, Marcelo Tas, acaba de produzir um acerto estupendo. Falo do genérico do CQC, o Conversa de Gente Grande (CGG), exibido nas noites de domingo na Band.

É claro que programas com crianças “inteligentes” podem eventualmente encher o saco. Mas a condução do Tas nas entrevistas e na abordagem dos temas é dosada de plena maestria.

Já os pequenos, sem apelar para danças da garrafa ou figurino para excitar pedófilos de plantão, não ficam atrás e produzem não só respostas inteligentes, como igualmente surpreendentes.

Eis o fato: eu continuo a abominar o CQC, mas aplaudo graúdo o Tas e seu magnífico CGG.

Anderson Passos

CQC comportado

No final da semana passada, mais exatamente na última sexta-feira (27/4), o PSDB lançou seu braço sindical para concorrer com o PT num ato político aqui em São Paulo. E, só para variar, lá estava o CQC. E, só para variar, estava no ar o temor dos colegas jornalistas de que as perguntas dos “humoristas” pudessem constranger ou irritar as fontes.

No entanto, depois de quase apanhar em Brasília, o repórter-humorista Mauricio Meirelles, que foi cobrir o evento, em alguns momentos pareceu-me bem cauteloso e cuidadoso para não irritar a nós jornalistas ou mesmo as próprias fontes tucanas.

Quando da abordagem ao senador Aécio Neves, por exemplo, estávamos todos ali a cercá-lo enquanto eu ouvia o produtor do CQC cobrando seu repórter dizendo “pergunta logo”. Ao que o Meirelles respondeu algo próximo de…

– Já vai, cara. Calma, o pessoal [nós, jornalistas] está falando com ele.

Em seguida, ele colou no senador mineiro e fez lá a sua graça.

Se fosse assim sempre, não haveria problema. Tomara que essa exceção se torne regra para que possamos fazer o nosso trabalho – e aí incluo o CQC – sem incidentes.

Anderson Passos

Jornalismo e humor

Sou em defensor de que jornalismo e humor eventualmente podem flertar, mas que são grandezas diferentes. O pessoal do CQC, talvez inspirado no personagem Ernesto Varela encarnado por Marcelo Tas, age diferente, não sem prejuízos.

Essa semana viu-se um “repórter” da atração tumulturar o que seria uma entrevista coletiva da secretária de estado americana Hillary Clinton, que passou por Brasília em visita à presidente Dilma Rousseff.

Na tentativa de entregar uma máscara de carnaval à representante americana, fotógrafos ficaram sem imagens e jornalistas sem história para contar, senão a cena do cqcista.

Sou um defensor do Jornalismo – não podia ser diferente, aliás – e me parece inconcebível que jornalistas tenham que dividir espaço com humoristas nesses eventos.

Outro dia eu mesmo passei por problema semelhante: eu fazia a cobertura da aclamação do ex-governador José Serra com prefeiturável do PSDB quando a dona Mônica Iozzi quis entregar ao pré-candidato tucano uma cartolina cujos dizeres sinalizavam que ele cumpriria seu mandato de quatro anos se eleito. Eu mesmo adverti do abuso, mas quem sou eu senão um jornalista tentando manter uma entrevista coletiva.

Fato é que os seguranças do PSDB agiram rápido e tiraram Serra dali sem que a moça tivesse sucesso em sua empreitada. O diabo é que, não fosse pelo discurso longo do tucano, eu não teria matéria porque graças à iniciativa do CQC não houve coletiva.

Espero que os assessores de imprensa sejam mais cuidadosos ao convocar os veículos para eventos desse naipe. Eu gostaria de, sinceramente, ir num evento sem correr o risco de uma pergunta infeliz ou de uma provocação fazer ruir o meu trabalho.

Encontrei o mesmo “repórter” do CQC naquela que talvez tenha sido uma de suas primeiras pautas. Era um seminário de prefeitos na Assembleia paulista e ele perguntava, dado o quórum baixo:

– Cadê os prefeitos? Alguém aí viu um prefeito?

Havia uns poucos, é verdade, mas nada que permitisse esculhambar o evento. Pois assim agiu o humorista. E quando um sujeito entra em campo para atrapalhar o trabalho dos jornalistas provocando potenciais fontes a uma resposta ríspida ou irritada, eu realmente fico a lamentar.

Espero que o CQC jamais dependa de ajuda minha para esse tipo de “trabalho”. Porque, se for o caso, a minha solidariedade será zero.

Anderson Passos

Arrogância gaudéria

Sou gaúcho, mas não com o orgulho triunfal que a atitude de alguns dos nossos patrícios incita e sugere.

Por exemplo, sempre achei – e continuo da mesma opinião – de que o sujeito que se veste à caráter, com chapéu, bota, bombacha, lenço no pescoço, essas coisas, se veste de um ridículo infame.

Mas claro que se você colocar na vitrola um Renato Borghetti – um de nossos pilchados patrícios, aliás – entoando a bela Sétima do Pontal na sua gaita ponto, o sangue gaúcho fala mais forte e é capaz de eu levar a mão ao peito como que o gesto equivalesse ao entoar de um hino rio-grandense. Abaixo vai a trilha.

Se ouço Elis Regina e suas interpretações viscerais, é capaz de eu chorar no cantinho sem nenhuma cerimônia. E vira e mexe isso acontece no fundo do meu apartamento na solitária São Paulo.

No entanto, o que me faz escrever sobre minha terra é a atenção dada pela imprensa ao senhor Rafinha Bastos, apresentador do CQC, que é um ilustre “compatriota” deste humilde blogueiro.

Ainda há pouco, navegando na internet, soube que ele dirigiu à reportagem da Folha de S.Paulo um xingamento tal como “chupa o meu grosso e vascularizado cacete”.

O repórter perguntava ao apresentador mais influente do Twitter e do universo – porque a gauchada não pode ficar por baixo – sobre piadas politicamente incorretas envolvendo a empresa de telefonia Nextel e o ator Fábio Assunção.

No tal show stand up do senhor Rafinha, ele teria associado a empresa de telefonia ao tráfico de drogas. Segundo relata a Folha, o mega apresentador teria dito algo como “é celular usado por traficante, e o pior é que eles sabem disso. Não é à toa que têm Fábio Assunção como garoto-propaganda”.

Vivemos sob o império do politicamente correto, o que é demais sacal. O direito de expressão é cada vez mais pouco invocado e, talvez partindo dessa propósito, o senhor Rafinha, assim como seu colega de elenco Danilo Gentili, se acham no direito de dizer o que vem à telha.

Vivemos um momento em que a piada deixou de ser propriamente anedótica. A piada hoje precisa vir seguida de um soco ou um chute no estômago. O desrespeito reside em seu âmago e quem se sentir invocado que vá reclamar com o bispo.

Lá em “riba” eu dizia que sou gaúcho. Lá em cima eu citei Elis Regina, Renato Borguetti, dois exemplos musicais de verdadeiros dândis da nossa cultura musical, só para ficar em dois.

Tudo isso para dizer que, admitindo que a grandeza dos que citei é anos-luz distante de Rafinha Bastos, o apresentador me causa uma vergonha profunda. A mesma que tenho ao ver alguém pilchado. E que bom que o lenço da pilcha lhe fosse levado à boca para não perdermos tempo discutindo suas teses.

Upload concreto: o sujeito pediu demissão da Band. A única situação digna de aplauso nesse entrevero todo.

Anderson Passos

Eles se reproduzem

No mesmo dia em que tive a felicidade de encontrar a Monalisa Perrone na Assembleia Legislativa de São Paulo – seguramente a melhor notícia do dia – constatei que também o CQC marcou presença por lá.

Desta feita, pelo menos, não enviou o falastrão do Rafinha Bastos nem o mala do Danilo Gentili. Enviaram sim um novato para pressionar os deputados e, claro, fazer piadas.

Verdade que o que se viu no parlamento paulista naquela tarde foi uma tentativa de jogar panos quentes nos deputados que admitiram a existência de um esquema de venda de emendas. Tanto foi assim que as coisas se decidiram a portas fechadas e tals.

Mas volto ao CQC. Desconheço o nome do figura que fez suas gracinhas na suposta Casa do Povo paulista.

Eu esperava que essa turma do CQC não se reproduzisse, dados os exemplos de Bastos e Gentili que, enquanto fazem piadas, não raro acabam com o humor dos entrevistados e nós, jornalistas, ficamos sem matéria por conta da interferência dos aprendizes do senhor Marcelo Tas.

Fazer humor é bom, é importante, imperioso? Evidente que sim. Mas não quando jornalistas têm uma pauta a cumprir.

Se o CQC não utilizasse do expediente da piada em plena coletiva de imprensa, eu não resmungaria. Eles estão trabalhando? Sim. Mas isso não os faz melhores dos que o demais nem lhes dá o direito de atrapalhar o trabalho alheio.

Assim, sugiro educadamente, que os aprendizes do Tas tentem fazer o seu trabalho sem atrapalhar o meu e de meus colegas. Porque pior vai ficar se eu me sentir no direito de usar do mesmo expediente deles.

Anderson Passos

De “frente” com Sabrina Sato

Dia desses fui acompanhar uma homenagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em São Bernardo do Campo e, inevitável, lá estavam quase todos os veículos de imprensa.

Como chegara cedo a São Bernardo, fui acompanhado pelo André Guilherme (Jovem Pan AM) e da turma da Globo numa padaria próxima, onde eles fizeram um lanche enquanto bebi um suco de laranja financiado pelo repórter global e gente fina Wallace Lara, que pagou a conta da turma toda.

Algumas minutos mais tarde e ingressamos na sede do sindicato onde nos posicionamos sobre uma passarela que nos permitia ver o salão onde ocorreria a homenagem do alto.

Me isolei do grupo e me pus a ler, dada a demora do ex-presidente em chegar para a homenagem. Eis que estou lendo meu livro quando Sabrina Sato se coloca logo em frente de onde eu estava na posição em que “Napoleão perdeu a guerra”. Parei a leitura pois que a concentração ficou completamente comprometida. A bela vestia um vestido rosa colado ao corpo que, evidentemente, lhe traçava as formas em toda a sua generosidade.

Então, como o ex-presidente se demorasse, a turba de jornalistas desceu à rua na primeira tentativa de ouvi-lo. E, claro, as equipes do Pânico e do CQC – este último ancorado por Mônica Iozzi -monopolizaram a atenção quando o homem chegou. Eu mal pude chegar perto e Lula já estava dentro da sede do sindicato, conduzido por seguranças.

Depois disso, novo corre-corre para dentro do sindicato para acompanhar o discurso. Lá dentro, uma coisa me chamou a atenção. Meio mundo, literalmente meio mundo, pedia para ser fotografado com a japonesa do Pânico, que eu jamais vi negar fogo. Cena bem mais rara na comparação com a colega cqcista. Feito o discurso, nós jornalistas tomamos a parte inferior do salão e tentamos apanhar uma palavra de Lula. Depois de muito empurra-empurra, o saldo foi mínimo.

Então volta todo mundo para a porta da frente, um ventinho frio soprando, para tentar ouvir o petista novamente. Foi nesse momento que as diferenças entre Sabrina e Mônica, ao menos para mim, ficaram evidentes.

Depois de um tempo, Sabrina se misturou aos jornalistas e até trocamos um dedinho de prosa, quando ela admitiu que seu vestido, na verdade, era emprestado. A Mônica, pouco antes desse diálogo, saiu de cena sem falar com ninguém. O Marcelo Tas que me perdoe, mas Sabrina deu goleada em todos os quesitos.

Anderson Passos