Abre-te, sesamo

O Jornalismo de São Paulo vem me surpreendendo. Não sei se por efeito das manifestações de junho – quando o trabalho de parte da imprensa passou a ser mais fortemente contestado – mas o fato é que esta quinta-feira (8), marca um dia histórico uma vez que a Folha de S.Paulo abre manchete para o caso de conluio entre empresas que prestaram serviços ao Metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Até aí, já é um avanço.

Agora, mais espantoso é ver o nome do ex-governador José Serra citado na manchete. Atribui-se a ele a mania de ligar nas redações onde é enxovalhado e pedir a cabeça do repórter.

Num passado recente, chegaram ao meu humilde conhecimento as investidas do tucano em algumas redações, algumas das quais sem sucesso – outro avanço?

Serra, evidentemente, negou as ilações sugeridas pelo jornal e enfatizou que não patrocinou nenhum acordo entre empresas para a prestação do serviço.

Vejamos até que ponto essa onda de denúncias pode atravancar ainda mais seu projeto de candidatura presidencial. Os tucanos já fizeram sua parte: enterraram a tese das prévias internas para a disputa ao Planalto e cravaram suas apostas no senador mineiro Aécio Neves.

As portas da imprensa e dos partidos parecem estar não mais obedecendo ao “abre-te, sesamo” de José Serra.

Anderson Passos

Pitaco político

Li na imprensa que o PSDB, depois de amargar uma derrota expressiva em São Paulo com José Serra, está dividido entre renovar seus quadros e suas ideias.

Um grupo sustenta que nomes de medalhões como o próprio Serra e o ex-presidente Fernando Henrique, por exemplo, devem abrir caminho para novos quadros. A chama da dúvida foi levantada pelo próprio FHC, que disse da necessidade de se estreitar com o povo. Item que, aliás, para o bem e para o mal, o PT tem procurado fazer desde sempre.

Já o grupo ligado a Serra pensa diferente: entendem que o ex-governador de São Paulo fez um sacrifício pelo partido e que por ele foi abandonado. Para eles, o problema não são os velhos quadros, que ainda tem muito a dar, e sim as ideias que precisam ser oxigenadas.

Também li na imprensa que um nome que está na mira do tucanato para que se escreva um novo tratado entre o PSDB e o povão é o do apresentador Luciano Huck. Será?

Vale lembrar que a sigla recentemente filiou o apresentador João Dória Jr. O projeto novas caras dos tucanos, a se confirmar é ousado, no mínimo. Mas, pelo bem da política, sinceramente, espero que a ideia não prospere. Não gosto do senhor Huck seja como político, seja como apresentador. O mesmo vale para João Dória.

Renovar é o caso. A começar pelo discurso. Quanto aos quadros, acho que tem jeito muito mais interessada e disposta a colaborar do que os dois apresentadores. .

Anderson Passos

Vingadores aí vamos nós

No último final de semana virei o Incrível Hulk. Não, não tomei anabolizantes nem fiquei bombado do dia para a noite. Ocorre que foi aniversário do meu sobrinho Guilherme Diana e, como o pequeno, de agora recém completados sete anos, é maluco pelos Vingadores, eu e outros tios, além do pai dele – Orlando Diana Jr – nos trajamos como os heróis.

Sim, me pintaram o rosto e as mãos. A tinta parecia não secar nunca, o que me apavorava. Cheguei a ter pesadelos na noite anterior entrevistando o José Serra pintado de verde.

Escalamos três vilões para acabar com a festinha. Eles entraram, a bruxa Vanessa perguntou às crianças se elas estavam com medo – chegou a ouvir não de alguns pequenos – e lá foram os heróis Thor (Orlandinho), Homem de Ferro (Ferdinando), Capitão América (Danilo) e este Hulk botar os mal-feitores para correr. Os olhos de Guilherme brilharam como poucas vezes vi. Era a reação que nos importava.

Tirar a tinta de todo foi desafiador. Depois de um banho demorado, que salvou a lavoura relativamente, o acabamento se deu pela via de lenços umidecidos doados pelo pequenino Heitor Diana Silva e sua mãe Marina Diana.

Já avisei que da próxima, estou fora desse negócio de maquiagem. Mas claro, se a tigrada tiver de sair para arrancar um sorriso dos meus sobrinhos, essa reação será nada mais do que folclore como “teatro do Tio Gaúcho”.

Anderson Passos

Eleição paulistana modo aquecer

Ao contrário da eleição presidencial de 2010, a diretoria do jornal que me emprega disse-me assim sobre a eleição na pauliceia:

– Cobertura profissional e só.

Primeiro achei que me xingavam e, passado o momento de “auto-estima lá no cú do cachorro”, sapequei.

– Então não temos candidato, é isso?

Sim, confirmaram. Assim, está estabelecido um critério não muito rigoroso de cobertura por hora, qual seja: o candidato está perto da redação? Colamos nele e as agências que salvem a página.

A coisa ainda está engrenando e é cedo para fazer análises. Cobri recentemente eventos com Gabriel Chalita (PMDB), José Serra (PSDB) e ainda espero a oportunidade de cobrir o favorito de Lula, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) e de outros, claro.

A dizer das propostas, muitas convergem: por exemplo: é preciso levar empresas e emprego para a periferia, evitando assim a migração diária de um Uruguai que vai e vem da zona sul e a da zona leste. Para isso, isenção fiscal e estamos conversados. Todos os candidatos apresentaram a mesma proposta nessa questão.

“O problema de São Paulo é tão óbvio que a convergência ou cópia de programas é livre”, ponderou Chalita a este repórter em pauta recente.

Ainda estou esperando diferenciais de cada candidato. Eu e os eleitores, espero. Vejamos quando a carruagem decola.

Anderson Passos

Virada Cultural

A prefeitura de São Paulo acha uma maravilha. O José Serra e o Gilberto Kassab acham mais do que uma maravilha e enchem a boca para elogiar o projeto.

Mas tudo que é bom pode ter o seu lado ruim. Quem, como eu, fica a madrugada em claro a cada ano graças à Virada Cultural que ocorre na região central de São Paulo, reza para, a cada edição, o palco ficar o mais longe possível de nossas casas e ouvidos.

Por que? Assistam o vídeo abaixo e terão a resposta.

Anderson Passos

Trapalhadas da Virada (Final)

A segurança também parece não te ido lá essas coisas no evento idealizado pela mente do ex-governador e prefeiturável José Serra.

Houve um sem número de prisões de adolescentes ladrões de bonés, celulares e o que desse mais pra se roubar e, lamentavelmente, uma morte por overdose, além de troca de tiros.

Prevendo tudo isso, fiquei bem quieto na minha casa.

Anderson Passos

Jornalismo e humor

Sou em defensor de que jornalismo e humor eventualmente podem flertar, mas que são grandezas diferentes. O pessoal do CQC, talvez inspirado no personagem Ernesto Varela encarnado por Marcelo Tas, age diferente, não sem prejuízos.

Essa semana viu-se um “repórter” da atração tumulturar o que seria uma entrevista coletiva da secretária de estado americana Hillary Clinton, que passou por Brasília em visita à presidente Dilma Rousseff.

Na tentativa de entregar uma máscara de carnaval à representante americana, fotógrafos ficaram sem imagens e jornalistas sem história para contar, senão a cena do cqcista.

Sou um defensor do Jornalismo – não podia ser diferente, aliás – e me parece inconcebível que jornalistas tenham que dividir espaço com humoristas nesses eventos.

Outro dia eu mesmo passei por problema semelhante: eu fazia a cobertura da aclamação do ex-governador José Serra com prefeiturável do PSDB quando a dona Mônica Iozzi quis entregar ao pré-candidato tucano uma cartolina cujos dizeres sinalizavam que ele cumpriria seu mandato de quatro anos se eleito. Eu mesmo adverti do abuso, mas quem sou eu senão um jornalista tentando manter uma entrevista coletiva.

Fato é que os seguranças do PSDB agiram rápido e tiraram Serra dali sem que a moça tivesse sucesso em sua empreitada. O diabo é que, não fosse pelo discurso longo do tucano, eu não teria matéria porque graças à iniciativa do CQC não houve coletiva.

Espero que os assessores de imprensa sejam mais cuidadosos ao convocar os veículos para eventos desse naipe. Eu gostaria de, sinceramente, ir num evento sem correr o risco de uma pergunta infeliz ou de uma provocação fazer ruir o meu trabalho.

Encontrei o mesmo “repórter” do CQC naquela que talvez tenha sido uma de suas primeiras pautas. Era um seminário de prefeitos na Assembleia paulista e ele perguntava, dado o quórum baixo:

– Cadê os prefeitos? Alguém aí viu um prefeito?

Havia uns poucos, é verdade, mas nada que permitisse esculhambar o evento. Pois assim agiu o humorista. E quando um sujeito entra em campo para atrapalhar o trabalho dos jornalistas provocando potenciais fontes a uma resposta ríspida ou irritada, eu realmente fico a lamentar.

Espero que o CQC jamais dependa de ajuda minha para esse tipo de “trabalho”. Porque, se for o caso, a minha solidariedade será zero.

Anderson Passos