Feira Livre (2)

Vindo a São Paulo, as feiras livres voltaram a me perseguir paulatinamente. Um dia, mapeada a internet a procura de novo imóvel, pedi um comentário do meu irmão, Everson Passos, que sapecou.

– Não vai pra essa região aqui porque tem feira livre.

Meu irmão não tem o mesmo horror que eu relatei no post anterior, mas ponderava que as feiras na Pauliceia começam a se movimentar 4h quando inicia a montagem das barracas. Assim, garantia de muito barulho.

Além do mais, completou, a sujeira pós termino do turno de vendas, é algo bem pesado e de demorada remoção em alguns casos. Aceitei as ponderações do meu irmão e não me mudei, como planejava.

Mas a saga da feira livre, bem como o desejo de mudar-me, ainda não acabaram. Conto mais no próximo post.

Anderson Passos

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Aquisições (1)

Se nunca disse, coleciono DVDS, livros, CDs. E sempre critiquei meu irmão, Everson Passos, de que sua casa mais parecia um museu de tantos carrinhos e outras miniaturas que ele possui na cristaleira e outros pontos do lugar.

Na verdade, percebo hoje, vejo nisso uma ponta de inveja pois que, meu irmão sempre teve mais capacidade – e não raro – mais dinheiro para bancar sua manias e coleções.

Escrevo tudo isso pois que, quando ele me apresentou a Galeria do Rock, não só a minha coleção de livros e DVDs ganhou vulto, como ingressei na onda de colecionar bonecos.

Refiro-me aos exemplares do South Park. O primeiro a ser adquirido foi Cartman. Coisa de semanas depois e Stan e Kyle passaram a decorar meu superlotado rack – sim, eu preciso de uma estante urgentemente.

Dei uma quebrada quando Kenny – o personagem do desenho que sempre acaba morrendo – demorou a chegar. Foi aí que adquiri uma réplica do Arnold Schwarzenegger como o T 800 do Exterminador do Futuro 2.

Passados meses e meses – onde o lojista da Galeria do Rock só fazia reclamar da falta de tato do seu importador – voltei à loja e eis que encontrei o Kenny. Fiquei radiante pois finalmente tinha todos os personagens comigo.

Mas uma notícia ainda melhor me aguardava.

Anderson Passos

Fim de uma busca? (Final)

Contei ao meu irmão que eu perseguia Malena e as dificuldades de encontrá-la e eis que Everson Passos sapecou.

– Na Augusta, quase em frente aos cinemas, tem camelôs que vendem filmes clássicos.

Abro um parêntese: falo falo em Malena e nada mais digo ao leitor que, eventualmente, desconhece a película. Então abaixo vai o trailer dessa obra prima.

Fecha parênteses.

Volto ao texto. Na hora que meu irmão falou na Augusta não dei atenção e tudo ficou por isso mesmo.

Quer dizer, eu seguia tentando o milagre de achar o original na web. Um alento foi Henrique Veltman me enviar um link onde eu poderia baixar a fita, mas não era o caso. É raríssimo eu baixar músicas, quanto mais filmes.

Então veio outro final de semana, meu irmão bateu aqui e convidou-me a ir à Livraria Cultura, da Paulista. Subindo a Augusta, nostálgico, meu irmão lembrou do tempo em que morava nas imediações do Shopping Frei Caneca – quando nem shopping nem a viadagem local imperavam – mostrou-me a pensão onde Raul Seixas morreu e, quando nos flagramos, estávamos já em frente aos cinemas, com os “camelôs dos clássicos” ao alcance de uma travessia.

Antes, entramos numa loja de CDs e nos encalacramos. Ele comprou da Trilogia das Cores, do polonês Krzysztof Kieślowsk – sugestão minha – entre outros títulos. Enquanto eu comprei um show de David Bowie, dois DVDs com a série clássica O Homem de Seis Milhões de Dólares e ainda a série global Agosto.

Então atravessamos e meu irmão começou a perguntar ali quem teria Malena, Ninguém tinha até que um camelô gritou outro e esse outro disse assim:

– Manda pra mim que tenho aqui.

Paguei R$ 8 pela cópia. O título fala em fim de uma busca. E acho que ele merece ser corrigido. Não é o fim ainda. O DVD está com um som inaudível, um crime contra o idioma italiano da fita e contra a trilha sonora produzida caprichosamente por Ennio Morricone.

Ainda quero Malena original…

Anderson Passos

Fim de uma busca? (1)

Depois de assistir Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore, me vi tomado por uma nova obsessão cultural: adquirir o filme Malena, dirigido pelo italiano e estrelado pela musa Mônica Belucci.

Missão prosaica uma vez que, consultando a web, nada do filme nas lojas. Fiz ainda uma outra tentativa no Mercado Livre em busca do original e os preços variavam entre R$ 50 a R$ 100.

Até meu chefe, o terno Henrique Veltman, se disponibilizou em me ajudar na busca.

Então, numa recente visita do meu irmão, Everson Passos, tudo mudou. Que o diga o próximo post.

Anderson Passos

Stellinha again

Não apenas por conta do blog, mas pelas minhas atitudes, a Stellinha (Stella Artois), a minha musa belga, vem sendo reconhecida como uma bela cerveja.

O capítulo mais recente dessa história foi uma visita não agendada do meu irmão, Everson Passos, no final de semana que passou. Fato é que, durante a semana passada, ele me ligara e combinamos um encontro e almoço fora na Avenida Paulista.

Ocorre que outras tarefas me ocuparam e, quando ele me ligou no domingo, sugeri:

– Almocemos cá em casa. A comida está pronta. Não tem por que gastar – ponderei

E assim se fez.

Na minha geladeira repousavam quatro garrafas de Stellinha.

Mal chegado o convidado, perguntei:

– Vai uma breja?

E a cara arredia do meu irmão se desfez. Abri uma Stellinha pra ele dizendo que a achava saborosa.

Meu irmão, que jamais a provara até então, aprovou a musa. E tomou ainda outra garrafinha. Enquanto eu almocei e, só depois de feita a digestão, abri uma garrafinha e disse comigo:

– Stellinha, você é uma ‘dilícia’.

Em tempo: do sul, o meu amigo de fé e irmão camarada Gilsinho me acena que lá já comercializam a garrafa de litro. Já pedi a remessa de uma mostra pelo correio.

Anderson Passos

Futebol de botão

Havia pelo menos treze anos que eu não jogava futebol de botão. O hiato poderia ter sido evitado desde que cheguei em São Paulo posto que meu irmão, Everson Passos, mantém em seu sobrado uma invejável mesa e botões mais invejáveis ainda.

Eis que, nesses três anos, tenho desafiado meu irmão a voltarmos a nos enfrentar nesse quesito. Mas a quantidade de móveis na sala dele impedia a empreitada.

Felizmente, no entanto, a espera acabou exatamente no domingo (8/5), quando o visitei.

Passada minha estada na cozinha – sim, eu cozinhei de novo e tem sido assim sempre – meio hesitante meu irmão questionou:

– Quer jogar botão mesmo?

Enfático soltei.

– Demorou.

Então montamos a mesa e os botões foram colocados à mesa. Ele com um time do Torino (Itália) enquanto eu escolhi o Boca Juniors (Argentina).

Adaptamos uma regra de um toque posto que nem eu nem meu irmão lembrávamos direito dos regulamentos.

Comecei o jogo pressionando, mas errando gols demais, enferrujado que estava. Meu irmão teve raras chances, sempre sem sucesso, destreinado igualmente.

Como o gol demorasse, combinamos de que quem marcasse o primeiro gol ganharia. E, várias oportunidades perdidas depois, marquei o 1×0. Como eu vibrasse feito menino, meu irmão riu sem graça.

Na nossa infância distante, a vibração seria um belo pretexto para, no mínimo, fartas agressões verbais.

A seguir almoçamos e, terminada a refeição, propus a revanche. Mesma regra: marcou o primeiro gol ganha a parada.

Dessa vez, sem demora, no terceiro chute, engavetei a pelota, vibrei de novo e meu irmão sorriu amarelo.

E não vejo a hora de enfrentá-lo de novo.

Anderson Passos

Galeria do Rock

Palco de um dos núcleos de uma recente novela global, a Galeria do Rock permanecia um mistério para este cronista até o sábado (30/4).

A visita nasceu por acaso. Um dia antes, meu irmão [Everson Passos], que estaria de plantão na rádio CBN, ligou anunciando que me visitaria. Como as visitas dele são algo raras, acordei cedo e logo o sujeito me telefonava.

Coisa de 15 minutos depois, enquanto eu dava serviço para a lavanderia vizinha ao meu prédio, o homem já batia no interfone e nos encontramos ainda na calçada.

Ok, chega de preâmbulos. Ocorre que, sem muito assunto para tocar em dia, se não uma ou outra agrura profissional minha, sugeri ao meu irmão irmos à “terra santa”, a região da Santa Ifigênia, meca da tecnologia a bom preço em Sampa. Lá, propus, escolheríamos um presente para a nossa mama.

No entanto, antes disso, passando pela Barão de Itapetininga, meu irmão desvendou uma galeria qualquer e saímos em outra meca: uma loja atulhada de brinquedos antigos como Falcon, Gênius, autoramas, o diabo. Nunca é demais lembrar que ele coleciona essas coisas e, quando achei que ele ia sair gastando, saímos de fininho.

De repente, o assunto passou a ser a Galeria do Rock e confessei que jamais entrara ali. Numa primeira tentativa, há coisa de um ano, vi um balaio de motoqueiros no acesso da São João – o único que eu conhecia – e me desencorajei.

Então meu irmão anunciou que havia outra entrada perto de onde estávamos e me convidou ao passeio.

Um misto assustador de metaleiros, nerds, emos e sei lá mais o que passava lá dentro. De repente, tive um estalo: queria comprar bonecos do South Park para decorar meu rack.

E começamos a nos embrenhar nas lojas da galeria. E eis que achamos uma bem barata – não farei merchan – mas não o produto. Fiquei de voltar lá em alguns dias para apanhar os personagens do desenho vestidos de rappers.

Então seguimos pela galeria e paramos numa loja que vendia artigos de bandas. Meu irmão viu um boneco do Coringa versão postumamente oscarizada do Heath Ledger. E não hesitou comprando a peça.

No entanto, como a loja vendesse canecas personalizadas, meu irmão chegou a apanhar na mão uma do Pink Floyd. Abandonou-a a seguir e perguntou:

– Quer escolher uma?

Fiquei surpreso e, logo refeito, arrematei:

– Aquela do Jack Daniels é bem interessante e tem um gosto de nostalgia. A da Harley Davidson também é bacana.

Meu irmão ainda ponderou se eu não levaria uma caneca do U2, já que sou fã da banda. Rejeitei a ideia e a última palavra sobre a caneca foi dele. Acabei ficando com a da Harley Davidson.

Mas voltarei à Galeria do Rock para apanhar uma camisa e uma caneca do Jack Daniels.

Que meu irmão não nos leia…

Anderson Passos