Canção para Helena (Helena é mil)

É Helena que vem
É minha sobrinha vindo logo ali
Vem pra deixar tudo perfeito
Vem do campo dos sonhos
Para iluminar o caminho

É Helena que vem no verão
Na abertura de 2014
Que Copa do Mundo, o quê?
O acontecimento do ano será o desembarque de Helena no mundo.

Helena, não de Tróia
Mas igualmente no trono
Das mais belas e mais queridas

Virá Helena ruiva como Marina Diana?
Ou morena como o Ferdinando?
Terá a pele alva da mãe?
Ou a mais escura do pai?
É um detalhe que o futuro vai descortinar
E deixar com os nervos em pandarecos os mais ansiosos

Que venha saudável
Que não faltará colo nem carinho nem entusiasmo
Nem companhia
Que o digam Heitor, agora irmão mais velho sem ser velho
E a mascote Rebecca, que terá trabalho dobrado.

Helena é mil
Igual ao número de textos publicados neste blog
Fica aqui o meu leve tributo às famílias Diana e Silva
E aos leitores que ainda insistem em frequentar esta ilha

Anderson Passos

Refúgio e retorno (Final)

Nas proximidades da Universidade Mackenzie cruzei o último cordão de isolamento das tropas referidas no post anterior. A venda irregular de bebidas era escancarada, assim como o porte de garrafas pelos participantes seguia sem fiscalização ou controle.

Via-se casais homossexuais de todo o tipo e lembro de cruzar por um travesti que trajava apenas um microshort e fartos seios falsos à mostra. Não vi violência. A violência que se via era outra: bebia-se em demasia e a sarjeta estava igualmente apinhada.

Como a multidão começasse a se avolumar, dei uma volta e consegui evitá-la. Em dez minutos, adentrava meu prédio surpreso pelo deserto que era a minha rua, normalmente lotada de tipos em eventos como esse.

Ano que vem tem de novo. E lá me vou para fora da cidade.

Anderson Passos

Refúgio e retorno (2)

Andei alguns metros, aproximei-me da Estação Clínicas do metrô e esperei ainda por um estalo do meu sexto sentido para abandonar o plano de ir a pé. Sem estalo algum, retomei o plano inicial.

Chegando na esquina da Paulista com Consolação, percebi que minha intuição estava certa. Não havia como transpor a região de carro ou transporte coletivo. Donde me pus a andar.

Chegando nas proximidades do Cemitério da Consolação, deparei-me com uma verdadeira operação de guerra: viaturas da fiscalização de trânsito, caminhões de lixo, varredores, guarda civil, Polícia Militar. Verdadeiros exércitos.

Andando mais alguns minutos, transpus de todo a área frontal do cemitério e carros pipa lavavam as calçadas com jatos d’água possantes dos dois lados da via.

Então, lancei os olhos em direção ao Viaduto Costa e Silva – o famoso e sugestivo Minhocão – e o mar de gente e de luzes era assustador.

Anderson Passos

Refúgio e retorno (1)

Sabedor de que mais uma Parada Gay se aproximava, fui convidado na última sexta-feira (31/5) a ir passar o final de semana na casa da Marina Diana e do meu irmão Ferdinando em Cotia. E não esqueçamos do meu sobrinho Heitor e da mascote Rebecca, que senão sai gritaria e dentada.

Do findi em si, direi com o tempo. Porque quero relatar a minha volta para casa, na região central de São Paulo, local do encerramento do evento. Apanhei um ônibus executivo na rodoviária de Cotia e desembarquei, coisa de uma hora depois – e sob chuva – próxmo ao Hospital das Clínicas.

Para quem não conhece São Paulo, eu estava a pelo menos 45 minutos a pé da minha casa. Pensei na opção do ônibus, mas imaginei que a Rua da Consolação estaria bloqueada para o tráfego. Elaborei então a rota via metrô e lembrei que todo ano a Estação República do metrô, que seria meu destino, estaria fechada pois que localizada no coração das comemorações.

Donde, o plano inicial que eu traçara se impôs: eu iria para casa a pé.

Anderson Passos

Sobrinhos

Não sei vocês, mas sou um tio babão. E reconhecidamente – e infelizmente pelo lavoro e pela vida que cobram seu preço diário – nem tão presente.

Mas, fato é que dias atrás fui ver meu sobrinho Heitor e só tive surpresas: o danado, que dia 2 de junho completa apenas dez meses, já engatinha como se braços e pernas fervilhassem. E, sozinho, posta-se de pé nos seus mais de dez quilos e ameaça andar.

Como a mãe e o pai, meu sobrinho sorri fácil, generoso. Mas não queiram irritá-lo, que ele fica manhoso. Exemplo é que quando a passada de pernas tortas de um gênio Mané Garrincha não vem, ele hesita, chora, para disparar uma gargalhada surpreendente a quem não o conhece logo a seguir.

Riso fácil, aliás, é com ele mesmo. Chamá-lo para dançar em sua passada cambaleante e envolvente o fazem gritar e se sacudir todo. Já mandei carta ao Jacaré, de É o Tchan, comunicando que ele já perdera o posto, tanto remelexe – esse verbo existe? – o meu sobrinho Heitor.

Mas o que me arrebatou mesmo foi ele imitando o que chamei de “motor de fusca” ao pressionar os lábios com o ar. Movimento que, claro, ele aprendeu em voo solo. E o “fusquetinha” do meu sobrinho faz um barulho tão delicioso, que ora vem grave e migra para o agudo, quanto mais longo o respiro do moleque.

Heitor também gosta de jogatina e não deixa o pai enfrentar o tio por igual no videogame. Apanha o controle e permite que o tio vença as partidas. Como todo homem da casa, já pega o controle da TV para chamar de seu. E pobre da chave do carro quando ele estiver mais crescido.

Meu sobrinho ‘inda não fala, mas certamente as palavras que o cercam daqui a pouco virão num brotar infinito. Por enquanto elas – as palavras –tomam o tio de assalto e, em plena madrugada, o fazem escrever orgulhoso do grande, pesado, possante e comilão Heitor.

Mas tudo é festa, que chega de agonia. Não bastasse tudo isso, o Heitor já está ficando velho pois que vem outro (a), para delírio de todos. A bela Helena ou o belo Roger – a mãe desta feita frisa, e o blogueiro acata, que o nome masculino não muda – chegará ao mundo com Heitor já dançando valsa, já cantando parabéns e batendo palmas.

Que abençoado (a) sejam todos. Por aqui, eu babo dobrado.

Anderson Passos

Sem Virada

Neste final de semana que passou aconteceu a 9ª edição da Virada Cultural de São Paulo. Temeroso de que um palco fosse deslocado para a minha janela, atendi convite da onipresente Marina Diana e zarpei para Cotia para ter com ela, com o Ferdinando e o meu sobrinho Heitor um final de semana digno do nome.

Ao voltar para casa, lendo o noticiário, li que houve mortes, violência, furtos e tals. Poucas linhas positivas sobre as atrações como se a exceção pudesse suprir o todo. Mas enfim.

Fato é que tive sorte. Afinal, embora o mapa da Virada nada mencionasse, havia sim um palco na minha rua. E eu não dormiria um milésimo do que pude nesses dias.

Nem todos os que moram no centro tem a possibilidade que eu tive de sair e esquecer. O poder público precisa se lembrar de que no centro também há moradores. E que dois dias, com 12h de show durante o dia, pode ser uma alternativa mais razoável. Fazer a segurança de um evento desse porte durante o dia torna-se até mais facilitada. Que o prefeito Fernando Haddad, que assumiu em janeiro, atente a isso.

Anderson Passos

Vingadores aí vamos nós

No último final de semana virei o Incrível Hulk. Não, não tomei anabolizantes nem fiquei bombado do dia para a noite. Ocorre que foi aniversário do meu sobrinho Guilherme Diana e, como o pequeno, de agora recém completados sete anos, é maluco pelos Vingadores, eu e outros tios, além do pai dele – Orlando Diana Jr – nos trajamos como os heróis.

Sim, me pintaram o rosto e as mãos. A tinta parecia não secar nunca, o que me apavorava. Cheguei a ter pesadelos na noite anterior entrevistando o José Serra pintado de verde.

Escalamos três vilões para acabar com a festinha. Eles entraram, a bruxa Vanessa perguntou às crianças se elas estavam com medo – chegou a ouvir não de alguns pequenos – e lá foram os heróis Thor (Orlandinho), Homem de Ferro (Ferdinando), Capitão América (Danilo) e este Hulk botar os mal-feitores para correr. Os olhos de Guilherme brilharam como poucas vezes vi. Era a reação que nos importava.

Tirar a tinta de todo foi desafiador. Depois de um banho demorado, que salvou a lavoura relativamente, o acabamento se deu pela via de lenços umidecidos doados pelo pequenino Heitor Diana Silva e sua mãe Marina Diana.

Já avisei que da próxima, estou fora desse negócio de maquiagem. Mas claro, se a tigrada tiver de sair para arrancar um sorriso dos meus sobrinhos, essa reação será nada mais do que folclore como “teatro do Tio Gaúcho”.

Anderson Passos