Marina Silva

Não sei o que dizer da Marina Silva enquanto ser político. Aqui me refiro a projetos apresentados pela ex-senadora.

Se ela fez algo de marcante foi justamente o de propor a agenda ambiental, que definitivamente entrou na pauta dos governantes depois que ela captou quase 20 milhões de votos em 2010.

No último final de semana, ela deu os primeiros passos para a fundação de um novo partido, a Rede, com conteúdo programático provavelmente focado na sustentabilidade ambiental e social.

Em meio a uma cerimônia que variou entre o hippie e o evangelismo messiânico, Marina afirmou que seu partido não será de esquerda ou de direita e sim de frente. Foi meio impossível não ter um deja vu quando da fundação do PSD, pelo ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que afirmou que sua sigla não seria de esquerda, de centro ou de direita.

Ao contrário da legenda de Kassab, há cautela por parte dos parlamentares já eleitos em aderir ao novo projeto. Acreditam que, mesmo com o suporte de redes sociais, Marina não conseguirá as 500 mil assinaturas em nove estados necessárias à nova agremiação.

DEM e PPS, que decidiram por deixar o guarda chuva tucano, e até o socialista Eduardo Campos (PSB-PE) aguardam os próximos movimentos da ex-ministra do Meio Ambiente. E fica a pergunta: quem serão as caras da tal terceira via nas eleições presidenciais em 2014? Façam suas apostas.

Anderson Passos

Virada Cultural

A prefeitura de São Paulo acha uma maravilha. O José Serra e o Gilberto Kassab acham mais do que uma maravilha e enchem a boca para elogiar o projeto.

Mas tudo que é bom pode ter o seu lado ruim. Quem, como eu, fica a madrugada em claro a cada ano graças à Virada Cultural que ocorre na região central de São Paulo, reza para, a cada edição, o palco ficar o mais longe possível de nossas casas e ouvidos.

Por que? Assistam o vídeo abaixo e terão a resposta.

Anderson Passos

Outro ângulo de São Paulo (1)

Já disse aqui que, por conta do Parkinson, estou tendo de controlar a dieta, uma vez que meu colesterol e minha glicemia alcançaram índices assustadores. Mas vamos ao título.

Ocorre que no domingo que se foi (25/3), mudei a rota da minha caminhada diária. Ao invés de fazer o trajeto Consolação-Angélica – e vice-versa – resolvi caminhar no chamado Elevado Minhocão, bem próximo aqui de casa.

Durante a semana a via, construída na gestão Paulo Maluf na prefeitura, liga as zonas leste e oeste da cidade. Aos domingos, a via é fechada para que a população use o espaço para caminhar, passear com os filhos, com os cachorros, enfim.

Há quem defenda, de muito, a demolição do lugar. O prefeito Gilberto Kassab, recentemente, disse que tinha esse objetivo e chegou a anunciar o esboço de um plano para a derrubada. Por hora, subiu no telhado a ideia, ao que parece.

Até andar por lá eu estava de acordo com a ideia de varrer o Minhocão do lugar principalmente pelo fato de que a privacidade de quem mora nos prédios vizinhos ao lugar fica bem prejudicada na ausência de cortinas de tecido mais espesso. A poluição também é outro fator que não pode ser esquecido.

Mas meu chefe Henrique Veltman ponderou, inclusive na Rádio CBN, sobre outro ponto igualmente fundamental. Derrubar e colocar o quê no lugar? A cidade oferece alternativas para ligar as zonas leste e oeste da cidade?

Enquanto o governo municipal não oferecer essa alternativa, fico com a tese do Veltman. Explico o porquê no próximo post.

Anderson Passos

A volta dos que não foram

A frase irônica acima foi dita por um petista, se não me engano o próprio Fernando Haddad. Não sou petista. Sou jornalista, mas penso que odito acima se encaixa com perfeição à manobra do PSDB paulista para ter José Serra entre os pré-candidatos à prévia da legenda, que escolherá o candidato tucano à cadeira hoje ocupada por Gilberto Kassab.

Serra, que sonha ser presidente em 2014, deixa de lado o projeto para tentar retornar à prefeitura de São Paulo, herdada dele mesmo pelo “agora aliado novamente” Kassab.

O ex-governador só entrou na disputa pois que pressionado por todos os lados pelo tucanato que, antes de sua decisão, se via apreensivo com a migração de Kassab para o suposto (ou não) “lado negro da força”, do PT.

Não há dúvida que Serra será aclamado nas prévias e por isso o trato como candidato. Seu desafio será, se eleito, manter-se no cargo até o final do mandato. Eleito prefeito da capital paulista em 2004, o tucano deixou o cargo no ano seguinte – mesmo tendo se comprometido e não fazê-lo – e elegeu-se governador em 2006.

A decisão de Serra traz como consequência uma evidência ainda maior do nome de Aécio Neves para a disputa presidencial em 2014. Resta saber se Serra, se eleito em São Paulo, terá disposição para duas batalhas: deixar a prefeitura sem prejuízos à sua imagem e bater de frente com o senador mineiro como o nome mais viável da oposição para a disputa ao Planalto.

Anderson Passos

Um centro triste

Viajar é uma coisa rara que faço. O mar, por exemplo, não vejo há uns dois ou três anos. O que realmente não deixo de fazer uma vez por ano, com ou sem dinheiro, é ver minha mama no sul.

No entanto, projetar essas saídas de casa estão cada vez mais difíceis. Se não sabem ainda, moro no centro de São Paulo onde, ao menos ao longo desse mês, nós moradores viveremos numa mega cracolândia pois que a polícia resolveu que os centenas de doentes do crack que se concentram nas proximidades da Sala São Paulo devem dispersar.

Para quem não é de São Paulo, o lugar acolhe concertos de música clássica e, ao que parece, o público anda receoso de passar por lá e dar de cara com a suprema miséria.

Nem Alckmin (o governador de São Paulo), nem Gilberto Kassab (o prefeito da cidade) se dignaram a dar uma resposta razoável à pergunta óbvia:

– O senhor sabia da operação ou não?

Ambos negaram com uma veemência que me fez corar.

Volto a dispersão do crack. Os viciados parecem informados, mais até do que muito jornalista. Ironicamente, alguns deles podem ser vistos no chique bairro de Higienópolis, o mesmo onde alguns moradores, há alguns meses, protestaram contra a chegada de uma estação do metrô pois que o meio de transporte traria ao bairro pessoas indesejáveis como camelôs, pobres em geral e etc.

Mais ainda: o noticiário informa que, com a dispersão causada pela operação policial, o centro e adjacências agora pode conviver com vários grupos de viciados perambulando pelas ruas.

Aqui em frente de casa flagrei um doente que conversava com sua própria imagem distorcida refletida no para brisa de um carro.

Dito tudo isso o leitor dirá que sou contra a operação policial. Não sou de todo contrário, afinal prisões foram feitas e traficante bom ou deve estar preso ou morto.

O diabo é que a maioria dessa gente toda não é traficante e sim consumidora. E, por isso mesmo, deveriam ser levados prioritariamente a centros de reabilitação e não abandonados, migrando de bairro em bairro sem que o cerne do problema seja resolvido: a recuperação de seres humanos.

O mais bestial de tudo é que a tal operação da PM tem dia e hora para acabar: vai perdurar apenas durante o mês de janeiro. Assim, os traficantes e os doentes poderão comemorar o carnaval de volta ao seu habitat, aparentemente natural.

Triste e deprimente…

Anderson Passos

Diálogos de “gente diferenciada”

No começo da semana eu caminhava no coração do bairro de Higienópolis, na avenida de mesmo nome mais precisamente, quando me deparei com uma senhora vindo a pé em sentido contrário.

De repente, a mesma cidadã avança sobre uma faixa de segurança e uma outra senhora, a bordo de uma camionete importada, resolveu fazer o mesmo trajeto da pedestre.

Então, diante do quase atropelamento, deu-se ‘o mais cálido dos diálogos”.

– Olha a faixa de segurança, assassina!!! – exclamou a pedestre para meu espanto quase infantil.

Saí de perto levemente ultrajado. O que seria de mim se escarrasse no chão em frente à julgadora: quem sabe um porco, um canalha, um vagabundo…

Mais tarde, já no evento onde me encontrava a trabalho, como uma repórter falasse a boca pequena com seu editor ávido por notícias, durante uma sabatina com o prefeito Gilberto Kassab, um senhor ergueu-se da cadeira e advertiu a mocinha de que queria ver a palestra sem importunações.

São histórias que, espero, sejam parte de uma exceção, um recorte mínimo dos moradores da região que outro dia rejeitou a ideia de contar com uma estação de metrô nas proximidades.

Anderson Passos

Excluídos da Sala São Paulo

Nessa semana, o jornal Folha de S.Paulo comemorou 90 anos e deu uma festa recheada de autoridades na Sala São Paulo, que eu não sei se chamo de teatro pois que enorme e coladinho à Estação da Luz.

Ainda que munido por um celular que me permitiria fazer fotos, eu estava a trabalho e, assim, mantive a compostura. Até, claro, descobrir que somente os profissionais do jornal aniversariante teriam um acesso mais privilegiado às autoridades.

O único luxo dos não-Folha foi contemplar, depois de muito bate-boca, o discurso do prefeito Gilberto Kassab (o finalzinho da fala na verdade), o breve tributo do governador Geraldo Alckmin e, finalmente, a fala da presidente Dilma Rousseff. Tudo visto de um camarote quase vazio distante do palco.

O que salvou a noite foram os dois copos de refrigerante e duas trufas estupendas ali servidas, além de um livro em capa dura com as principais capas do periódico ao longo de seus 90 anos.

Anderson Passos