Só para esclarecer…

Para entender a rinha de galo entre Lula e a imprensa.

Do blog do Noblat

Jose Campos de Jesus, leitor

Será que os jornalistas brasileiros não tem outro assunto a não ser o Lula?

Noblat

Lula é assunto permanente da imprensa brasileira porque está na crista da política brasileira desde que foi candidato a presidente da República pela primeira vez em 1989. Antes, como líder metalúrgico, já era notícia. Depois virou notícia obrigatória.

Que outro político foi candidato cinco vezes consecutivas à presidência da República? Perdeu três, ganhou duas.

Que outro político fez seu sucessor na presidência?

O general Ernesto Geisel fez. Mas não era político.

Dilma foi eleita porque Lula pediu para que votassem nela.

E Dilma continua sob o tacão de Lula porque ele disse que sairia de cena ao fim do seu governo e não saiu. Nem sairá. Coitada da Dilma!

Lançou Dilma candidata à reeleição. Mas se o destino conspirar a seu favor, será ele o candidato a presidente em 2014. É o que deseja.

De resto, Lula tudo faz para chamar nossa atenção. Ontem, por exemplo, se comparou a Lincoln. E para variar, bateu duro na imprensa.

Como ignorá-lo? E para que ignorá-lo? Para que seus seguidores nos acusem de sabotagem?

Apanhamos porque falamos dele. Apanharíamos se não falássemos.

Lula e a imprensa são grandes aliados. Os dois lados sabem disso. Mas fingem ignorar.

Anderson Passos

Simplesmente ela

Ela me deu o sorriso, a voz, a flor. Deu-me incentivo ininterrupto. Ela me fez crer que brotava de mim algum talento e que eu não me enganara, que eu não era a única voz solitária a perceber isso.

Ela me abriu novos horizontes – pessoais e profissionais – em um milhão de sentidos. Deu o empurrão que faltava. E tudo isso sem que, sequer, nos conhecêssemos pessoalmente.

Ela asfaltou caminhos profissionais quando aqui desembarquei. Ela me deu surras homéricas no videogame. E alguns safanões pela vida afora. Mas calma, este texto é uma ode. Assim, estes, os safanões, conto nos dedos da mão esquerda do Lula, que como sabemos, tem menos dedos do que o normal.

Ela me deu ombro quando os ombros dos meus eram ausentes pela distância ou, lá vez em quando, pelo despreparo de alguns. Ela me deu uma família em São Paulo. Digo duas, digo várias porque os amigos que se somaram à minha jornada foram tantos, que moram aqui em cadeira cativa nesse velho coração.

Ela revolucionou, convulsionou a minha passagem na terra. E, se nesse ano o lavoro não foi aquela maravilha seja para este escriba, seja para ela – em proporções diversas, claro – ela tratou de nos presentear com um sobrinho de sorriso e gestos de amor nada econômicos. Bem a cara e o espírito dela.

Grazzie Marina Diana!!! Continue assim: exemplo de alegria, paz de espírito, de caráter profissional, de mãe zelosa desde sempre. Que muitos outros anos e passagens nos encontrem pela frente ainda.

Beijão

Anderson Passos

Jingles eleitorais

Quando se fala em jingle eleitoral, o primeiro que vem à cabeça de muita gente é o Lula Lá, que embalou as campanhas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a campanha de 1989.

Mas esse ano o PT se superou: trouxe um forró sensacional – musicalmente falando – onde a letra se resume ao número do partido nas urnas. Coisas do senhor João Santana, o marqueteiro palaciano.

Tó…

Eleição paulistana modo aquecer

Ao contrário da eleição presidencial de 2010, a diretoria do jornal que me emprega disse-me assim sobre a eleição na pauliceia:

– Cobertura profissional e só.

Primeiro achei que me xingavam e, passado o momento de “auto-estima lá no cú do cachorro”, sapequei.

– Então não temos candidato, é isso?

Sim, confirmaram. Assim, está estabelecido um critério não muito rigoroso de cobertura por hora, qual seja: o candidato está perto da redação? Colamos nele e as agências que salvem a página.

A coisa ainda está engrenando e é cedo para fazer análises. Cobri recentemente eventos com Gabriel Chalita (PMDB), José Serra (PSDB) e ainda espero a oportunidade de cobrir o favorito de Lula, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) e de outros, claro.

A dizer das propostas, muitas convergem: por exemplo: é preciso levar empresas e emprego para a periferia, evitando assim a migração diária de um Uruguai que vai e vem da zona sul e a da zona leste. Para isso, isenção fiscal e estamos conversados. Todos os candidatos apresentaram a mesma proposta nessa questão.

“O problema de São Paulo é tão óbvio que a convergência ou cópia de programas é livre”, ponderou Chalita a este repórter em pauta recente.

Ainda estou esperando diferenciais de cada candidato. Eu e os eleitores, espero. Vejamos quando a carruagem decola.

Anderson Passos

SUS

Por conta do alto preço dos meus medicamentos para o tratamento do Mal de Parkinson comecei ontem uma peregrinação.

Primeiro, fui à Farmácia de Alto Custo do governo do estado de São Paulo, onde apanhei uma penca de documentos a fim ingressar com um pedido para obter minha medicação gratuitamente.

Fiquei numa fila onde senhoras, apesar de sentadas, queixavam-se da demora no atendimento. A única queixa que eu faria é esta: a recepção não soube me informar direito em que fila eu tinha de entrar.

No mais, após uns dez minutos, fui atendido por uma moça chamada Vânia, que me apresentou a uma novidade: eu precisava ter um cartão do SUS. Ali o mesmo não era emitido.

Saindo dali comecei a farejar um posto de saúde e achei uma unidade, por puro acaso. Ou será que eu fora guiado por anjos?

Entrei no posto, me certifiquei de que sim – eles emitiam o documento – e encarei nova fila.

No meu tempo ali, vi pelo menos seis mulheres grávidas, das quais cinco eram adolescentes.

A cada número de senha revelado por uma das atendentes, uma senhora nos seus sessenta e alguma coisa, de cabelos vermelhos arrepiados, batia palmas e festejava tudo como se um gol tivesse sido marcado numa final de Copa do Mundo.

À minha frente, uma moça – provavelmente moradora de rua – que trazia dois sacos de lixo com alguns pertences – esperava atendimento.

E é desse item, do atendimento, é que quero me ater. Pois que, tanto no posto quanto na farmácia, fui atingido rapidamente sem sequer ter feito menção ao fato de que sou jornalista o que, quiçá, talvez me abrisse as portas ainda mais rápido.

Fala-se muito mal do Sistema Único de Saúde. Um dia o Lula elogiou e, feito o diagnóstico do câncer de laringe, a dona Luana Piovani recomendou ao ex-presidente que se tratasse no sistema e não no caríssimo Sírio-Libanês.

O SUS é feito de profissionais e servidores que, na sua maioria, são os mais prestimosos do serviço público. Comprovei isso in loco. E recomendo que, se quiser, a dona Luana Piovani trate seu parto e do seu futuro bebê na rede de saúde nacional. Tenho absoluta certeza de que, apesar de sua arrogância já famosa, ela seria bem tratada.

Anderson Passos

O câncer de Lula

Diagnosticado o câncer na laringe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, houve celebridades e gente comum infestando as redes sociais recomendando que o petista fosse tratar sua chaga na rede pública.

Não sou um fã do ex-presidente do ponto de vista administrativo, uma vez que sua gestão no Planalto também tem uma chaga igualmente grandiosa: o mensalão.

Mas daí a recomendar que ele se trate na rede pública – onde provavelmente morreria por conta da falta de investimentos e dos desvios no setor – é uma pilhéria de profundo mau gosto.

Pilhéria que me autorizaria, por exemplo, a recomendar às celebridades engajadas – uma das quais grávida – que essa futura mãe vá tratar de sua arrogância e do parto do filho no SUS, se ela quer dar algum exemplo.

Nas redes sociais, escreve-se o que se quiser. Mas é preciso considerar que, ao escrever uma torpeza, a mensagem que pode ser devolvida em réplica pode não ser exatamente um elogio. O arpão da réplica pode ser ainda mais mortífero.

Anderson Passos