Profetas do caos

Acompanhei os protestos da quarta-feira (14) em São Paulo, em especial os que ocorreram na região central da cidade, e algumas preocupações significativas me colheram.

A primeira foi que entre os manifestantes surgiu uma turba de mascarados – a ampla maioria – e outra sem máscaras, mas devidamente entorpecidas, que burramente restringiram o trabalho da imprensa sob a justificativa de que a mídia é fascista.

Cumpre dizer que esse grupo sustenta bandeiras rubro negras anarquistas. Donde a pergunta que me assolou foi exatamente esta: se a mídia é fascista – e acho que a crítica cabe em algum momento à manipulação patrocinada pelos donos das empresas e não a quem está tentando trabalhar – o que serão estes elementos? Eu mesmo respondo: são intolerantes, vândalos, profetas do caos.

Outro ponto foi o emprego de balas de borracha contra manifestantes na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. A polícia nega o uso deste equipamento. O governo do estado silencia. E quem se machucou, bem, esses não importam.

Os novos protestos agora são direcionados ao governador Geraldo Alckmin. Além dessa minoria caótica, estão por trás da iniciativas partidos de oposição ao governo como PT, Psol e o nanico PCO. O objetivo inicial é instalar uma CPI na Assembleia Legislativa para investigar o caso Siemens. O outro, subliminar e não menos importante, é tirar o PSDB do Palácio dos Bandeirantes – sede do governo paulista. Ao silenciar, Alckmin acusa o golpe.

Anderson Passos

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Previsão do tempo para Alckmin

O escândalo de suborno denunciado há duas semanas pela revista Isto É – e que curiosamente não ganhou vulto algum na imprensa – pode se tornar o “fio desencapado” – expressão tucana de Fernando Henrique Cardoso – a assombrar o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que concorre à reeleição no ano que vem.

Segundo a publicação, a Siemens, que foi alijada da concorrência, denunciou que não apenas ela, como as outras empresas, fizeram vultosos pagamentos a autoridades do governo estadual para vencerem as concorrências do setor.

Se agora, grupos pequenos de 300 pessoas, incluindo aí uns vândalos que depredam bancos e comércios, protagonizam lances isolados pela cidade, no próximo dia 14 de agosto não apenas o Psol como também o temido Movimento Passe Livre (MPL) deve se juntar aos protestos – e certamente engrossá-los, não se sabe ainda com qual impacto.

O fato é que nuvens negras voltam a assombrar o Palácio dos Bandeirantes – sede do governo paulista – e dessa vez os radares só sinalizam quando elas chegarão e não quando irão embora.

A conferir.

Anderson Passos

Polícia em ação (1)

Ainda enquanto estudante de jornalismo tive contato com o livro Rota 66 e o subtítulo era assustador: a polícia que mata. Depois me formei e, há cinco anos em São Paulo, ouvia falar dessa mesma polícia. De seus atos heróicos, mas também por seus atos nas sombras, com execuções nas periferias.

Donde, quando nesta quinta-feira (13) minha editora-chefe cravou que eu tinha que abandonar a votação sobre novas regras para a criação de partidos pelo Supremo Tribunal Federal e ouvir os manifestantes pela redução da tarifa de transporte público na região central, não escondi – como não escondo ainda – a minha revolta.

Primeiro porque eu era contra o vandalismo, sobretudo e achava que tais atos só tiravam a legitimidade do movimento, cujo pleito de reduzir a tarifa sempre me pareceu razoável. Por outra, dadas as recentes manifestações do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Fernando Haddad, eu imaginava que os policiais, quais fossem sua força, não receberiam o movimento com flores. E sim, eu temi pela minha segurança física e cravei ao meu editor:

– Se eu me machucar, não procuro socorro. Volto aqui e espirro sangue na cara da manda-chuva.

Mas nem o meu mais ingênuo pessimismo podia prever o que vi.

Anderson Passos,/b>

Campanha do agasalho

De repente, eis que ouve-se da filha do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que a jovem doou para a campanha do agasalho paulista uma bolsa da Prada.

E eu me pergunto: primeiro se a doação foi real. Segundo, se a doação chegou ao seu destino e não caiu na mão de atravessadores ou caçadores de pequenas recompensas.

Ou, pior possibilidade, e rebobinando um pouco a fita: até que ponto uma bolsa de marca é capaz de agasalhar alguém?

Anderson Passos

O PSDB tem medo

O governo de São Paulo é tido pelos tucanos como uma de suas mais imponentes fortalezas ante o cada vez mais próximo predomínio do PT e de seus aliados pelo País. Tucanos não são necessariamente humildes – claro, há exceções – e na noite desta segunda-feira (28/01) testemunhei o apelo de um serrista ferrenho ao governo Geraldo Alckmin.

“Temos que defender o governo Geraldo Alckmin com todas as nossas forças”, disparou o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) lembrando que, no caso da polêmica internação compulsória de dependentes químicos, patrocinada pelo governo do estado, o PT e seus aliados têm disparados farpas dia após dia contra Alckmin.

Para este escriba, nada mais surpreendente do que um tucano de alto garbo admitir o perigo petista. Que roça a cadeira do governador com um desejo poucas vezes visto.

Anderson Passos

Ainda a violência – e alguma política

Outro dia um colunista da Folha de S.Paulo, Gilberto Dimenstein, abriu sua coluna com um título provocativo: “O governo Alckmin acabou”. No texto, ele se referia à onda de violência que assola São Paulo e advertia que, se providência nenhuma fosse tomada, o governo tucano sofreria um sério abalo.

Daí que lendo os comentários, o que havia de defensores do carismático governador de São Paulo não estava no gibi. Houve quem xingasse o colunista, até. E, sim, o chamaram de petista.

O fato é que os paulistanos têm verdadeiro horror de que sejam retomados, a partir dos presídios, os ataques do PCC verificados em 2006. Não é para tanto, aparentemente. Investigações preliminares indicam que a morte de policiais em curso têm ocorrido porque o PCC está trocando as dívidas dos seus filiados por cadáveres de policiais. Dívidas essas que, em alguns casos, chegam a R$ 10 mil. Não devia, mas ainda me surpreendo com a organização desses pestes.

Outro ponto, me parece, é que passados 20 anos do Massacre do Carandiru, que matou oficialmente 111 presos, a opinião pública conservadora da Pauliceia cobra uma reedição daqueles eventos sob o pretexto de calar o PCC definitivamente.

Geraldo Alckmin, como esperado, tem medido palavras e ações. Aceitou, inclusive, ajuda federal para tentar superar o problema. Verdade que dinheiro algum foi disponibilizado, se não ofertas para que os comandantes do PCC sejam transferidos para presídios federais, operação em andamento. Com esse gesto, o tucano abre um flanco para o PT no Palácio dos Bandeirantes – sede do governo estadual – e, se tudo der certo, poderá conferir aos petistas um certo crédito na disputa à sucessão de Alckmin em 2014. Alexandre Padilha, o ministro da Saúde que percorreu o estado nas últimas eleições municipais, poderá ser o nome novo do PT para a disputa.

O diabo é que até aqui vem dando errado para os dois lados – o tucano e o petista – vide a declaração de uma mãe à mesma Folha de S.Paulo, que perdeu um filho na onda de assassinatos, e que cobrou tanto da presidente Dilma Rousseff e do governador de São Paulo uma providência mais dura. E ela está mais do que certa.

Anderson Passos

Guardiã

Dia desses reencontrei a Fernanda Poli, repórter competente da Rádio 2, uma agência de notícias com bastante penetração em São Paulo e fora daqui. Eu e a brava repórter nos conhecemos na campanha de 2010 acompanhando as idas e vindas do então candidato ao governo Geraldo Alckmin.

Pois contei a ela o meu caso de Parkinson e a bela, compreensiva e generosa, ofereceu-se para ficar com o meu gravador na hora da coletiva a ser concedida pelo pré-candidato tucano à prefeitura de São Paulo, José Serra.

Foi minha sorte tê-la por perto pois que, ao começo da entrevista, meu corpo todo vibrava em tremores, que certamente me atingiram desde as pernas à minha própria face.

Claro que os demais colegas repararam – os tremores eram por demais evidentes – e talvez o próprio Serra, mas este respondeu com muito tato à pergunta que eu tentara fazer. E só o fiz porque a Fernandinha e sua ajuda foram decisivos.

A ela, portanto, o meu obrigado mais do que entusiasmado. E, espero, não tão trêmulo.

Anderson Passos