Ele está de volta

Dia desses pipocou no meu Facebook e quase tive um treco. Ocorre que Benito Di Paula, cujo show estou tentando assistir desde que aportei em São Paulo há cinco anos, vai se apresentar no meu vizinho Bar Brahma em 23 de julho.

Desde então tenho enviado mensagens a amigos e conhecidos dizendo que “o gigante do samba ao piano acordou”. Vou à luta para garantir meu lugar na fila do gargarejo e com lenço à mão para conter minhas mais sinceras e pungentes lágrimas de esguicho.

Anderson Passos

Sem memória

Um dia, a televisão que fica quase à minha frente, na redação onde trabalho, anunciou o centenário do Jamelão, o intérprete não só da Estação Primeira de Mangueira, como o maior de todos de Lupicínio Rodrigues.

Um colega, estagiário, disse num muxoxo:

– Quem é o Jamelão?

Contei brevemente da Verde e Rosa e do Lupi e emendei:

– Se não sabe quem era o Jamelão, não sabe quem foi Lupicínio, né?!

Ele confirmou afirmativamente que desconhecia. Daí perguntei do paulistaníssimo Paulo Vanzolini, recentemente falecido, autor de Ronda e tantos outros clássicos.

O outro impassível, quase orgulhoso, admitiu que não conhecia. Felicitei-o por não escrever sobre cultura, o que seria um grande desastre e disse que, fosse meu subordinado, estaria na rua com esse diálogo.

O outro riu. Por dentro eu chorei a falta de memória do outro.

Anderson Passos

Five o’ clock

Na grande maioria das vezes, imagino que pouca gente se da´conta de que algumas pessoas residem na região central de São Paulo. Afinal, na sua megalomania, creio que a cidade tenta incorporar aquele lema New York New York de que a cidade nunca dorme.

Bem, escrevo isso e vou sem delongas ao título porque nas proximidades do meu prédio fica uma instalação do Tribunal de Justiça do estado. E eis que no horário citado lá em cima, buzinas em alto e bom som me despertaram para este escrito.

Por pelo menos 15 minutos, um dos motoristas da repartição tentava estacionar seu veículo no interior do prédio. Mas, diante do fato de que o segurança talvez gozasse de um sono mais digno que o meu, o motorista preferiu acordar meio mundo para ser atendido.

Uma pena que essa mesma preocupação não se teve quando ladrões ingressaram no mesmo prédio há um tempo atrás e nenhum barulho soou.

Sim, estou revoltado e só me restou escrever, coisa que não fazia há tempos nesta ilha.

Anderson Passos

Chorão

Quando o Charlie Brown JR apareceu nos anos 90 reagi com certo entusiasmo com o primeiro hit pois que bem tocado. E sempre achei que se tratavam de bons músicos. Chorão jamais me encantou.

Adelante, tive notícia da agressão física ao Marcelo Camello e elegi este como um dos atos mais legais do sujeito. Agora, depois de morto, soube de seu incentivo louvável ao skate. Não é minha tribo, até porque tenho 40 anos na cara e a armadura vai ficando pesada.

A armadura de Chorão pesou com o duo separação/abuso de drogas. Morrer acompanhado apenas da solidão e da loucura não é das melhores sensações. Daí o meu sentimento pela família do cara e só. Ao menos, não se converteu como o vocalista dos Raimundos, por exemplo.

Porque daí a dizer que ele mudou o rock nacional, virou poeta e o diabo, tudo uma grande poça de besteira. Menos, bem menos.

Antítese

Apesar de ser uma banda pobre, no que diz respeito ao pouco refinamento musical, a Legião Urbana embalou uma geração por conta das letras de Renato Russo, falecido em 1996. Hoje, o acervo da banda é administrado pelo filho do vocalista, que falou ao portal do jornal O Estado de S.Paulo sobre o desafio. Acompanhem.

Filho de Renato Russo assume legado da já lendária banda Legião Urbana
Giuliano Manfredini, que completou 23 anos em março, passou a gerir o acervo no lugar da sua avó, mãe do cantor

Jotabê Medeiros – O Estado de S. Paulo

Cabeça dura, teimoso, empreendedor, excelente para começar projetos, para colocar fogo nas ideias. O produtor Giuliano Manfredini enumera assim as características do seu signo, Áries, o mesmo do seu pai, Renato Manfredini, o Renato Russo. O pai de Giuliano morreu quando este tinha 7 anos, e ele, que completou 23 anos em março, acaba de assumir o que chama de “espólio intelectual” do seu velho (até então, era a mãe do cantor, avó de Giuliano, que geria tudo).

Não é pouca responsabilidade: foram cerca de 25 milhões de discos vendidos em 14 anos de atividade, números de megagrupos como Oasis ou The Cure. A Legião Urbana foi (e continua sendo) um dos maiores fenômenos da música na América Latina. Manfredini já assume com o desafio de coordenar a celebração dos 30 anos da banda, que começa neste final de ano com a estreia do longa-metragem Faroeste Caboclo, com Isis Valverde, a Suélen, no papel da Maria Lúcia da canção.

Giuliano chama a atenção por ser quase uma antítese do pai. Nunca responde uma pergunta de bate-pronto, sempre inicia com uma palavra que, não raro, substitui por outra que considera mais adequada. É superponderado. Renato Russo era uma metralhadora verbal (há episódios em que xingou críticos de “bichas mal-amadas”), atacava detratores ferozmente. Algumas vezes, quando o tema é mais controverso, Giuliano pede delicadamente: “Me preserve disso, tá bom?” Não deixa nem o interlocutor terminar a pergunta para assegurar que não vai respondê-la.

“Não sou careta, mas não bebo. Sou tranquilo. Sou espírita kardecista, e o que mais gosto de fazer é ir ao cinema e ler. Também adoro comer o melhor da baixa culinária”, diz rindo o produtor, num perfil relâmpago de si mesmo. Não namora atualmente, diz. Aos 21, namorava Anna Cecília, mas acabou. “É tudo fortuito. Ainda não achei a pessoa certa, vai demorar um pouco. Até porque estou assumindo a Legião, tô muito focado.”

Ele diz que seu comportamento low profile também é parte de sua responsabilidade como condutor do legado da banda. “Os papéis se invertem. Ele era um criador, um artista, e eu tenho outra função: cuidar, preservar, difundir”, explica o rapaz, que vive em Brasília, mas procura apartamento em São Paulo – acredita que na capital paulista as condições são mais adequadas para desempenhar melhor sua função.

Giuliano está trabalhando em uma infinidade de projetos relacionados à Legião. Em maio, ele se mostrou contrariado com a iniciativa dos outros dois remanescentes da banda, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, de reunirem a banda em torno do ator Wagner Moura para um show da MTV, em São Paulo. Ele é atualmente o dono de 100% da marca Legião Urbana, e ninguém pode realizar nada relacionado ao seu legado sem pedir autorização a Giuliano. Na época, ele disse: “Nenhuma obra em conjunto pode ser decidida unilateralmente”.

O produtor estuda modelos para criar o Instituto Renato Russo, uma instituição que será voltada para ações de apoio e conscientização de dependentes de drogas. Ele diz que a própria agonia final do pai, que foi alcoólatra e usava drogas, o motivou a criar o instituto. Às vezes, quando estava em Brasília, Renato abusava de alguma substância e ia dormir em casa de amigos, para que o filho não visse o seu estado.

Outro fato que o motivou a criar o Instituto Renato Russo foi a revelação, pela TV, de que o antigo baixista da banda, Renato Rocha, o Negrete, estava vivendo como sem-teto no Rio de Janeiro. “Meu pai adorava o Negrete. Eram muito amigos, e ele não deixaria que ele terminasse assim. Eu vou fazer o que meu pai faria, vou tentar ajudá-lo”, disse.

“A Legião Urbana é uma empresa, e foi criada por meu pai. Temos advogados, estrutura de comunicação, marketing, planejamento. Mas a maneira que eu lido com isso tudo é mais terna, mais familiar. Não gosto de gritar ordens. Acredito que a forma como se relaciona com as pessoas muda até a qualidade do trabalho”, afirma Manfredini, que também é dono da produtora Mundano.

Giuliano não gosta de falar da parte materna de sua família. Sabe-se que sua mãe, Raphaela Manoel Bueno, era uma moça de origem humilde da Ilha do Governador. Giuliano foi adotado por Renato Russo e criado pela avó materna, Maria do Carmo, a Carminha. Em 2004, houve um processo judicial movido pela família da mãe, mas os pais de Renato Russo ganharam na Justiça o direito de manter a guarda do garoto até sua maioridade. Renato vivia no Rio de Janeiro, mas Giuliano conta que o pai nunca o deixou largado.

“Vinha sempre me visitar, escondido. Me protegia do assédio, passeávamos. Ele me fazia ver filmes repetidamente, e me ensinava a ler livros. Lembro muito dos Natais em família, a gente ia para o apartamento dele no Rio, eu era muito amado. Vim muito novo para Brasília, mas ele dava o norte de como eu deveria ser criado”, conta. O resultado é quase um anti-Renato Russo. “Quero casar, ter família, sou desse tipo de cara.” No início, Giuliano até que teve pretensões artísticas. Tocou guitarra numa banda de rock chamada Síndrome, mas logo jogou a toalha nas pretensões de ser artista e passou para o outro lado do balcão. Está no sétimo semestre de Direito e também termina o curso de Administração.

Renato Russo teve dois grandes amores em sua vida, lembra Giuliano. “Um menino e uma menina”, brinca, lembrando da letra do pai. O primeiro foi a nipo-brasileira Suzy, um namoro de juventude. “Meu pai me apresentou a ela, é um doce de pessoa. Está casada, vive em Brasília.” Depois, namorou o americano Robert Scott Hickmon, que conheceu em Nova York (e vive atualmente em São Francisco).

Toda a história de Renato Russo está agora nas mãos de Giuliano. “Meu pai deixou um universo a ser descoberto. E eu vou organizar isso. Cada um que o descreve mostra apenas um lado. Mas não há uma verdade única”, pondera.

Anderson Passos

35 anos sem o Rei

Hoje completam-se 35 anos sem o Rei do Rock, Elvis Aaron Presley. Eu tinha cinco anos quando, andando no táxi do meu pai, ouvi a notícia no rádio e vi meu velho desabar em lágrimas ao volante. A música que passou a tocar logo após o noticiário foi Sylvia. E até hoje, quando lembro dos fatos, essa trilha vem em primeiro plano.

Ei-la, em memória ao Rei.

Anderson Passos

Grandes Entrevistas (2)

O Jô Soares 11 e Meia marcou uma fase quase underground naquele que foi o talk show inaugural da TV brasileira. Entre personalidades e ilustres desconhecidos, o programa fez história.

Abaixo vai uma entrevista bacana com o Cazuza.

Anderson Passos