Visitas

Recentemente o meu bruxíssimo Gabriel Izidoro apareceu finalmente em São Paulo. A trabalho, é verdade, mas é um progresso pois que eu já perdera a conta de quantas vezes o convidara para dar uma passada por aqui.

Diante da queda de temperatura recente, fiz ver ao Izidoro que aquilo ali já era frio para muito paulistano, ao que ele deu risadas. Passamos em frente ao Bar Brahma na esquina que Caetano cantou e o homem fez fotos. Noturnas, mas fotos.

Voltando ao frio, nunca esqueço de uma vez que ainda morando no sul, fui à casa dele na gélida Caxias do Sul. Ele recebeu-me de polainas, short e camiseta. Fazia zero grau. Horror.

Paramos num boteco, onde pedintes pareciam se multiplicar, sem poder se aproximar de nós dada a ação de um segurança man in black. Ele relatou seus projetos de assessoria que o livraram da estressante vida formal num grande grupo de comunicação gaúcho. Eu lhe contei de Sampa, de suas dificuldades, de como a mistura CQC, Pânico na TV em coletivas de imprensa pode ser uma merda.

Por fim, o grande amigo do peito conheceu meu barraco, pirou nos bonecos, nos livros e lamentou pelas travecas – que ficam na parte de baixo do prédio – que não apareceram sob a janela pois que estavam exercendo atividades pecaminosas com homens casados tão pecadores quanto.

Valeu a visita e volta sempre, índio velho!!!

Anderson Passos

Facebook (1)

Ingressei na tal rede social, muito contrariado. No passado eu tinha conta no Orkut e a desativei por conta de alguns dissabores.

Retomando com ferramentas sociais, evidente que abutres apareceram e os bloqueei de véspera. A coisa que mais surpreendeu foram imagens do passado que eu, honestamente, desconhecia.

A primeira, posta por Gabriela Prestes, remete a tempos felizes na Unisinos FM. Não, embora pareça, eu não dormia atrás do computador.

Que tempo bom que não volta nunca mais…

A imagem exibe ainda Ana Maria Acker (redatora), Patrícia Weber (editora), Aline Marques (redatora) e Gabriel Izidoro (locutor e pai de karaokês espetaculares).

Anderson Passos

O novo Chico

Ousado, meu irmão mais velho vaticinou que Chico Buarque nada mais fez de marcante pela música brasileira desde Construção. Como se vê, a opinião é sujeita a polêmicas e meu irmão teria como companheiro de crítica o Juremir Machado da Silva e um ou outro gato pingado.

A primeira menção ao Chico que fiz, conta meu pai, se deu quando da minha janela, no bairro Partenon, em Porto Alegre, eu via a torre da Igreja de São Jorge, e tentei cantar O Que Será. Tinha menos de cinco anos, seguramente. Pois que lembro da cena, mas não precisamente da idade.

Anos mais tarde, lá nos nossos fantásticos jogos de botão na casa do Daniel de Mendonça, grande amigo gênio do Direito e das letras, me falou da genialidade da letra de Meu Guri, citando que o escrito, por si só, cabia como uma luva na descrição de um amigo nosso comum. Burramente, naquele tempo, eu achava Renato Russo e o rock brazuca das coisas melhores que se podia ouvir. Ouvido medíocre o meu.

Então os anos foram passando e, chegando à 103.3, frequência da Unisinos FM, encontrei mestre Torino, Patrícia Weber, Gabriel Izidoro, Douglas Lunardi e o poeta Alessandro Varela, este com uma visão única da obra do grande Chico. Luz tamanha que me varou e me convenceu de quão burro eu era até ali.

E a minha consagração foi levar o poetinha ao show do poeta maior no Teatro do Sesi, em Porto Alegre, com direito a Luiz Fernando Veríssimo a nos ladear na plateia. Choro de leve de saudade do meu irmão poeta por agora.

Escrevo escrevo e nada digo. Alegria, chegou novo Chico, que ouço encantado num site especialmente criado para recebê-lo. E a dizer da faixa Querido Diário – que ouço sem parar, vendo filmes na cabeça passando, com saudades de todos que um dia foram meus – digo que o grande Chico vem para os braços do povo não sem tempo.

Anderson Passos

Trilhas matadoras (5)

Esse é outro caso de faixa que eu sempre ouvi, sabia o nome do intérprete, mas jamais soube o nome da faixa. Felizmente existe esse milagre que é o Youtube para nos atualizar.

Essa faixa, aliás, foi alvo de uma sandice minha e do meu irmão Gabriel Izidoro. O caso é que apresentávamos o programa de cinema de uma emissora de rádio no sul e o Izidoro redescobriu a faixa. Donde eu disse para colocarmos no programa ainda que ela nunca tenha sido trilha de qualquer filme, ao menos que eu e o meu colega soubéssemos.

Eis que inventamos que a faixa era bônus da trilha sonora de algum blockbuster americano e emplacamos a dita. E ninguém ouviu ou prestou atenção e a vida segue.

Aqui vai ela.

Anderson Passos

Unisinos FM (8)

A chance do Homem Mau voltar à cena disfarçado veio quando fui convidado a co-apresentar e produzir o Moviola, em seguida ao falecimento do Bad Man. O meu nome foi sugerido ao mestre Torino pelo grande amigo Zé Fernando Cardoso.

Ocorre que, logo que cheguei à rádio, eu ajudava a ele e à Márcia Ganzer – titulares do programa – com contatos de pessoas do mundo do cinema gaúcho ou brasileiro ou sugeria pautas – o que não era muita coisa – e acho que isso gerou empatia.

O estágio da Márcia se encerrou enquanto mais ou menos começava. Então o Zé Fernando procurou o mestre Torino e sugeriu meu nome para ajudá-lo, sem que eu fizesse absolutamente nada que me habilita-se a tanto, penso hoje.

Claro que topei o desafio e eu e o Zé fizemos grandes entrevistas com as musas Marina Person, Carla Camuratti e, de repente, passado algum tempo, ele (o Zé) achou que tinha que ter uma nova faixa musical na programação: o Superbacana.

O Zé Fernando então deixou o “Mariola” e eu apressei a inclusão do homem mau Gabriel Izidoro e, mais tarde, do repórter cultural Alessandro Varela para me ajudar no programa de cinema da 103,3.

E o melhor do Mariola renovado, Bad Man, não foi ao ar. Primeiro porque se diziam barbaridades e, segundo, porque o Torino um dia invadiu o estúdio enquanto gravávamos o programa e cravou:

– Tem conversa demais e música de menos.

E assim, o Varela, que contava até o final dos filmes, acabou tendo de deixar o projeto dedicando-se a coberturas especiais, como Feiras do Livro, pré-estreias, livros, entre outros.

Uma memória linda do Moviola vem da Feira do Livro de 2003, quando transmitimos o mesmo ao vivo da Praça da Anfândega. Fizemos eu, Varela e Izidoro um programa que, humildemente, considero vigoroso, letárgico, no bom sentido.

Tínhamos conosco o crítico de cinema Heitor Goidanich, o Goida, como convidado. À época, ele lançava um livro sobre os filmes que mais o impressionaram numa trajetória de anos. E o resultado foi uma aula da Sétima arte. O autógrafo no exemplar que deixou de presente dá muito orgulho pois que dizia que nunca concedera uma entrevista tão indolor.

A rádio Unisinos FM ainda proporcionou aulas de companheirismo inigualáveis. Conto mais no próximo post.

Anderson Passos

Unisinos FM (5)

Estávamos às portas da Feira do Livro de Porto Alegre de 2001 e fui apresentado ao genial Alessandro Varela, que seria meu repórter naquela cobertura inaugural.

Programação extensa, alguns grandes escritores, obras essenciais, sessões de autógrafos e a nossa primeira missão era delegar quem e que eventos seriam nossa prioridade.

O clima começou tenso, mas os palavrões e o meu fingido mau humor aliado à sem igual inteligência do meu irmão Varela antecipava que aquele trabalho seria um sucesso.

E, passada a tentativa do programador Flávio Bernardi de derrubar as iniciativas dos estudantes em prol da música programada – e mal – por ele, nos saímos bem.

E, na Feira, ao fazer contato com o locutor e grande irmão Gabriel Izidoro, soube da existência de um projeto intitulado Programa do Terrível Homem Mau.

A primeira edição fora transmitida em meio àquela Feira do Livro e, diante do fato de que eu imitava algumas personalidades locais e de que já estava adaptado à produção radiofônica, logo fui chamado à me unie à equipe que tinha ainda Douglas Lunardi, Neemias Freitas e Euclides Bitelo. Foi, talvez – quem sabe – o primeiro e único programa de humor da emissora.

No próximo post lembrarei essa fase.

Anderson Passos