O Jornalismo respira

No final de semana que passou tive contato com duas produções que orgulham o bom jornalismo. Refiro-me às entrevistas da presidente Dilma Rousseff veiculadas pelo jornal Folha de S.Paulo, a cargo da competente Mônica Bergamo, e à entrevista com o Papa Francisco realizada por Gerson Camarotti e equipe da Rede Globo.

Da entrevista de Dilma, assusta o fato de que Lula nunca esteve fora do governo, ainda que ela tenha voltado a defender o plebiscito para a reforma política, sob o argumento de que há uma crise de representatividade.

Sobre Francisco e sua surpreendente humildade, Camarotti fez corajosos e pertinentes questionamentos sobre as mudanças na Cúria e os escândalos financeiros do Banco do Vaticano. E o Papa, corajoso, não fugiu de nenhuma pergunta.

Num tempo de jornalismo raso e pouca credibilidade – assim as ruas disseram em junho – as duas matérias veiculadas no final de semana são uma generosa injeção de ânimo em que não vê mais esperança na profissão.

Anderson Passos

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Só para esclarecer…

Para entender a rinha de galo entre Lula e a imprensa.

Do blog do Noblat

Jose Campos de Jesus, leitor

Será que os jornalistas brasileiros não tem outro assunto a não ser o Lula?

Noblat

Lula é assunto permanente da imprensa brasileira porque está na crista da política brasileira desde que foi candidato a presidente da República pela primeira vez em 1989. Antes, como líder metalúrgico, já era notícia. Depois virou notícia obrigatória.

Que outro político foi candidato cinco vezes consecutivas à presidência da República? Perdeu três, ganhou duas.

Que outro político fez seu sucessor na presidência?

O general Ernesto Geisel fez. Mas não era político.

Dilma foi eleita porque Lula pediu para que votassem nela.

E Dilma continua sob o tacão de Lula porque ele disse que sairia de cena ao fim do seu governo e não saiu. Nem sairá. Coitada da Dilma!

Lançou Dilma candidata à reeleição. Mas se o destino conspirar a seu favor, será ele o candidato a presidente em 2014. É o que deseja.

De resto, Lula tudo faz para chamar nossa atenção. Ontem, por exemplo, se comparou a Lincoln. E para variar, bateu duro na imprensa.

Como ignorá-lo? E para que ignorá-lo? Para que seus seguidores nos acusem de sabotagem?

Apanhamos porque falamos dele. Apanharíamos se não falássemos.

Lula e a imprensa são grandes aliados. Os dois lados sabem disso. Mas fingem ignorar.

Anderson Passos

Simplesmente ela

Ela me deu o sorriso, a voz, a flor. Deu-me incentivo ininterrupto. Ela me fez crer que brotava de mim algum talento e que eu não me enganara, que eu não era a única voz solitária a perceber isso.

Ela me abriu novos horizontes – pessoais e profissionais – em um milhão de sentidos. Deu o empurrão que faltava. E tudo isso sem que, sequer, nos conhecêssemos pessoalmente.

Ela asfaltou caminhos profissionais quando aqui desembarquei. Ela me deu surras homéricas no videogame. E alguns safanões pela vida afora. Mas calma, este texto é uma ode. Assim, estes, os safanões, conto nos dedos da mão esquerda do Lula, que como sabemos, tem menos dedos do que o normal.

Ela me deu ombro quando os ombros dos meus eram ausentes pela distância ou, lá vez em quando, pelo despreparo de alguns. Ela me deu uma família em São Paulo. Digo duas, digo várias porque os amigos que se somaram à minha jornada foram tantos, que moram aqui em cadeira cativa nesse velho coração.

Ela revolucionou, convulsionou a minha passagem na terra. E, se nesse ano o lavoro não foi aquela maravilha seja para este escriba, seja para ela – em proporções diversas, claro – ela tratou de nos presentear com um sobrinho de sorriso e gestos de amor nada econômicos. Bem a cara e o espírito dela.

Grazzie Marina Diana!!! Continue assim: exemplo de alegria, paz de espírito, de caráter profissional, de mãe zelosa desde sempre. Que muitos outros anos e passagens nos encontrem pela frente ainda.

Beijão

Anderson Passos

Jingles eleitorais

Quando se fala em jingle eleitoral, o primeiro que vem à cabeça de muita gente é o Lula Lá, que embalou as campanhas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a campanha de 1989.

Mas esse ano o PT se superou: trouxe um forró sensacional – musicalmente falando – onde a letra se resume ao número do partido nas urnas. Coisas do senhor João Santana, o marqueteiro palaciano.

Tó…

Eleição paulistana modo aquecer

Ao contrário da eleição presidencial de 2010, a diretoria do jornal que me emprega disse-me assim sobre a eleição na pauliceia:

– Cobertura profissional e só.

Primeiro achei que me xingavam e, passado o momento de “auto-estima lá no cú do cachorro”, sapequei.

– Então não temos candidato, é isso?

Sim, confirmaram. Assim, está estabelecido um critério não muito rigoroso de cobertura por hora, qual seja: o candidato está perto da redação? Colamos nele e as agências que salvem a página.

A coisa ainda está engrenando e é cedo para fazer análises. Cobri recentemente eventos com Gabriel Chalita (PMDB), José Serra (PSDB) e ainda espero a oportunidade de cobrir o favorito de Lula, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) e de outros, claro.

A dizer das propostas, muitas convergem: por exemplo: é preciso levar empresas e emprego para a periferia, evitando assim a migração diária de um Uruguai que vai e vem da zona sul e a da zona leste. Para isso, isenção fiscal e estamos conversados. Todos os candidatos apresentaram a mesma proposta nessa questão.

“O problema de São Paulo é tão óbvio que a convergência ou cópia de programas é livre”, ponderou Chalita a este repórter em pauta recente.

Ainda estou esperando diferenciais de cada candidato. Eu e os eleitores, espero. Vejamos quando a carruagem decola.

Anderson Passos

O câncer de Lula

Diagnosticado o câncer na laringe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, houve celebridades e gente comum infestando as redes sociais recomendando que o petista fosse tratar sua chaga na rede pública.

Não sou um fã do ex-presidente do ponto de vista administrativo, uma vez que sua gestão no Planalto também tem uma chaga igualmente grandiosa: o mensalão.

Mas daí a recomendar que ele se trate na rede pública – onde provavelmente morreria por conta da falta de investimentos e dos desvios no setor – é uma pilhéria de profundo mau gosto.

Pilhéria que me autorizaria, por exemplo, a recomendar às celebridades engajadas – uma das quais grávida – que essa futura mãe vá tratar de sua arrogância e do parto do filho no SUS, se ela quer dar algum exemplo.

Nas redes sociais, escreve-se o que se quiser. Mas é preciso considerar que, ao escrever uma torpeza, a mensagem que pode ser devolvida em réplica pode não ser exatamente um elogio. O arpão da réplica pode ser ainda mais mortífero.

Anderson Passos

Batendo e apanhando

Chego ao teclado após uma jornada que se aproxima em violência do UFC. Ocorre que fui acompanhar a passagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo 2º Congresso da União Geral dos Trabalhadores (UGT).

Na fala dirigida aos congressistas, Lula prometeu voltar a viajar pelo Brasil na defesa de seu legado, que é negado ou chamado de “herança maldita” pela oposição formada por PSDB, DEM e PPS.

Até aí nada demais se Lula não descesse do palco e mergulhasse nos braços do povo. Puxado de volta pelos seguranças em transtorno, fez-se um corredor polonês no qual jornalistas em especial e populares tentavam respectivamente entrevistar e tocar o ex-presidente.

E dentro disso, sobraram empurrões, safanões. Eu mesmo tomei uma bela cotovelada no peito, que devolvi. E a coisa quase descambou.

Pior foi uma colega de uma emissora de rádio que levou um verdadeiro rapa de um segurança e caiu no chão.

Parece que nós, jornalistas, se quisermos ter sucesso numa nova coletiva do Lula, teremos que apelar para tacos de beisebol e soco inglês.

Anderson Passos