Corrida do ouro

Outro dia postei um raro vídeo de minha autoria e graça neste blog mostrando a operação de guerra de uns operários a furar a rua Epitácio Pessoa, que faz esquina com meu prédio. Para quem não viu o vídeo, o detalhe sórdido é que as furadeiras e motoniveladoras começaram sua sinfonia às 5 horas de um dia útil.

Só sei que uma vizinha desceu até lá, perguntou o nome dos operários e eles saíram de fininho, dizendo apenas que tinham autorização para fazer a obra naquele horário.

Isto posto, voltemos à última quinta-feira (12). Eu chegava em casa de minha saudável caminhada quando a vida começou a ficar insalubre. Operários voltaram a furar o asfalto produzindo um barulho sobre o qual talvez só a Love Story ou o inferno consigam ser superiores.

Em tom de pirraça, só posso concluir que descobriu-se no centro de São Paulo a nova Serra Pelada e que foi dada a largada para a busca frenética do metal precioso. Ou, quiçá, brevemente a dona Dilma vai aparecer aqui dizendo que a Petrobrás descobriu no asfalto profundo uma caro e raríssimo poço de petróleo suficiente para salvar a humanidade. Ou será que os operários estão a serviço de Juvenal Juvêncio e procuram um caminho mais fácil para o São Paulo chegar ao Japão? A essa altura dos acontecimentos, já diria meu chefe Henrique Veltman, tudo é possível.

Anderson Passos

Anderson Passos

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O Jornalismo respira

No final de semana que passou tive contato com duas produções que orgulham o bom jornalismo. Refiro-me às entrevistas da presidente Dilma Rousseff veiculadas pelo jornal Folha de S.Paulo, a cargo da competente Mônica Bergamo, e à entrevista com o Papa Francisco realizada por Gerson Camarotti e equipe da Rede Globo.

Da entrevista de Dilma, assusta o fato de que Lula nunca esteve fora do governo, ainda que ela tenha voltado a defender o plebiscito para a reforma política, sob o argumento de que há uma crise de representatividade.

Sobre Francisco e sua surpreendente humildade, Camarotti fez corajosos e pertinentes questionamentos sobre as mudanças na Cúria e os escândalos financeiros do Banco do Vaticano. E o Papa, corajoso, não fugiu de nenhuma pergunta.

Num tempo de jornalismo raso e pouca credibilidade – assim as ruas disseram em junho – as duas matérias veiculadas no final de semana são uma generosa injeção de ânimo em que não vê mais esperança na profissão.

Anderson Passos

Ainda a violência – e alguma política

Outro dia um colunista da Folha de S.Paulo, Gilberto Dimenstein, abriu sua coluna com um título provocativo: “O governo Alckmin acabou”. No texto, ele se referia à onda de violência que assola São Paulo e advertia que, se providência nenhuma fosse tomada, o governo tucano sofreria um sério abalo.

Daí que lendo os comentários, o que havia de defensores do carismático governador de São Paulo não estava no gibi. Houve quem xingasse o colunista, até. E, sim, o chamaram de petista.

O fato é que os paulistanos têm verdadeiro horror de que sejam retomados, a partir dos presídios, os ataques do PCC verificados em 2006. Não é para tanto, aparentemente. Investigações preliminares indicam que a morte de policiais em curso têm ocorrido porque o PCC está trocando as dívidas dos seus filiados por cadáveres de policiais. Dívidas essas que, em alguns casos, chegam a R$ 10 mil. Não devia, mas ainda me surpreendo com a organização desses pestes.

Outro ponto, me parece, é que passados 20 anos do Massacre do Carandiru, que matou oficialmente 111 presos, a opinião pública conservadora da Pauliceia cobra uma reedição daqueles eventos sob o pretexto de calar o PCC definitivamente.

Geraldo Alckmin, como esperado, tem medido palavras e ações. Aceitou, inclusive, ajuda federal para tentar superar o problema. Verdade que dinheiro algum foi disponibilizado, se não ofertas para que os comandantes do PCC sejam transferidos para presídios federais, operação em andamento. Com esse gesto, o tucano abre um flanco para o PT no Palácio dos Bandeirantes – sede do governo estadual – e, se tudo der certo, poderá conferir aos petistas um certo crédito na disputa à sucessão de Alckmin em 2014. Alexandre Padilha, o ministro da Saúde que percorreu o estado nas últimas eleições municipais, poderá ser o nome novo do PT para a disputa.

O diabo é que até aqui vem dando errado para os dois lados – o tucano e o petista – vide a declaração de uma mãe à mesma Folha de S.Paulo, que perdeu um filho na onda de assassinatos, e que cobrou tanto da presidente Dilma Rousseff e do governador de São Paulo uma providência mais dura. E ela está mais do que certa.

Anderson Passos

Viagem diplomática fail?

Continuo sem ter coragem de assistir a nova versão do Casseta e Planeta. Mas o Youtube está aí e salvando a lavoura. No vídeo abaixo, a Dilma do Casseta, aqui na fase em que o palavrão comia solto, visita o Paraguai, em especial a meca dos eletrônicos e dos sacoleiros, Ciudad Del Este. Acompanhem:

Anderson Passos

Dilma encarnación (1)

Não assisto o Casseta e Planeta na sua nova temporada. Desde que o Bussunda morreu não faço ideia de a quantas anda o programa.

Até que outro dia li em algum lugar que o mineiro Gustavo Mendes participava da atração imitando a presidente Dilma Rousseff. Ele ganhara o posto depois de fazer sucesso imitando a presidente em vídeos postados no Youtube recheados de palavrões.

Como sou o sujeito mais desbocado de que se tem notícia, abaixo vai uma versão levemente censurada da Dilma pré Casseta.

Anderson Passos