F1 correta demais

Leio no noticiário que estão fazendo uma grita geral – com direito a punição – ao australiano Mark Webber, por ter pego carona na Ferrari de Fernando Alonso pós Grande Prêmio de Cingapura.

Não vi a imagem tampouco o contexto em que se deu a carona, mas berra-se aos quatro ventos que houve risco de atropelamento. Bem, por mais que houvesse risco, punir só o australiano e não o ferrarista me soa estranho.

Por outra, se visse a cena, talvez eu chorasse feito guri cagado porque essas caronas me remetem de imediato ao GP da Inglaterra de 1991 quando Ayrton Senna ficou pelo caminho e Nigel Mansell, a bordo de uma Williams que já voava, deu carona ao brasileiro, com direito a tapinhas entusiasmados de Senna no capacete do inglês.

Sim, às vezes eu começo a achar que o politicamente correto já deu no saco. E que ele não devia pautar a F1 e nenhum outro esporte.

Anderson Passos

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Fórmula Vettel

Há quem diga que a Fórmula 1 perdeu a graça e que corre o risco de voltar aos modorrentos anos da era Michael Schumacher, campeão mundial por sete vezes.

Um amigo meu, por exemplo, soltou em altos brados no Facebook algo como “chega de Adrian Newey”, o projetista do mais robusto monoposto das últimas três temporadas, a Red Bull.

Esse mesmo camarada teorizou que se pilotasse outro carro Vettel não faria metade do que tem feito. Para este humilde escriba, há erros e acertos nesse apontamento.

É incontestável que Newey projeto o carro perfeito, mas subestimar Vettel é um tanto demais tendo em vista que ele já venceu o GP de Monza, na Itália, a bordo de uma modesta Toro Rosso. Logo, braço e talento o menino tem, me parece.

Até admito que a F1 tem ganho ares de monotonia, inclusive com o espanhol Fernando Alonso jogando a toalha após mais uma frustração em Cingapura. Eu mesmo, a despeito de uma audiência fiel de anos e anos – mesmo após a morte do maior dos pilotos, Ayrton Senna – jamais deixei de assistir, mas não consegui ver a corrida inteira deste domingo (22/09), senão do meio para o final.

Se algo serve de consolo é que em 2014 o regulamento sofrerá mudanças radicais sob a justificativa de equilibrar a disputa. Tentou-se o mesmo com Schumacher e ele quase sempre tinha algo mais para derrotar adversários e regulamentos. Será assim com Vettel e sua Red Bull? A conferir.

Anderson Passos

Rush

Finalmente tomei vergonha na cara e pus algum no bolso para ver Rush, no Limite da Emoção. Pra quem não ligou A com B, a fita trata do campeonato de Fórmula 1 de 1976, marcado pela rivalidade entre o inglês James Hunt e o austríaco Niki Lauda.

O fanfarrão Hunt é vivido por Chris Hemsworth e, tal como seu personagem, mostra-se um tigre comemorando vitórias tendo cigarro, bebida alcóolica e alguma mulher sempre à mão. O Lauda de Daniel Brühl é irrepreensível não apenas pelo marcante sotaque austríaco de seu personagem, mas sobretudo pela forma como se entrega neste papel, mostrando um Niki Lauda como um exímio preparador de carros e tecnicamente imbatível no seu tempo.

A cena do acidente que quase matou Lauda no antigo circuito de Nurburgring, no GP da Alemanha daquele ano é assustadora e a persistência do personagem em retornar às pistas para ainda lutar pelo segundo título mundial seguido – vencera o anterior, em 1975 – são comoventes.

Ah, fosse a trilha sonora formada apenas pelo som dos motores, e nenhum reparo seria preciso. mas o diretor Ron Howard selecionou clássicos que tornaram a película ainda mais vibrante que vai de David Bowie (Fame) a Thin Lizzy (The Rocker).

Para quem gosta do tema, vale ver mais de uma vez,

Anderson Passos

Interlagos

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Jamais havia pisado no templo ou o autódromo de Interlagos. Imaginei que, quando lá chegasse, me emocionaria ao ponto de lágrimas abundantes.

Levou cinco anos para conhecer o local, mas aconteceu no final de semana que se foi. Graças ao amigo e irmão Danilo Schneider, fomos até lá para assistir provas da categoria Moto GP 1000.

Como pano de fundo, havia corridas preliminares de 250 e 600 cilindradas. O ronco dos motores podia ser percebido das ruas vizinhas quando chegávamos.

Ao longe, podia-se ver o kartódromo local lotado com as pequenas máquinas em disparada frenética.

Adquirimos um pacote que nos dava acesso aos boxes e além das máquinas, deparamos com belas ragazzas. Tanto que não resisti e as imagens aqui postadas comprovam isso.

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Para a bateria final, da GP 1000, a organização limpou os boxes e então rumamos para as proximidades da curva 1, seguida do famoso S do Senna.

Muito legal ver os pilotos muitas vezes lado a lado em busca da ultrapassagem consagradora. Com a visão estreita, acabamos migrando para as arquibancadas e assistimos à chegada da prova.

Uma pena o frio, o tempo nublado e as raras aberturas de sol. Meu próximo projeto é ver uma prova da Stock Car porque Fórmula 1 ainda é sonho.

Anderson Passos

Ativando protetores de ouvido em 3, 2, 1… (1)

Foi no agora já distante sábado (20) – ou na madrugada de sexta para sábado – o meu sono mais pacífico. E tão pacífico que perdi o treino da Fórmula 1. Acordei beirando as 9h e, ao ligar a TV, todo os pilotos completavam sua última volta lançada na disputa da pole position.

Mas o tema deste post é a falta de sono. Daí que no domingo, com o despertador do celular programado para não falhar às 9h, uma verdadeira operação da Swat se fez em torno de 8h debaixo da minha janela. Despertei com uma batida de carro e uma senhora gritando “polícia” aos quatro ventos, que trouxeram o berro da tia para dentro da minha casa. Acordei de sobressalto: o humilde Gol da mulher tinha sido atropelado por um Audi preto cujo modelo não posso distinguir.

Fato é que, como o motorista do Audi não se mexesse – ao que a mulher berrava ele tentava fugir – duas viaturas da PM se aproximaram ato contínuo, com pelo menos dois soldados com a arma em punho. Donde imaginei que ia dar uma ainda mais sonora merda dali em diante. Felizmente tiro não houve e, eram quase 9h e havia uma turba de gente acompanhando o caso que não desenrolava.

Calma, ainda não terminou…

Anderson Passos

Vettel, o rebelde

É bom que na Fórmula 1 dos dias atuais ainda existam atitudes como a do campeão Sebastian Vettel que, desobedecendo recomendações da equipe Rede Bull Racing (RBR) ultrapassou o companheiro de equipe, o australiano Mark Webber e venceu o Grande Prêmio da Malásia.

Digo isso porque principalmente os espectadores brasileiros assistiram, na era Ayrton Senna, desobediência igual, que foi um dos diferenciais a transformá-lo em piloto número 1 por onde passou.

Depois de Senna, viu-se Rubens Barrichello dar passagem a Schumacher, Felipe Massa abrindo caminho para Fernando Alonso e assim o resultado só podia ser um: a representação brasileira na categoria limitar-se a um único piloto.

Felizes os alemães que podem contar com um jovem tricampeão do mundo mobilizado a ignorar contratos milionários, ordens estúpidas e, ainda por cima, dando espetáculo de perícia e arrojo. Se minto ou estou equivocado, uma única comparação me dará um pouco mais de razão: basta lembrarem quantos alemães e quantos brasileiros estão no grid da categoria. Covardia não?

Anderson Passos

Meu primeiro Senna

No final de semana que se foi, eu e o amigão Danilo Schneider, fizemos uma tour por lojas de miniaturas, nossas paixões.

Eis que, saindo de uma loja nababesca da Rua Augusta, como eu me queixasse que não tinha nenhum item da Fórmula 1 em miniatura e meu plano audacioso de ter todas as réplicas de carros dirigidos por Ayrton Senna na categoria, Danilo perguntou se eu não estaria interessado numa estátua do Senna que ele adquirira.

Então ele me sapecou o preço, que achei razoável e eu disse:

– Compro.

Dei o sinal e fomos à casa dele, que revelou-me que sua digníssima ficaria agradecida a mim. Mais tarde, isso aconteceu de fato. Argumento dela: a estátua do Senna, de uns 18 centímetros, não combinava com a decoração da casa, que mantinha algumas peças relacionadas a heróis da mitologia grega.

Não adiantou nem eu nem Danilo argumentarmos que Senna era um herói brasileiro ou coisa que o valha. E agora a estátua repousa cintilante no meu rack. E só posso agradecer ao Danilão e à Vanessa por isso.

Anderson Passos