Todos contra Russomanno

A eleição paulistana começa a se afunilar e o que se ouve na pauliceia é que política e religião devem voltar a pautar o pleito. Tudo porque o líder das pesquisas, Celso Russomanno (PRB), embora se diga católico fervoroso, é filiado a uma sigla conduzida pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Quem acompanha este blog há mais tempo pode deduzir a minha opinião sobre o tema.

Mas o que se ouve entre os coleguinhas é que a Rede Globo poderá fazer uma ofensiva anti-Russomanno a exemplo do que se viu no Rio de Janeiro há quatro anos, em 2008.

Naquela eleição, o hoje ministro da Pesca que nada entende do assunto, Marcelo Crivella, liderava as pesquisas. E eis que a Globo entrou em campo e encheu a bola do peemedebista Eduardo Paes, que hoje concorre à reeleição e deverá ser eleito ainda no primeiro turno.

Veremos algo semelhante em São Paulo? Oremos. Ou não.

Anderson Passos

Leituras para a “prosperidade” (1)

Inicio nesta data uma pequena série de recomendações “literárias”.

E, como não poderia deixar de ser, começamos em grande estilo com o bispo (banqueiro?) mais rico que já se fez no País. Aliás, faça-o mais rico ainda e adquira…

Eis o biografado naquele que deveria ser seu habitat natural

A obra você encontra em sebos e nas melhores e piores livrarias

Anderson Passos
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Edir x Waldemiro

Assustado com o crescimento de seus concorrentes, Edir Macedo e sua Igreja Universal do Reino de Deus resolveram dirigir seus ataques ao concorrente Waldemiro Santiago, da Igreja Mundial do Reino de Deus.

Santiago é cria de Macedo na arte da fanfarronice travestida de fé. E com uma linguagem simples e algum teatro – que os neopentesoctais adotam com terrível canastrice – Waldemiro vem tirando fiéis – entenda-se dinheiro – do antigo patrão. Eis a razão da ciumeira.

Agora Waldemiro devolve as porradas dizendo que Macedo está doente – dizem que teria câncer e eu seria um devotado a deus se isso for verdade.

Onde a briga vai acabar? Talvez o inferno seja um belo palco. Oremos.

Anderson Passos

Guerra santa eletrônica? Aqui vão levar chumbo

Outro dia – já faz tempo – dei um belo malho nas igrejas neo-pentecostais, em especial sobre o caso do pastor Aldo Bertoni – tidos como “o iluminado” por alguns – acusado de molestar sexualmente algumas de suas fiéis.

O caso foi denunciado com grande estardalhaço pela Record, ainda que a emissora de Edir Macedo tenha telhado de vidro por conta do uso do expediente de câmeras escondidas nos cultos – que ela mesma sempre condenara.

Outro dia, estranhando o número de cliques, escrevi sobre o caso deduzindo que os amigos de Aldo Bertoni andavam clicando demais nesta Ilha de Concreto.

Foi então que um leitor ligado à igreja do senhor Bertoni escreveu algo nos comentários como “você acha que sabe de tudo, não é?”. Só por essa frase, eu poderia acionar esse sujeito juridicamente por ameaça. ele acrescentou ainda que a igreja do tal Bertoni anda fazendo pente fino nos blogs que abordam ou abordaram o tema. Donde reforço simplesmente: nenhum dos senhores é bem-vindo aqui.

Ainda que eu tenha o IP do sujeito que escreveu e pudesse me enfronhar no caso, farei ouvidos moucos. É só mais uma vítima da lavagem cerebral contumaz desses falsos senhores de deus.

Por outra, registro ainda que qualquer fiel que escrever ou comentar algo aqui, não terá vez, pelo óbvio ululante. O blog é meu e expressará opiniões minhas e não dessa turma.

Se sou ameaça ao livre credo? Pessoalmente sim. Mas lembrem-se: sou apenas um jornalista, nada mais. Claro que, se tivesse poderes, enviava esse pessoal para a cadeia sem medo de ser feliz. Mas fiquem tranquilos, não tenho aspirações políticas. Nem sou vocacionado a me cercar de um Marcelo Crivella da vida para me blindar eleitoralmente.

E sim, defendo o abordo, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o fim da roubalheira em nome de deus. Igreja nenhuma tem o direito de pautar a vida de quem quer que seja.

Anderson Passos

Audiência estranha outra vez

Sempre digo que tenho, regularmente, não mais do que dez valiosíssimos leitores.

No entanto, há dois dias, o blog bateu seu recorde de acessos.O pico foi na última segunda-feira (27/2) com 241 visitas. Um absurdo diante dos padrões normais. Nesta terça (28/2) foram outros 134 cliques.

Então corri aos termos pesquisados no blog por esses leitores e eis que os termos eram estes: “audiência Aldo Bertoni”.

O sujeito em questão é acusado de molestar sexualmente suas fiéis. Um belo dia escrevi aqui, depois de assistir a uma reportagem sobre o assunto na TV Record – foi a última vez que zapeei pelo canal – sobre o método usado pela Igreja Universal do Reino de Deus para esculhambar seu adversário. Métodos que ela mesmo condenara quando a Globo filmou as encenações de descarrego protagonizados pelo senhor Edir Macedo.

Na certa esses cliques buscam que eu defenda Aldo Bertoni, mesmo que in passant. Bastou eu escrever sobre o assunto para a seita do acusado usar um texto de minha autoria em defesa do suposto estuprador.

Donde repito o que disse à época: não vão levar defesa coisa nenhuma. Daqui só vai ter porradaria. Não esperem desse canal qualquer sinal de liberdade religiosa. É exatamente essa liberdade de credo que, penso eu, ferra a vida de um monte de gente miserável que pode ficar até sem comer, mas não pode deixar de passar o seu quinhão para o bispo da hora pois que deus é sim um ser vingativo, cruel, sanguinolento. Esse deus eu não temo, aliás. Como não acredito em nenhum deus que não o da minha consciência.

Ponto dois: aqui não há defesa de quem quer que seja, senão de minhas ideias.

Item três e talvez o mais importante: acredito que esses pastores neo-pentecostais, na íntegra, deviam fazer curso de canário na cadeia por charlatanismo e outros crimes como evasão de divisas – o envio do chamado dízimo para contas bancárias em paraísos fiscais no exterior.

Dito isto, espero não precisar desenhar o que vai acontecer se um texto meu voltar a ser usado indiscriminadamente em defesa dessas quadrilhas que roubam em nome da fé cega alheia.

Anderson Passos

Cena para refletir (ou dar risada)

Sou um crítico mordaz da Igreja Universal do Reino de Deus, fato facilmente comprovado por leitores que acompanham o blog mais de perto. Quem me conhece mais de perto então, é testemunha da minha mais bela acidez..

Ocorre que todo dia, enquanto caminho pela região da Consolação, passo em frente a um templo desses magnatas da fé encabeçados por Edir Macedo.

O local era o antigo Teatro Bandeirantes, onde gente como Elis Regina se consagrou em shows inesquecíveis. Triste fim de Policarpo Quaresma, diria meu chefe.

Mas o que quero dizer é que assisti uma cena pitoresca ao passar pelo templo dia desses. Ocorre que olhando para dentro do lugar, dia desses, flagrei um morador de rua no último banco.

Evidente que ele estava ali para, à saída das pessoas que dão algum ao bispo – e nunca a deus – para gorjear algum trocado.

Mas o interessante nisso tudo é que, ao menos no templo do Macedo, o mendigo pode ficar ali fazer concorrência. O que, numa igreja católica de quatro costados, talvez não fosse possível.

Mas ponderemos ainda outra coisa: se o mendigo começar a fazer dinheiro, certamente o pastor abandonará a pregação para reter-lhe um dízimo. Afinal, templo é, principalmente, dinheiro.

Anderson Passos

Tiro no próprio pé

Não assisto a Record pelo simples princípio de que Edir Macedo não carece da minha seleta audiência, nem da minha estupidez em matéria religiosa, item que faço questão de invocar.

Mas ouvi aqui e ali que, num domingo desses, um dos programas do bispo dedicou-se, por intermináveis 40 minutos, a criticar seus pares.

O mote da coisa era mais ou menos este: Macedo encheu o peito para dizer que outras correntes neo-pentecostais estavam fazendo charlatanismo sobre o que alcunhou como “cai cai”.

O tal “cai cai” dito por Macedo, ou “cair no espírito”, ao menos para este escriba, é um modus operandi teatral ou, para os pobres fiéis, uma espécie de transe que, conduzidos por um pastor, acomete os “privilegiados do senhor”.

Embora se diga que mais esse ataque de Edir Macedo tenha algo de jornalístico, a emissora do bispo e da Igreja Universal do Reino de Deus, em nenhum momento ouviu fiéis desiludidos do lado de lá. Ouvir os dois lados, em se tratando de Jornalismo, é o mínimo.

Resumindo, de novo, é o sujo falando do esfarrapado. Basta verificar as “sessões de descarrego” comandadas nas madrugadas por Macedo e seu grupo de pastores.

Eu não sei nem me interessa quem faz ou deixa de fazer “cai cai” ou o “cair no espírito”. Eu, assim como a secular Igreja Católica, prefiro é cair na gandaia e rir de tudo isso. E claro, lançar pesares contra a nação estúpida que sustenta essas corjas religiosas.

Anderson Passos