Ainda o Elvis

Há algumas semanas, enquanto a febre Elvis Presley estava em alta graúda, lembrei o meu irmão Orlando Diana Jr de um filme produzido pela HBO que revelava a vida do nosso herói do início da carreira até a véspera das turnês em Vegas.

O nome do filme não me vinha de jeito nenhum, mas o seu Youtube fez o serviço e cá está ele. Aqui, o telefilme editado em três partes se mostra numa única edição. Para quem gosta, um belo achado.

Anderson Passos

Elvis in Concert

Nos últimos dois meses, me mobilizei junto aos meus parcos canais para ver se conseguia um ingresso para assistir ao Elvis In Concert no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Mas dizer que me esforcei por esse tempo todo, reconheço, era forçar a barra.

Ao saber que um ingresso poderia custar R$ 800, desisti de vez tendo em vista que eu jamais teria esse dinheiro. E o anúncio do jornal ainda me estapeava a cara: os R$ 800 eram uma oferta imperdível. Perdi, claro.

Consolei-me indo à exposição Elvis Experience, relatada neste humilde blog. O tempo foi passando, o trabalho tomando boa parte do meu tempo e sublimei o assunto em algum lugar do meu inconsciente.

Há duas semanas, no entanto, o meu irmãozão Orlando Diana Júnior, o Orlandinho, escreveu-me dizendo que tinha dois ingressos e me perguntando se eu faria o sacrifício de acompanhá-lo. Só deus sabe o que vibrei e chorei.

Daí que, na última terça-feira (9/10) à noite, lá estávamos nós no Ibirapuera, sob o patrocínio da nossa mama Walkyria Diana, que presenteou o Orlandinho com os bilhetes pelo aniversário dele. Volto aos dois ao final.

O show é eletrizante. Abre com o arranjo de Assim Falou Zaratrusta, trilha de 2001, Uma Odisséia no Espaço e uma explosão de luzes que leva à See See Rider. O telão exibe Elvis à beira do palco como a cumprimentar a fileira da frente.

Parte da banda é a mesma que acompanhou Elvis nos cassinos de Las Vegas nos anos 70. James Burton, 73, empolga nos solos. A primeira parte da apresentação tem precisamente uma hora.

Após 40 minutos de intervalo, a trupe volta: e com eles os sucessos Suspicius Minds, My Way, Polk Salad, entre outros. Em My Way contive o choro no osso do peito. Can’t Help Falling in Love fecha a apresentação espetacular. E o aviso da banda, de que Elvis Has Left Building, ou tinha ido embora, era a senha também para o público partir.

Eu e Orlandinho saímos do ginásio acompanhados do único famoso que eu identificara na plateia: o cantor Angelo Máximo. Diós mio.

Volto aos Dianas. Antes da apresentação, o ator Cássio Reis subiu ao palco para elogiar os patrocinadores da empreitada. Donde disse ao Orlandinho:

“O meu aplauso vai só para Walkyria Diana”.

Sim, porque quem gastou com os ingressos foi ela. Porque quem leu meus posts no Facebook emocionados por ver a exposição foi ela. Porque ela e Orlandinho foram responsáveis por um dos shows mais importantes da minha vida. Porque, por mais que eu me esforce, eu jamais poderei traduzir em palavras o quão bem e feliz eles me fizeram.

Mama Wal, receba de joelhos, o meu mais humilde tributo. E você, Orlandinho, o meu mais forte e vibrante e emocionado abraço.

Anderson Passos

Viva La Forza De La Vita!!!!

Eis que meu sono se resume a pouco mais de três horas. A razão, como a de outrora, é plenamente feliz e justificada: chegou Heitor Diana Silva, o herdeiro da onipresente Marina Diana e do meu irmão Ferdinando. O MEU SOBRINHO!!!

Heitor chegou democrata, como foi a sua gestação: absolutamente transparente. Ocorre que por essas maravilhas de convênios médicos, aliado ao fato de que pertenço um bocadinho às famílias de um e de outro, eu e os familiares assistimos o parto, separados da grande e emocionante cena, apenas por um vidro no bloco cirúrgico da Maternidade Santa Joana.

Mas a dizer da minha felicidade, alguém poderá perguntar:

– Mas foi assim sussa?

Quase.

Primeiro que, ao chegar ao hospital, desencontrei-me da família e minha ansiedade era tanta que percorri a pé estacionamento, portaria, recepção e, chegando ao segundo andar, uma enfermeira tratou-me como se pai do bebê fosse, até que expliquei que era só o Tio Gaúcho.

Então a Fernanda Diana, esposa do Orlandinho e cunhada da Marina, trouxe a luz e os pais do Ferdinando quase que a tiracolo. E nos encontramos todos finalmente.

Marina faminta de fome e de sono. Nos olhos dela, o brilho da mãe esperança. Já Ferdinando, o orgulhoso pai, nos guiava com uma calma que eu jamais teria pelos corredores e com o mapa da mina da alegria e da felicidade.

Registre-se: mais tarde, ele seria auxiliado pelo Orlandinho, que já passou por dois partos: do meu sobrinho Guilherme e da minha princesinha Beatriz. Este meu irmão se movimentava com desenvoltura pelos corredores e explicava cada procedimento, cada passo. Diria eu que foi o co-piloto perfeito pois que a ansiedade tomava o ar.

Se eu me mostrava calmo – sem tremores até – os avós babavam, babavam e, ao nos despedirmos da nova super-mãe da família, já paramentada para o grande salto da vida no bloco cirúrgico, o choro foi livre, leve e solto. Não sei se disfarcei bem, mas creio que sim.

A seguir, chegamos à parede externa da sala de parto. E em pequenos flashes de luz, podíamos ver a Marina de frente para nós, a espera da anestesia a ser recebida na coluna.

De tão nervoso, o vô paterno Washington ia de um lado a outro do corredor. Filmou um parte em “janela vizinha” e advertiu: cenas fortes viriam. Para passar o tempo, Maria Lúcia, a vó paterna lembrava partos anteriores e já vistos.

Vanessa e Alexandre, os irmãos do Ferdinando, eram puro contraste: a primeira chorava solto vez em quando. Alexandre só tirava sarro berrando “olha lá”. Puro alarme falso. E nossa ansiedade queria puni-lo a cada brincadeira daquelas.

De repente, a imagem que ia e voltava foi ficando sem intervalos: coração apertado. Lágrimas da Marina de pura emoção contra nossas igualmente emocionadas, mas impotentes lágrimas, de quem apenas podia rezar e enviar pensamentos positivos.

– Deus, que angústia!!! – estou chorando agora, mas é de felicidade.

De repente, como num novo corte de uma cena tensa para a de uma aventura em alta temperatura, os médicos cercaram a pequena Marina. As mãos dela tremiam e eu tremia junto.

Dona Walkyria Diana estimava que a sala poderia estar gélida. Eu também. Mas algo me aborrecia.

– Que dor. Guenta pequenina, guenta!!! – berrava dentro de mim o mais alto possível.

Eis que o médico então fez-nos ver a cabeça de Heitor. Imagens da filmagem do Ferdinando mostraram que o cordão umbilical se enrolara duas vezes em volta do pescoço do moleque. Alívio.

Papai Ferdinando ergueu-se então de seu banquinho, onde conversava com a mãe Marina, chamado pelo médico que, por um dos ombros, ergueu o Heitor. Erguia-se um troféu. Choro, gritos.

O menino então, nos braços de uma enfermeira, me saiu do campo de visão e Ferdinando os acompanhava. Minutos de aperto nos olhos e no coração da Marina. Felizmente ele não demoraria.

Ferdinando contou mais tarde e isso é de arrepiar: o menino que chorara ao ser limpo por mãos estranhas a dos seus, silenciou ao perceber a voz e o cheiro da mãe que lhe acompanhou por maravilhosos nove meses e lhe acompanhará pelo restante dos tempos. Oxalá!!!.

A seguir, desfilou para a plateia incansável sob gritos e urros. E lágrimas sempre. No abraço caloroso de todos, desabei. Mas não sem perder a compostura, meu sobrinho. Fique certo. Seu Orlando, de poucas palavras e sorriso abundante, chorou sorrindo nos meus braços. Igualzinho ao natal anterior, que marcou o anúncio da gravidez.

A guerreira Marina Diana, guerreira tal e qual a mãe Walkyria Diana, diga-se de passagem, ainda enfrentou uma cirurgia para corrigir um problema gerado por uma cirurgia anterior de apendicite. Saí do hospital passava das 15h30min frustrado por não revê-la. O procedimento não terminara àquela altura.

Heitor ainda não pude pegar no colo. Farei-o. Mas foi lindo vê-lo no telão do hospital com seus 3,2 quilos e 49 centímetros de altura. Mais saudável, impossível.

Grazzie Dio, grazzie aos Dianas, grazzie aos Mariano da Silva. Viva La Forza De La Vita!!!!

Anderson Passos

Quatro anos

Era abril. Na minha terra fazia frio e de lá, numa noite, liguei no meu irmão aqui em São Paulo:

– Só preciso de um mês e de um chão para dormir.

Meu irmão disse-me não e não. As cachorras dele – duas à época – votavam com ele. Chorei, chorei como nunca antes talvez.

Terna, minha mãe viu meu desespero. E ela, que antes resistia que eu me fosse, finalmente disse-me um consolador:

– Vai, eu te ajudo.

Choro relembrando isso. Após a fala da minha mamita – beijos dona Sandrinha – fui à área ao lado de minha antiga casa e chorei abraçado à minha mascote Miúcha por pelo menos uma hora.

Vale registrar, sem ônus algum, que antes, minha mãe era só desconfiança daqueles Diana, representados pela Marina. Mal sabíamos – eu e a mama – que teríamos ainda a grata surpresa dos Mariano da Silva, do entusiasmado noivo dela à época – hoje um irmão e muito mais – o Ferdinando.

Mais louco ainda saber que uma menina conhecida via internet – como a Marina igualmente – seria minha acolhida generosa para uma amizade indefinível em palavras e mais surpreendente ainda em relação aos fatos protagonizados. Falo de Camila Gaya, de Paloma Angelo, de personagens que foram e dos raros que ainda ficaram no mais louco endereço da Vila Madalena.

Então veio o primeiro emprego, a carteira assinada e o salto mais ousado: morar só, o que ocorreu há exatos dois anos. Passo em que ainda persisto, em que ainda converso com minhas paredes, em que ainda canto a plenos pulmões junto às minhas pérolas musicais. Espaço acanhado, mas nem tanto. Limpo, sem ser brilhante. Acolhedor com quem merece.

E vim pra cá, no coração do centro da Pauliceia, graças à iniciativa da Marina Diana e do Ferdinando que juntaram meus cacarecos e, em duas viagens inesquecíveis, me fizeram chegar ao meu novo (agora já velho) endereço.

Como retribuir? Presença. Não de um Bradesco, mas vejamos:

Vi toda a escalada dos meus amigos de fé Marina e Ferdinando: o belo casamento, a morada inicial numa caprichada casa dos fundos dos pais dela. Finalmente a casa nova e as obras que a tornaram um palacete – onde pus mãos e risos à obra – e agora todos estamos às vésperas da espera do primo herdeiro Heitor.

E chega Natal e é sempre lá com os deles – meus também, lamento. Ano Novo é lá vez em quando. Páscoa agora tem caça ao coelho – que enlouquece as crianças e que eu nunca vi quando tinha a idade dos pequenos Guilherme e Beatriz. Aliás, pensou em festa, pensou Diana e Mariano da Silva.

A grande surpresa viria com a cumplicidade e amizade do Orlandinho, irmão da Marina. Outro dia vieram ele, Fernanda (esposa) e os já citados pequenos aqui em casa. Tremi e foi de plena felicidade.

Em São Paulo tenho pais postiços, que minha mãe reconhece, inclusive: dona Walkyria e seu Orlando Diana me concederam essa honra e espero sempre retribuir à altura da generosidade indescritível em palavras desses dois baluartes da vida.

São Paulo é solitária, desafiante, oscilante, suja, cultural, maluca, triste, arco de triunfo deste modesto escriba. Aqui cheguei há quatro anos. Vez em quando a solidão me oprime e me diz para ir embora. Chego quase ao ponto de ceder. Mas resisto.

Vem então a doença (Parkinson), dores musculares, caminhadas, tremores, ganho de peso, peso que não vai embora, ganho de problemas, dissabores. Parece o ensaio de fim do caminho. Parece, mas não é.

São Paulo foi e ainda me soa como a grande jornada a ser percorrida com sangue, suor, tremores e lágrimas, se necessário. É em tributo a essa cidade, às pessoas citadas acima que este blog – completando hoje três anos de existência – pausa os seus trabalhos para agradecer a toda essa turma por cada palavra, por cada gesto, pela aparentemente simples presença de cada um deles no caminho.

A todos eles o meu mais humilde muito obrigado, na esperança que as forças sigam sempre se renovando para permanecermos juntos, mesmo que vez em quando (e espero que raramente) distantes.

Anderson Passos

Páscoa em dois atos (final)

No sábado (7/4), depois de cortar o cabelo e andar da Faria Lima até em casa – em frente ao Copan – sob um sol de 30º, cheguei em casa e, mal saído do banho, me mandei para Cotia, na casa da onipresente Marina Diana.

No domingo de Páscoa, a minha famíglia paulista – os Diana e os Mariano da Silva – fariam um almoço. E lá estava eu entre a louça, uma ida à horta do Papa Orlando e da Mama Walkyria, um bom papo com os pequenos Guilherme e Beatriz, bem como com seus pais Orlandinho e Fernanda.

Maria Lúcia e Washington (pais do marido da Marina, o Ferdinando) trouxeram beringela misturada a azeitonas, pimentão, frutas cristalizadas. Iguaria que, se antes eu abominava, passei a gostar. Vanessa e Danilo, irmã e cunhado do Ferdinando, trouxeram o sorriso e a amizade legítima de sempre.

Mas o grande momento foi a caça aos ovos de Páscoa pelos pequenos, incluído aí o Heitor, o pujante garoto que Marina Diana espera. Desatento e desabonado, não presenteei ninguém senão, quem sabe, com minha presença.

Mas saí de lá carregado de doces, de carinho, de sorrisos, de tanto e de tão bom que em algum momento disfarcei as lágrimas abraçado ao Papa Orlando. E pensar que, no ano que vem, Heitor, de gatinhas, vai caçar seus primeiros ovos de Páscoa deixam a todos com olhar de sonho no rosto e no coração.

Que venham pelo caminho feriados como esse e mais e mais dias de júbilo e festa em família.

Anderson Passos

Nova pousada (Final)

Chegando em Cotia, uma rápida passagem pela casa do Orlandinho e uma correria para a casa da Marina, do Ferdinando e do Heitorzinho, o meu sobrinho que tá chegando em agosto. Somaram-se a nós dona Wal, o seu Orlando, o patriarca da família e a mascote Rebequinha.

Ferdinando deu trato à massa e aos temperos e as pizzas saíram espetaculares, exceção às doces – que abomino. Mas confesso ter tido inclinações para uma recheada de Confetes, aquele doce similar aos MMs.

Deu tempo ainda de lavar a louça e de faturar meu salário convertido em Toddão. Portanto, altíssimo. Eu e Ferdinando ainda fizemos uma rápida e sempre vibrante jogatina no Fifa 12.

Hora de partir e mal entradas no carro, as crianças Guilherme e Beatriz foram vencidos pelo sono. Pus a pequenina Bia na cama enquanto a Fefa cuidava do Guima.

A seguir, tomei chuveirada e dormi feito pedra – sem as crianças – que me despertariam de manhã com um sorriso lindo no rosto. Veio o começo da tarde na companhia do seu Orlando e da dona Wal para o almoço.

Como a segunda me esperava com trabalho já pela manhã cedo a trupe gentilmente me trouxe de volta para casa. E semana que vem tem mais atividades de Páscoa com a grande família paulista.

Anderson Passos

Meu sobrinho, Heitor

Lá vem Heitor cruzando a esquina, descendo ladeira, sorriso farto no rosto

Lá vem Heitor perpassando o verão, vendo as folhas caindo no outono

Heitor nos aquecerá no inverno

Virá com saúde, cabelos se avermelharão com o tempo

Hei de poder acariciá-los

Heitor rima com amor

Amor de Marina e Ferdinando

Amor de Mama Walkyria e Papa Orlando

Amor de Washington e Maria Lúcia

Amor de Orlando e Fernanda

Amor de Vanessa e Danilo

Amor de Guilherme e Beatriz

De Alexandre e Ana Paula

Amor de Alzira, do Tio Gaúcho e da irmã esbelta Rebequinha

Diria Luiz Caldas, haja amor

Virá Heitor, iluminado, iluminando, iluminista

Lá vem o Heitor campeão do carteado

Ansioso de jogar bola

De gritar para o mundo

De pedir água na pia para o tio que não deixa a louça acumular

Lá vem o Heitor que avisou em sonho “serei menino, serei Heitor, Mamãe me aguarde!

Me aguarde povo de Cotia, de São Paulo, do mundo”

Lhe aguardamos, Heitor…

Este já campeão do carteado

Heitor é do baralho!

Obrigado desde sempre, Heitor

Tremulam-me os sentidos, as mãos, as pernas

Caem-me lágrimas da mais plena felicidade

Obrigado, Heitor

Confirmada sua chegada você fez minha manhã inspirada

Você deu a nossas vidas sentido de vitória

Nem chegou e já traz a mais profunda sensação de felicidade

Heitor, o pacificador

Não sei se sabes, Heitor

Mas levas nome de maestro pioneiro

Eu fã do maestro soberano

Que responsa hein, Heitor?

Não há de ser nada

Serás gênio da raça

Vai chegar dando de goleada

Obrigado Heitor, querido sobrinho

Me debulho em lágrimas nesse longo sonetinho

Mas é de alegria, Heitor

Se tremo não repare, deixe de lado

Não será doença alguma

É a emoção de lhe esperar num longo abraço que se faz ansiosa

Heitor é o nome do herdeiro que Marina Diana e todos os citados nesse texto esperam.

Anderson Passos