Abre-te, sesamo

O Jornalismo de São Paulo vem me surpreendendo. Não sei se por efeito das manifestações de junho – quando o trabalho de parte da imprensa passou a ser mais fortemente contestado – mas o fato é que esta quinta-feira (8), marca um dia histórico uma vez que a Folha de S.Paulo abre manchete para o caso de conluio entre empresas que prestaram serviços ao Metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Até aí, já é um avanço.

Agora, mais espantoso é ver o nome do ex-governador José Serra citado na manchete. Atribui-se a ele a mania de ligar nas redações onde é enxovalhado e pedir a cabeça do repórter.

Num passado recente, chegaram ao meu humilde conhecimento as investidas do tucano em algumas redações, algumas das quais sem sucesso – outro avanço?

Serra, evidentemente, negou as ilações sugeridas pelo jornal e enfatizou que não patrocinou nenhum acordo entre empresas para a prestação do serviço.

Vejamos até que ponto essa onda de denúncias pode atravancar ainda mais seu projeto de candidatura presidencial. Os tucanos já fizeram sua parte: enterraram a tese das prévias internas para a disputa ao Planalto e cravaram suas apostas no senador mineiro Aécio Neves.

As portas da imprensa e dos partidos parecem estar não mais obedecendo ao “abre-te, sesamo” de José Serra.

Anderson Passos

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Refúgio e retorno (Final)

Nas proximidades da Universidade Mackenzie cruzei o último cordão de isolamento das tropas referidas no post anterior. A venda irregular de bebidas era escancarada, assim como o porte de garrafas pelos participantes seguia sem fiscalização ou controle.

Via-se casais homossexuais de todo o tipo e lembro de cruzar por um travesti que trajava apenas um microshort e fartos seios falsos à mostra. Não vi violência. A violência que se via era outra: bebia-se em demasia e a sarjeta estava igualmente apinhada.

Como a multidão começasse a se avolumar, dei uma volta e consegui evitá-la. Em dez minutos, adentrava meu prédio surpreso pelo deserto que era a minha rua, normalmente lotada de tipos em eventos como esse.

Ano que vem tem de novo. E lá me vou para fora da cidade.

Anderson Passos

Refúgio e retorno (2)

Andei alguns metros, aproximei-me da Estação Clínicas do metrô e esperei ainda por um estalo do meu sexto sentido para abandonar o plano de ir a pé. Sem estalo algum, retomei o plano inicial.

Chegando na esquina da Paulista com Consolação, percebi que minha intuição estava certa. Não havia como transpor a região de carro ou transporte coletivo. Donde me pus a andar.

Chegando nas proximidades do Cemitério da Consolação, deparei-me com uma verdadeira operação de guerra: viaturas da fiscalização de trânsito, caminhões de lixo, varredores, guarda civil, Polícia Militar. Verdadeiros exércitos.

Andando mais alguns minutos, transpus de todo a área frontal do cemitério e carros pipa lavavam as calçadas com jatos d’água possantes dos dois lados da via.

Então, lancei os olhos em direção ao Viaduto Costa e Silva – o famoso e sugestivo Minhocão – e o mar de gente e de luzes era assustador.

Anderson Passos

Refúgio e retorno (1)

Sabedor de que mais uma Parada Gay se aproximava, fui convidado na última sexta-feira (31/5) a ir passar o final de semana na casa da Marina Diana e do meu irmão Ferdinando em Cotia. E não esqueçamos do meu sobrinho Heitor e da mascote Rebecca, que senão sai gritaria e dentada.

Do findi em si, direi com o tempo. Porque quero relatar a minha volta para casa, na região central de São Paulo, local do encerramento do evento. Apanhei um ônibus executivo na rodoviária de Cotia e desembarquei, coisa de uma hora depois – e sob chuva – próxmo ao Hospital das Clínicas.

Para quem não conhece São Paulo, eu estava a pelo menos 45 minutos a pé da minha casa. Pensei na opção do ônibus, mas imaginei que a Rua da Consolação estaria bloqueada para o tráfego. Elaborei então a rota via metrô e lembrei que todo ano a Estação República do metrô, que seria meu destino, estaria fechada pois que localizada no coração das comemorações.

Donde, o plano inicial que eu traçara se impôs: eu iria para casa a pé.

Anderson Passos

Carros x ciclistas (Final)

No último domingo (10), apanhei a Flecha Prateada – denominação da minha bike – e resolvi percorrer o Viaduto Costa e Silva, o tal Minhocão, que fica bloqueado para os carros nesse dia. Daí que moradores da região aproveitam para andar de bicicleta, passear com seus mascotes ou com seus filhos, enfim, relaxar é a ordem.

No entanto, logo que ali ingressei no acesso da Consolação, tomado de surpresa vi um caminhão parado na via. E, de repente, um ônibus de turismo surgiu por trás deste em baixa velocidade. Comecei a ter dúvidas sobre o acesso livre até que vi alguns transeuntes correndo ou caminhando.

Descendo em direção à região do Pacaembu, cruzei então com banners que indicavam KM X ou Y. Mais tarde, um outro banner avisava: área de lazer de 6h às 12h. Como passava das 8h fiquei sossegado pois dali a uma hora, no máximo, já estaria em casa refeito de mais um dia de ginástica e pedaladas.

Subi e desci o viaduto duas vezes e, mal iniciada a última parte do percurso, ia eu na altura do Metrô Santa Cecília quando vi que motos se aproximavam. De repente, um dos pilotos sinalizava para que eu rumasse para a pista contrária. Obedeci, claro. Quando ele chegou mais perto, gritou pra mim:

– Tá vindo a corrida aí.

E de repente, motos com batedores e câmeras traziam os primeiros colocados. Daí que, ao passar sobre a Avenida Pacaembu deparei-me com o estrago todo. Um mar de coletes amarelos vinha naquela direção. Pensei comigo que não iria descer à avenida e “tudo bem, vambora”.

Quando tomei o caminho de volta, os batedores voltaram a se aproximar. Dessa vez, era impossível mudar de pista. Dei meia volta e corri pra diabo para que a turba de maratonistas não chegasse perto. Saí do Costa e Silva do lado da estação do metrô Santa Cecília e me preocupei. Era a primeira vez que ia andar na rua sem a suposta segurança de uma ciclovia.

Entrei pelo bairro de Higienópolis. Um ou outro carro passava perto, mas sem ameaçar. Minha obsessiva preocupação era obedecer à sinalização. Daí que chegando na Avenida Angélica, rumei pela calçada vazia – a via é estreita demais para se dividir com carros e até ônibus – e, coisa de meia hora, estava já em casa feliz que nada me ocorrera.

Ainda que tenha ido tudo bem, me senti tenso e não gosto dessa sensação. Se nenhum outro evento me impedir, domingo que vem retomo minhas pedaladas pelo Costa e Silva.

Anderson Passos

Cerimônia de posse (2)

No metrô, não desgrudei a Flecha. Mas descer as escadas da estação com ela no colo foi demais. As minhas pernas quase cederam. Só quando as escadas foram superadas que fiquei mais tranquilo.

Cruzei a catraca – meu irmão pagou a passagem – e, adentrado o último vagão, regra padrão no metrô, eu pensava comigo:

– Descer no Paraíso ou na Sé?

Fato é que eu desceria antes para rodar um pouco mais.

Desci na Sé. Saindo de lá comecei a pedalar pelas imediações do Pátio do Colégio, chegando à Líbero Badaró. Subindo a Líbero, quase tive um treco. E olha que era uma subida leve. Sequer me lembrei que a Flecha Prateada tinha marchas. Bastava trocá-las e sofrer menos, quiçá.

Cheguei então à Prefeitura, no Viaduto do Chá, rodei cauteloso e confiante entre o público na Barão de Itapetininga, passando a seguir pela Praça da República para, finalmente, chegar em casa.

Esse pequeno trajeto me deu muita confiança, talvez porque distante do olhar crítico do meu irmão.

Mas a grande estreia da Flecha Prateada ainda estava por vir.

Anderson Passos

Cerimônia de posse (1)

No final de semana que passou fui apanhar a bicicleta que me foi doada pelo meu irmão Everson Passos. A mesma ganhou o apelido de Flecha Prateada dado que o quadro da mesma é revestido de alumínio.

Ao tentar subir na mesma, foi uma briga porque minha coordenação motora não anda lá essas coisas. Mas o fato é que subi, rodei um pouco ono pátio da vila onde meu irmão mora e eis que a dificuldade foi imensa para manter o equilíbrio. Fazia realmente muitos anos, talvez mais de dez, que eu não encarava uma bicicleta.

Decidimos então ir a uma oficina próxima para calibrar os pneus. Ficava, creio, a uns 500 metros da casa dele. Rodei esse percurso e, em várias oportunidades, seja por conta de pedestres que se aproximavam seja pelo piso deficiente, beirei o tombo descomunal.

Calibrados os pneus, meu irmão sugeriu a compra de um capacete. Uma obsessão dele, aliás. Os preços variavam de R$ 40 a R$ 90 e eu não toquei nos meus bolsos. Saindo da loja, meu irmão reagiu assim quando propus ir embora de bicicleta para minha casa, na região central.

– Nem fodendo. Vai de metrô.

E só fui porque ele me escoltou praticamente até a estação.

Essa saga continua.

Anderson Passos