Canção para Helena (Helena é mil)

É Helena que vem
É minha sobrinha vindo logo ali
Vem pra deixar tudo perfeito
Vem do campo dos sonhos
Para iluminar o caminho

É Helena que vem no verão
Na abertura de 2014
Que Copa do Mundo, o quê?
O acontecimento do ano será o desembarque de Helena no mundo.

Helena, não de Tróia
Mas igualmente no trono
Das mais belas e mais queridas

Virá Helena ruiva como Marina Diana?
Ou morena como o Ferdinando?
Terá a pele alva da mãe?
Ou a mais escura do pai?
É um detalhe que o futuro vai descortinar
E deixar com os nervos em pandarecos os mais ansiosos

Que venha saudável
Que não faltará colo nem carinho nem entusiasmo
Nem companhia
Que o digam Heitor, agora irmão mais velho sem ser velho
E a mascote Rebecca, que terá trabalho dobrado.

Helena é mil
Igual ao número de textos publicados neste blog
Fica aqui o meu leve tributo às famílias Diana e Silva
E aos leitores que ainda insistem em frequentar esta ilha

Anderson Passos

Il primo anno

Mais uma vez tenho o sono tomado de assalto pelo funk alto, pelos gritos dos travestis tão altos quanto lá fora. Pela cidade respirando com artérias povoadas de bêbados trôpegos, fumantes – quase sempre mal acompanhados – e dos primeiros ônibus, carros e motos que começam a ganhar velocidade rumo a sabe-se onde.

Sim, acordo mais cedo um tanto por isso, Mas eles que não se supervalorizem, que o sono interrompido dessa vez tem bom motivo: o meu sobrinho Heitor.

Há exatamente um ano o levado chegava ao mundo para encantamento da Marina Diana, do Luiz Fernando Silva, dos avós, dos tios e desse gaúcho aqui. E digo levado porque o sorriso dele – agora com dois dentinhos mínimos na gengiva inferior – ao mesmo tempo em que encanta, pode antever as pirraças que ele vai protagonizar.

Heitor Diana Silva vende saúde e riso pra quem quiser. Vende não: doa, que ele é generosíssimo na matéria. Não há tristeza que não se debele quando o pequeno estende os braços e pede colo.

Ou quando anda trôpego – tal qual este tio embebido em álcool – enquanto o que o aflige são seus mais de 10 quilos, massa que ele tenta equilibrar e quem assiste torce comovido e risonho.

Tem tempo que não o vejo, mas não me saem dos ouvidos suas gargalhadas e gritos. Se está dizendo ou balbuciando algo novo, o domingo vindouro das comemorações dirá.

O que posso afirmar sem exagero é que ele já se credencia para o estrelato pois que, artista, Heitor é capaz de simular tosses, só para chamar mais a atenção. E claro que consegue.

O pequeno, no entanto, em janeiro, terá que dividir o trono. Afinal, cabe ao mais velho proteger o mais novo ou mais nova. Mas, a dizer de vê-lo em sua interação curiosa e encantadora com a mascote Rebecca, muito mais sorrisos, gargalhadas e companheirismo virão por aí.

Amém.

Anderson Passos

Sobrinhos

Não sei vocês, mas sou um tio babão. E reconhecidamente – e infelizmente pelo lavoro e pela vida que cobram seu preço diário – nem tão presente.

Mas, fato é que dias atrás fui ver meu sobrinho Heitor e só tive surpresas: o danado, que dia 2 de junho completa apenas dez meses, já engatinha como se braços e pernas fervilhassem. E, sozinho, posta-se de pé nos seus mais de dez quilos e ameaça andar.

Como a mãe e o pai, meu sobrinho sorri fácil, generoso. Mas não queiram irritá-lo, que ele fica manhoso. Exemplo é que quando a passada de pernas tortas de um gênio Mané Garrincha não vem, ele hesita, chora, para disparar uma gargalhada surpreendente a quem não o conhece logo a seguir.

Riso fácil, aliás, é com ele mesmo. Chamá-lo para dançar em sua passada cambaleante e envolvente o fazem gritar e se sacudir todo. Já mandei carta ao Jacaré, de É o Tchan, comunicando que ele já perdera o posto, tanto remelexe – esse verbo existe? – o meu sobrinho Heitor.

Mas o que me arrebatou mesmo foi ele imitando o que chamei de “motor de fusca” ao pressionar os lábios com o ar. Movimento que, claro, ele aprendeu em voo solo. E o “fusquetinha” do meu sobrinho faz um barulho tão delicioso, que ora vem grave e migra para o agudo, quanto mais longo o respiro do moleque.

Heitor também gosta de jogatina e não deixa o pai enfrentar o tio por igual no videogame. Apanha o controle e permite que o tio vença as partidas. Como todo homem da casa, já pega o controle da TV para chamar de seu. E pobre da chave do carro quando ele estiver mais crescido.

Meu sobrinho ‘inda não fala, mas certamente as palavras que o cercam daqui a pouco virão num brotar infinito. Por enquanto elas – as palavras –tomam o tio de assalto e, em plena madrugada, o fazem escrever orgulhoso do grande, pesado, possante e comilão Heitor.

Mas tudo é festa, que chega de agonia. Não bastasse tudo isso, o Heitor já está ficando velho pois que vem outro (a), para delírio de todos. A bela Helena ou o belo Roger – a mãe desta feita frisa, e o blogueiro acata, que o nome masculino não muda – chegará ao mundo com Heitor já dançando valsa, já cantando parabéns e batendo palmas.

Que abençoado (a) sejam todos. Por aqui, eu babo dobrado.

Anderson Passos

Vingadores aí vamos nós

No último final de semana virei o Incrível Hulk. Não, não tomei anabolizantes nem fiquei bombado do dia para a noite. Ocorre que foi aniversário do meu sobrinho Guilherme Diana e, como o pequeno, de agora recém completados sete anos, é maluco pelos Vingadores, eu e outros tios, além do pai dele – Orlando Diana Jr – nos trajamos como os heróis.

Sim, me pintaram o rosto e as mãos. A tinta parecia não secar nunca, o que me apavorava. Cheguei a ter pesadelos na noite anterior entrevistando o José Serra pintado de verde.

Escalamos três vilões para acabar com a festinha. Eles entraram, a bruxa Vanessa perguntou às crianças se elas estavam com medo – chegou a ouvir não de alguns pequenos – e lá foram os heróis Thor (Orlandinho), Homem de Ferro (Ferdinando), Capitão América (Danilo) e este Hulk botar os mal-feitores para correr. Os olhos de Guilherme brilharam como poucas vezes vi. Era a reação que nos importava.

Tirar a tinta de todo foi desafiador. Depois de um banho demorado, que salvou a lavoura relativamente, o acabamento se deu pela via de lenços umidecidos doados pelo pequenino Heitor Diana Silva e sua mãe Marina Diana.

Já avisei que da próxima, estou fora desse negócio de maquiagem. Mas claro, se a tigrada tiver de sair para arrancar um sorriso dos meus sobrinhos, essa reação será nada mais do que folclore como “teatro do Tio Gaúcho”.

Anderson Passos

Dia das Crianças (o sorriso de Heitor)

Surpreendentemente consegui folgar no feriado e, assim, no Dia das Crianças, combinei com os amigos Danilo e Vanessa uma carona para Cotia e participei de um almoço pelo Dias das Crianças oferecido pela Marina Diana.

E claro que, de forma revezada, todas as atenções se voltaram para o Heitor Diana Silva, meu sobrinho, filho da Marina e do meu caro irmão Ferdinando. Cada vez que o pequeno disparava uma “carga” nas fraldas, era uma correria para ver quem daria banho ou limparia o moleque.

Em dado momento, o banho do Heitor mais parecia um harém tal qual a abundância de mulheres a banhá-lo e paparicá-lo. E diz-se que, além de sorrir, o pequeno, vivíssimo, piscava para elas como a dizer:

– Traz essa mãozinha aqui ó, meu bem…

De tão emocionado que estava com os olhos vivíssimos do pequeno, não ousei apanhá-lo no colo. Até que em dado momento, a avó materna Dona Walkyria e a mãe Marina suspeitaram de nova “carga” nas fraldas. Feita a conferência, o pequeno só fizera um modesto xixizinho, mas subimos para trocá-lo.

Enquanto a mãe separava as fraldas novas e a vó o despia, eu conversava amenidades com ele como “vamos dar um nó pra parar de fazer xixi” e eu era capaz de ouvir o Heitor, braços erguidos, caras e bocas ansiosas por falar, dizendo “não, titio!”

Até que ele, para este escriba até então, risonho apenas em fotos, abriu o sorriso mais lindo do mundo e catedrais de semanas tensas e fartas de cansaço se dissolveram dentro de mim como a virar pó numa implosão. Sim, amigos, o singelo sorriso de uma criança pode pacificar a humanidade. Ao menos para este abestalhado cronista, a cena traduziu o melhor dos bálsamos do final de semana prolongado.

Anderson Passos

Eu vi o meu sobrinho

Eu vi o meu sobrinho,
Em cores de criança e ao vivo.
E, por quase todo o tempo,
ele dormiu inocente e sereno.

Eu vi Heitor
E, curioso, eu me perguntava:
Qual a cor emblemática daqueles olhinhos?
E, num choro desperto, que também me era inédito,
Eis que aqueles olhos negros me sorriram.

E, embalado pela mãe, avós, tios, futuros padrinhos, ele se revezava
Em busca do soninho que a fome lhe teimava em furtar.

Mas, antes que Heitor voltasse aos braços do sono,
Lá fui eu conferir aqueles olhos
E, ao ouvir a voz estranha desse Tio Gaúcho
Os olhos que se entregavam, arregalaram outra vez

Os mesmos olhos que agora me sorriem em fotos
Os mesmos braços erguidos como a reger uma orquestra
Maestro Heitor
Obrigado, sobrinho dos sonhos

Anderson Passos

Viva La Forza De La Vita!!!!

Eis que meu sono se resume a pouco mais de três horas. A razão, como a de outrora, é plenamente feliz e justificada: chegou Heitor Diana Silva, o herdeiro da onipresente Marina Diana e do meu irmão Ferdinando. O MEU SOBRINHO!!!

Heitor chegou democrata, como foi a sua gestação: absolutamente transparente. Ocorre que por essas maravilhas de convênios médicos, aliado ao fato de que pertenço um bocadinho às famílias de um e de outro, eu e os familiares assistimos o parto, separados da grande e emocionante cena, apenas por um vidro no bloco cirúrgico da Maternidade Santa Joana.

Mas a dizer da minha felicidade, alguém poderá perguntar:

– Mas foi assim sussa?

Quase.

Primeiro que, ao chegar ao hospital, desencontrei-me da família e minha ansiedade era tanta que percorri a pé estacionamento, portaria, recepção e, chegando ao segundo andar, uma enfermeira tratou-me como se pai do bebê fosse, até que expliquei que era só o Tio Gaúcho.

Então a Fernanda Diana, esposa do Orlandinho e cunhada da Marina, trouxe a luz e os pais do Ferdinando quase que a tiracolo. E nos encontramos todos finalmente.

Marina faminta de fome e de sono. Nos olhos dela, o brilho da mãe esperança. Já Ferdinando, o orgulhoso pai, nos guiava com uma calma que eu jamais teria pelos corredores e com o mapa da mina da alegria e da felicidade.

Registre-se: mais tarde, ele seria auxiliado pelo Orlandinho, que já passou por dois partos: do meu sobrinho Guilherme e da minha princesinha Beatriz. Este meu irmão se movimentava com desenvoltura pelos corredores e explicava cada procedimento, cada passo. Diria eu que foi o co-piloto perfeito pois que a ansiedade tomava o ar.

Se eu me mostrava calmo – sem tremores até – os avós babavam, babavam e, ao nos despedirmos da nova super-mãe da família, já paramentada para o grande salto da vida no bloco cirúrgico, o choro foi livre, leve e solto. Não sei se disfarcei bem, mas creio que sim.

A seguir, chegamos à parede externa da sala de parto. E em pequenos flashes de luz, podíamos ver a Marina de frente para nós, a espera da anestesia a ser recebida na coluna.

De tão nervoso, o vô paterno Washington ia de um lado a outro do corredor. Filmou um parte em “janela vizinha” e advertiu: cenas fortes viriam. Para passar o tempo, Maria Lúcia, a vó paterna lembrava partos anteriores e já vistos.

Vanessa e Alexandre, os irmãos do Ferdinando, eram puro contraste: a primeira chorava solto vez em quando. Alexandre só tirava sarro berrando “olha lá”. Puro alarme falso. E nossa ansiedade queria puni-lo a cada brincadeira daquelas.

De repente, a imagem que ia e voltava foi ficando sem intervalos: coração apertado. Lágrimas da Marina de pura emoção contra nossas igualmente emocionadas, mas impotentes lágrimas, de quem apenas podia rezar e enviar pensamentos positivos.

– Deus, que angústia!!! – estou chorando agora, mas é de felicidade.

De repente, como num novo corte de uma cena tensa para a de uma aventura em alta temperatura, os médicos cercaram a pequena Marina. As mãos dela tremiam e eu tremia junto.

Dona Walkyria Diana estimava que a sala poderia estar gélida. Eu também. Mas algo me aborrecia.

– Que dor. Guenta pequenina, guenta!!! – berrava dentro de mim o mais alto possível.

Eis que o médico então fez-nos ver a cabeça de Heitor. Imagens da filmagem do Ferdinando mostraram que o cordão umbilical se enrolara duas vezes em volta do pescoço do moleque. Alívio.

Papai Ferdinando ergueu-se então de seu banquinho, onde conversava com a mãe Marina, chamado pelo médico que, por um dos ombros, ergueu o Heitor. Erguia-se um troféu. Choro, gritos.

O menino então, nos braços de uma enfermeira, me saiu do campo de visão e Ferdinando os acompanhava. Minutos de aperto nos olhos e no coração da Marina. Felizmente ele não demoraria.

Ferdinando contou mais tarde e isso é de arrepiar: o menino que chorara ao ser limpo por mãos estranhas a dos seus, silenciou ao perceber a voz e o cheiro da mãe que lhe acompanhou por maravilhosos nove meses e lhe acompanhará pelo restante dos tempos. Oxalá!!!.

A seguir, desfilou para a plateia incansável sob gritos e urros. E lágrimas sempre. No abraço caloroso de todos, desabei. Mas não sem perder a compostura, meu sobrinho. Fique certo. Seu Orlando, de poucas palavras e sorriso abundante, chorou sorrindo nos meus braços. Igualzinho ao natal anterior, que marcou o anúncio da gravidez.

A guerreira Marina Diana, guerreira tal e qual a mãe Walkyria Diana, diga-se de passagem, ainda enfrentou uma cirurgia para corrigir um problema gerado por uma cirurgia anterior de apendicite. Saí do hospital passava das 15h30min frustrado por não revê-la. O procedimento não terminara àquela altura.

Heitor ainda não pude pegar no colo. Farei-o. Mas foi lindo vê-lo no telão do hospital com seus 3,2 quilos e 49 centímetros de altura. Mais saudável, impossível.

Grazzie Dio, grazzie aos Dianas, grazzie aos Mariano da Silva. Viva La Forza De La Vita!!!!

Anderson Passos