F1 correta demais

Leio no noticiário que estão fazendo uma grita geral – com direito a punição – ao australiano Mark Webber, por ter pego carona na Ferrari de Fernando Alonso pós Grande Prêmio de Cingapura.

Não vi a imagem tampouco o contexto em que se deu a carona, mas berra-se aos quatro ventos que houve risco de atropelamento. Bem, por mais que houvesse risco, punir só o australiano e não o ferrarista me soa estranho.

Por outra, se visse a cena, talvez eu chorasse feito guri cagado porque essas caronas me remetem de imediato ao GP da Inglaterra de 1991 quando Ayrton Senna ficou pelo caminho e Nigel Mansell, a bordo de uma Williams que já voava, deu carona ao brasileiro, com direito a tapinhas entusiasmados de Senna no capacete do inglês.

Sim, às vezes eu começo a achar que o politicamente correto já deu no saco. E que ele não devia pautar a F1 e nenhum outro esporte.

Anderson Passos

F1: a decisão

Torci pelo Sebastian Vettel (para alguns Vettél) e ele sagrou-se o mais jovem tricampeão mundial da categoria após o Grande Prêmio do Brasil, em Interlagos. Ainda que tenha torcido pelo piloto alemão – que tem tudo para superar os recordes de Michael Schumacher – reconheço que Fernando Alonso fez um grande trabalho e a Ferrari só foi competitiva até o final da temporada graças ao espanhol.

A corrida em São Paulo foi cheia de variáveis devido à chuva. Bruno Senna terminou a temporada – e talvez sua carreira na categoria – de forma melancólica num acidente que quase tirou Vettel da prova. Jenson Button, o vencedor, acabou se beneficiando com a saída do companheiro de equipe Lewis Hamilton que chocou-se com Niko Hulkenberg, da Force India, quando este tentou ultrapassá-lo.

Para o ano que vem, a tendência é termos apenas Felipe Massa representando o País. Massa fez uma temporada irregular e só reagiu no final porque seu lugar na Ferrari esteve ameaçado. Se em 2013, ele não mostrar serviço, dificilmente permanecerá numa grande equipe na sequência.

Barrichello, o insistente

Como as vagas na Fórmula 1 estão ao ponto de serem classificadas como “só um milagre”, o insistente Rubinho Barrichello se prepara para trocar de categoria.

Depois de 19 anos na principal categoria do automobilismo, vai testar na próxima semana um modelo da equipe KV Racing Technology, da Fórmula Indy americana, o mesmo conduzido pelo compatriota Tony Kanaan.

Não sei se desejo sorte a ele. Bem, tentarei.

Mas a minha opinião é que desde a batida forte em Ímola em 1994, nos treinos para o GP fatal que levaria Ayrton Senna embora, Barrichello não conseguiu ser rápido jamais, mesmo a bordo de uma Ferrari ou de uma Brown, mais recentemente, ambos carros de ponta da categoria.

Tomara, para o Barrichello, que eu me engane e ele se supere nos States.

Anderson Passos

Tigre ou idiota?

Transcrevo matéria veiculada na edição da Folha de S.Paulo desta quarta-feira (3/8). Apreciem com moderação o belo texto da colega Laura Capriglione.

Administrador repete destruição de carro de luxo, desta vez pelado

Após último acidente, polícia encontrou garrafa de uísque praticamente vazia dentro do veículo

Proprietário do Camaro se recusou a fazer teste do bafômetro; sinais de embriaguez eram evidentes, diz polícia

O administrador de empresas João Luis Raiza Filho, 30, é desde 2007 um sujeito famoso na internet. Naquele ano, ele dirigia em alta velocidade uma Ferrari F430 avaliada em R$ 1,3 milhão quando perdeu o controle do veículo e bateu a traseira.
Flagrado logo após o acidente por uma equipe de TV, o rapaz desferiu cabeçadas na boca do cinegrafista. Foram necessários seis pontos para conter o sangramento.
No último domingo, Raiza voltou às cenas velozes e furiosas, agora pilotando um Chevrolet Camaro, modelo 2011, R$ 200 mil sobre rodas.
Em alta velocidade, de novo, Raiza Filho perdeu o controle do carro, subiu em um canteiro da praça Ibrahim de Almeida Nobre, em São Bernardo do Campo (ABC), trombou com árvores e derrubou um muro, antes de aterrissar. A máquina de design agressivo, motor de 6,2 litros e oito cilindros, ficou ali -peças espalhadas em um raio de cem metros, lateral esquerda e frente destruídas. Ninguém se feriu.
Quando a polícia chegou ao local, topou com o cenário insólito. Raiza Filho estava nu na cintura para baixo. No banco ao lado do motorista, havia uma garrafa vazia de uísque Red Label, ainda com um fundinho da bebida.
Segundo o boletim de ocorrência, o motorista apresentava sinais evidentes de embriaguez. Ele não aceitou submeter-se ao teste do bafômetro. Os PMs providenciaram uma cueca para retirar o rapaz do veículo, que registra cinco multas por excesso de velocidade desde dezembro.
O piloto da Ferrari e do Camaro até teve de pagar pela agressão ao cinegrafista: em junho de 2008, a Justiça homologou sentença pela qual Raiza Filho pagaria à vítima três parcelas mensais de R$ 1.000. Caso encerrado.
Na internet, um conhecido da família lamentava: “E pensar que esse neto irresponsável vem da mesma origem do Olice Raiza, uma lenda aqui no ABC, homem simples que embora nunca tenha estudado trabalhou honradamente, primeiro fazendo tijolo e, depois, construindo. Fez um império”.
Procurado na Construtora Raiza, o pai do rapaz avisou pela secretária nem ele nem o filho dariam entrevista. Já o advogado do administrador no caso da Ferrari não retornou as ligações da Folha.

Anderson Passos

A volta da F1

Aqui mesmo já escrevi que perdi a fé na Fórmula 1 e até relatei que a gota d’água tinha sido um GP do ano passado onde o brasileiro Felipe Massa (Ferrari) fora avisado pelo rádio de que devia dar passagem ao colega de equipe Fernando Alonso.

A manobra não é novidade na categoria haja vista que o próprio Rubinho Barrichello, quando pilotava pela mesma equipe, deu passagem a Michael Shumacher.

Mas escrevo, escrevo e me arrasto tal qual uma carroça. Fato é que o GP do domingo passado, disputado no Canadá, graças e pela chuva, foi cheio de alternativas.

Já na largada, Lewis Hamilton (Mclaren) tocou Mark Webber (Red Bull). Voltas mais tarde, ele tocaria o próprio companheiro de equipe Jason Button na reta dos boxes. Desta vez, Lewis ficou no muro.

Button foi ao box e voltou tão correndo que foi punido com um drive thru. Então veio a chuva. E já passava das 16h no Brasil e nada da corrida ser retomada. A TV migrou para o futebol e emitia flashes da corrida.

Button, com direito a acidente, quatro passagens pelo box, chegou a última volta colado no virtual campeão Sebastian Vettel. A cada metro percorrido via-se que o piloto da Red Bull flertava com o muro do circuito Gilles Villeneuve. E tanto foi assim que alguns metros mais tarde Vettel saiu de traseira, Button passou a liderar e conduziu a corrida até o seu final.

Uma corrida sensacional que se assistiu, infelizmente, entrecortada pelo futebol. Oxalá que as próximas corridas ocorrerão no horário da manhã e não haverá mais riscos de a transmissão ser interrompida. Espero.

Anderson Passos

Mais do mesmo na F1?

Inicio a escrita faltando pouco mais de duas horas para o início da temporada 2011 da Fórmula 1. Prometi abandonar o esporte no ano passado depois que Felipe Massa entregou posição para Fernando Alonso.

Mas o diabo do gosto pela velocidade é teimoso e eu vou madrugar para ver a corrida ou o mais do mesmo que se anuncia para 2011.

Não vi o treino oficial, mas de novo a Ferrari começa o ano atrás de Red Bull e McLaren, o que é entendiante. A pole do campeão Sebastian Vettel anuncia igualmente uma temporada monótona.

Ainda mais quando se olha para os pilotos brasileiros cometendo erros primários. Nunca tive tantas saudades do Ayrton Senna e do Nelson Piquet como nesses dias.

Mas enfim, tomara que a corrida de Melbourne, na Austrália, e a temporada, como um todo, fujam do script que parece estar de antemão desenhado.

Upload concreto: e Vettel venceu com folga, Massa chegou apenas em 7º e Rubens Barrichello. Bom, o Barrichello bateu, foi punido. O mais do mesmo…

Anderson Passos

Unisinos FM (7)

Aquele Dia das Mães foi cruel com o Homem Mau. Ocorre que não havia telefones funcionando na universidade, senão os nossos celulares. E a entrevista agendada com Juca Chaves não pôde ser veiculada. Pior, os ouvintes também não poderiam ligar. E interatividade em rádio é como o sangue nas veias. Vital.

Então tomamos uma decisão drástica: xingamos as mães do pessoal da empresa telefônica que nos tirara do contato com o mundo. Na hora, embalei no xingamento junto com a turma, depois freei o ímpeto. Mas já era bem tarde para voltarmos atrás naquele abuso.

O nosso argumento é que, semanas antes, já tínhamos mencionado com galhardia o termo “putas” no ar. Isso numa emissora que apesar de tocar blues, ser jornalística e estar no FM, era jesuíta de quatro costados.

Bem, eu dizia das putas e explico nosso argumento mais claramente: se mencionamos termo tão podre, que mal pode haver num desejo de câncer para a mãe do cara que tirou os telefones do ar?

No nosso caso, infelizmente ou não, todo o mal: dona Gládis, a mãe do mestre Paulo Torino, era nossa ouvinte número 1 – e não sabíamos disso, claro.

E claro que ela ficou escandalizada e, segundo o mestre, ela recomendou a ele de que aquilo estava passando de todos os limites.

Na segunda-feira seguinte àquele programa, Torino chegou à emissora vestindo o vermelho da Ferrari, no que vendo a cara do homem, ainda brinquei:

– Vermelho da Ferrari, mestre?

Ele não riu, não esboçou emoção nenhuma. Apenas me pediu o CD com o áudio do programa. Escutou, voltou à redação, tarjou com pincel atômico no disco o termo SUSPENSO e ali enterrou-se o Homem Mau.

Mas ele voltaria, tal como os mortos voltaram do lado de lá em Thriller, de Michael Jackson. A diferença é que o nosso defunto voltaria de fraque.

Anderson Passos