Querem violência? Por mim sem problema…

No último 7 de setembro eu recém havia chegado em casa da cobertura do enfadonho desfile no sambódromo paulista quando comecei a escrever meu texto e, em paralelo, sintonizei a Globonews.

De repente, um repórter, com um celular, registrava lideranças do tal grupo Black Block no monumento a Zumbi dos Palmares, no Rio de Janeiro.

Eis que o repórter se aproxima, um dos black blocks o flagra e berra “Fora Rede Globo” e agride o sujeito – até hoje não sei se com consequências físicas graves. O que sei é que, a pretexto da informação, a agressão foi de morte.

Minha humilde impressão: devo dizer que abomino o que escreve um Reinaldo Azevedo da vida, a revista Veja em que ele trabalha, como abomino sem nenhum problema a Carta Capital. Para este sujeito aqui são dois lados de uma mesma moeda, cada qual com sua visão radical de mundo. O mesmo vale para a Globo, Record, Bandeirantes, SBT, etc.

Faço esse preâmbulo para dizer aos black blocks agressores, vândalos e fascistas – que é o mínimo que posso dizer deles – que ao invés de surrar o jornalista, eu prefiro me abster da leitura, me abster de assistir e por aí vai.

Jornalista algum, exceção talvez ao dono do jornal, da TV ou da revista, merece ser surrado gratuitamente como se viu na televisão e como tem sido realidade nos protestos recentes que incendiaram o Brasil.

Se os black blocs querem provar que são “os caras”, os salvadores da pátria e a PQP mais, que comecem pelo be a bá: aprendam a diferenciar o sujeito que está ali trabalhando do dono do jornal, rádio, revista, portal, televisão, etc.

Item dois: se veículo X mente, exerça o seu direito de trocar de canal, de desligar a TV, de ler um livro, de se informar por outros meios. Porque se agredir de caso pensado, eu me dou o direito de me defender. E a minha defesa é o ataque frio e traiçoeiro.

Está dado o recado.

Anderson Passos

Abre-te, sesamo

O Jornalismo de São Paulo vem me surpreendendo. Não sei se por efeito das manifestações de junho – quando o trabalho de parte da imprensa passou a ser mais fortemente contestado – mas o fato é que esta quinta-feira (8), marca um dia histórico uma vez que a Folha de S.Paulo abre manchete para o caso de conluio entre empresas que prestaram serviços ao Metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Até aí, já é um avanço.

Agora, mais espantoso é ver o nome do ex-governador José Serra citado na manchete. Atribui-se a ele a mania de ligar nas redações onde é enxovalhado e pedir a cabeça do repórter.

Num passado recente, chegaram ao meu humilde conhecimento as investidas do tucano em algumas redações, algumas das quais sem sucesso – outro avanço?

Serra, evidentemente, negou as ilações sugeridas pelo jornal e enfatizou que não patrocinou nenhum acordo entre empresas para a prestação do serviço.

Vejamos até que ponto essa onda de denúncias pode atravancar ainda mais seu projeto de candidatura presidencial. Os tucanos já fizeram sua parte: enterraram a tese das prévias internas para a disputa ao Planalto e cravaram suas apostas no senador mineiro Aécio Neves.

As portas da imprensa e dos partidos parecem estar não mais obedecendo ao “abre-te, sesamo” de José Serra.

Anderson Passos

Visitas

Recentemente o meu bruxíssimo Gabriel Izidoro apareceu finalmente em São Paulo. A trabalho, é verdade, mas é um progresso pois que eu já perdera a conta de quantas vezes o convidara para dar uma passada por aqui.

Diante da queda de temperatura recente, fiz ver ao Izidoro que aquilo ali já era frio para muito paulistano, ao que ele deu risadas. Passamos em frente ao Bar Brahma na esquina que Caetano cantou e o homem fez fotos. Noturnas, mas fotos.

Voltando ao frio, nunca esqueço de uma vez que ainda morando no sul, fui à casa dele na gélida Caxias do Sul. Ele recebeu-me de polainas, short e camiseta. Fazia zero grau. Horror.

Paramos num boteco, onde pedintes pareciam se multiplicar, sem poder se aproximar de nós dada a ação de um segurança man in black. Ele relatou seus projetos de assessoria que o livraram da estressante vida formal num grande grupo de comunicação gaúcho. Eu lhe contei de Sampa, de suas dificuldades, de como a mistura CQC, Pânico na TV em coletivas de imprensa pode ser uma merda.

Por fim, o grande amigo do peito conheceu meu barraco, pirou nos bonecos, nos livros e lamentou pelas travecas – que ficam na parte de baixo do prédio – que não apareceram sob a janela pois que estavam exercendo atividades pecaminosas com homens casados tão pecadores quanto.

Valeu a visita e volta sempre, índio velho!!!

Anderson Passos

Chupa Telhada

Reproduzo, orgulhoso do Judiciário, notícia veiculada no portal Comuniquese

Justiça intima vereador do PSDB sobre ameaça a jornalista

O vereador de São Paulo, Paulo Lucindo Telhada (PSDB), conhecido como Coronel Telhada, foi intimado a depor sobre uma suposta ameaça feita à jornalista Lúcia Rodrigues, então repórter da Rádio Brasil Atual, em março deste ano. A intimação foi feita pelo juiz Rodrigo Faccio da Silva, da 39ª Vara Cível de São Paulo, após interpelação judicial feita pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP), informou o site Última Instância.

“Aconselho você a tomar cuidado com o que você vai publicar, porque a paulada vem depois do mesmo jeito, no mesmo ritmo”, afirmou Telhada ao ser questionado sobre a possibilidade de nepotismo em seu gabinete. A conversa aconteceu na Câmara de São Paulo e a jornalista tem a declaração gravada em áudio.

O sindicato quer que o ex-comandante da Rota explique a frase na Justiça. Segundo o site, o vereador não pode apresentar defesa nesta fase do processo.

Telhada já se envolveu em polêmica com o repórter da Folha de S.Paulo, André Caramante, que chegou a se ausentar do país por um período, após ter dito que o vereador do PSDB incitava violência em sua página no Facebook.

Nota do autor: ou esse vereador de porta como tal e deixa a farda em casa, ou a Câmara de Vereadores de São Paulo estará acobertando um latente defensor da truculência policial, o que é crime, sabemos.

Anderson Passos

Se a moda pega

Da série “me tira os tubos”

Do G1 com agência France Presse

Um pastor evangélico que quer disputar a presidência do Equador afirmou que, se for eleito, proibirá os shows de rock e censurará o cinema porque esses espetáculos prejudicam a juventude, segundo entrevista divulgada nesta quarta-feira (30).
“Qualquer show de rock no nível, por exemplo, deste senhor Marilyn Manson, que destrói a mente dos jovens, os levam à droga e à perdição, e atenta contra a liberdade e o respeito à fé e ao culto, eu proibirei”, declarou Nelson Zabala ao canal Ecuavisa.

Zabala deve se candidatar pelo Partido Roldosista Equatoriano (PRE, populista), mas, segundo uma recente pesquisa, não tem sequer 1% das intenções de voto.

Zabala diz que o Equador está sendo governado pela “serpente”, em referência ao presidente de esquerda Rafael Correa, a quem acusa de “blasfemar contra Deus” e “mentir constantemente”.

O pastor, que já foi denunciado por maus-tratos familiares, também ataca com palavra duras os homossexuais, a quem chama de “transtornados”.

“A homossexualidade, como pecado, é uma desgraça para o homem porque perverte sua correta sexualidade. E acho que a homossexualidade é um severo transtorno de conduta, mas não considero uma doença”, sentenciou.

Nota do autor: recomendo aos equatorianos brincar de tiro ao alvo contra esse sujeito.

Anderson Passos

Triste reencontro

Um dos sujeitos que mais me ensinou o labor jornalístico foi o meu ex-chefe Luiz Paulo Ruschel Daudt. Trabalhamos juntos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul no longínquo 2003.

Ele como meu editor e eu como aprendiz no que no jargão jornalístico se chama rádio-escuta, isto é, acompanhar o que determinada emissora de rádio falava sobre o Parlamento gaúcho, ferramenta essencial da assessoria de imprensa.

Aprendi com o Daudt que escrever o nome do então presidente Lula, sem o apelido que o personagem incorporara ao seu nome real, era a praxe ali. Que pontos e vírgulas não deveriam ser separados por espaços porque, ensinou-me, “os espaços são muito úteis e não podem ser desperdiçados por mera estética”.

Lembro de um dia levar ao Daudt o meu hoje perdido exemplar de um trabalho primoroso do Arthur de Faria sobre o centenário da música no Rio Grande do Sul, com direito a libreto e cinco CDs. Paulo Ruschel – me foge o exato grau de parentesco com o Daudt – eclodia no texto como um dos autores de um clássico do nativismo gaúcho, Os Homens de Preto. O Daudt me relatava as façanhas do familiar compositor com comovente orgulho.

Combatente do modo petista, Daudt comentou ainda comigo sobre o libreto, que mais tarde ele adquiriria. “O Arthur escreve muito bem. Pena que é petista”.

Orgulho igual ele tinha de ser um amante da vida, transplantado de fígado que Daudt era. Ele ficou sem palavras ao me conceder entrevista sobre o assunto. Despedi-me do estágio em 2004, um ano antes da minha formatura. E os contatos com o Daudt foram rareando pelas circunstâncias.

Recentemente, curioso pelo destino de um dos meus mestres, digitei o nome dele no Google e uma resposta estarrecedora me empalideceu. Daudt falecera em agosto de 2010, às vésperas de completar 60 anos. Segurei o choro, calei na redação, achei a vida uma merda. Com quem trocar um e-mail animado sobre as vicissitudes do jornalismo? Contar a quem que migrei para São Paulo e me sentia feliz?

Desculpe, meu amigo. As palavras se esgotaram. Ficarei com seu sorriso e exemplo no coração. Grazzie.

Anderson Passos