Facebook (1)

Ingressei na tal rede social, muito contrariado. No passado eu tinha conta no Orkut e a desativei por conta de alguns dissabores.

Retomando com ferramentas sociais, evidente que abutres apareceram e os bloqueei de véspera. A coisa que mais surpreendeu foram imagens do passado que eu, honestamente, desconhecia.

A primeira, posta por Gabriela Prestes, remete a tempos felizes na Unisinos FM. Não, embora pareça, eu não dormia atrás do computador.

Que tempo bom que não volta nunca mais…

A imagem exibe ainda Ana Maria Acker (redatora), Patrícia Weber (editora), Aline Marques (redatora) e Gabriel Izidoro (locutor e pai de karaokês espetaculares).

Anderson Passos

Encontros e Desencontros (final)

Bem, se no posts anteriores eu disse de encontros, agora falo de algumas leves frustrações da minha viagem à terra do nunca (Porto Alegre).

Graças à TIM e a OI, a minha comunicação com os mestre Paulo Torino e Patrícia Weber ficou muito comprometida, senão inviável. Ocorre que a dupla, munida de meu fone fixo no sul e do meu celular de Sampa não conseguiu me encontrar. Nem eu a eles, pois que meu aparelho antigo devorara os contatos telefônicos deles.

Donde arrisquei: fui à casa deles na zona sul da cidade e dei com a cara na porta. Fiz isso posto que eles se dispuseram a me buscar em casa e eu não queria gerar essa epopeia farroupilha.

Da próxima viagem não passa, mestres.

Outra leve frustração foi não ter podido rever meus irmãos Douglas Lunardi e Andreia Fortis, que esperam para fevereiro o primeiro herdeiro. Ela em São Paulo – vejam só – e o meu amigo envolvido até o pescoço com trabalho e a reforma do quarto para o garoto que chegará. No dia do meu aniversário, Douglas escreveu-me saudando pela data, o que me comoveu de muito. E, se encontro não houve, vale dizer que o e-mail do meu irmão foi um gesto que fez o casal ficar mais próximo deste cronista.

A comunicação e a agenda em casa, preenchida por poucos parentes que lá de casa quase não saiam também me impediram de rever as minhas saudosas Roberta Lemes, Valesca Nunes, a família Izidoro – da gélida Caxias do Sul – e Fabiane Cristhaldo, a última ex-colega de uma Rádio Guaíba que nem de perto soa como a atual.

Que 2012, a agenda e os astros nos ajudem a me recuperar com eles.

Anderson Passos

O novo Chico

Ousado, meu irmão mais velho vaticinou que Chico Buarque nada mais fez de marcante pela música brasileira desde Construção. Como se vê, a opinião é sujeita a polêmicas e meu irmão teria como companheiro de crítica o Juremir Machado da Silva e um ou outro gato pingado.

A primeira menção ao Chico que fiz, conta meu pai, se deu quando da minha janela, no bairro Partenon, em Porto Alegre, eu via a torre da Igreja de São Jorge, e tentei cantar O Que Será. Tinha menos de cinco anos, seguramente. Pois que lembro da cena, mas não precisamente da idade.

Anos mais tarde, lá nos nossos fantásticos jogos de botão na casa do Daniel de Mendonça, grande amigo gênio do Direito e das letras, me falou da genialidade da letra de Meu Guri, citando que o escrito, por si só, cabia como uma luva na descrição de um amigo nosso comum. Burramente, naquele tempo, eu achava Renato Russo e o rock brazuca das coisas melhores que se podia ouvir. Ouvido medíocre o meu.

Então os anos foram passando e, chegando à 103.3, frequência da Unisinos FM, encontrei mestre Torino, Patrícia Weber, Gabriel Izidoro, Douglas Lunardi e o poeta Alessandro Varela, este com uma visão única da obra do grande Chico. Luz tamanha que me varou e me convenceu de quão burro eu era até ali.

E a minha consagração foi levar o poetinha ao show do poeta maior no Teatro do Sesi, em Porto Alegre, com direito a Luiz Fernando Veríssimo a nos ladear na plateia. Choro de leve de saudade do meu irmão poeta por agora.

Escrevo escrevo e nada digo. Alegria, chegou novo Chico, que ouço encantado num site especialmente criado para recebê-lo. E a dizer da faixa Querido Diário – que ouço sem parar, vendo filmes na cabeça passando, com saudades de todos que um dia foram meus – digo que o grande Chico vem para os braços do povo não sem tempo.

Anderson Passos

Unisinos FM (7)

Aquele Dia das Mães foi cruel com o Homem Mau. Ocorre que não havia telefones funcionando na universidade, senão os nossos celulares. E a entrevista agendada com Juca Chaves não pôde ser veiculada. Pior, os ouvintes também não poderiam ligar. E interatividade em rádio é como o sangue nas veias. Vital.

Então tomamos uma decisão drástica: xingamos as mães do pessoal da empresa telefônica que nos tirara do contato com o mundo. Na hora, embalei no xingamento junto com a turma, depois freei o ímpeto. Mas já era bem tarde para voltarmos atrás naquele abuso.

O nosso argumento é que, semanas antes, já tínhamos mencionado com galhardia o termo “putas” no ar. Isso numa emissora que apesar de tocar blues, ser jornalística e estar no FM, era jesuíta de quatro costados.

Bem, eu dizia das putas e explico nosso argumento mais claramente: se mencionamos termo tão podre, que mal pode haver num desejo de câncer para a mãe do cara que tirou os telefones do ar?

No nosso caso, infelizmente ou não, todo o mal: dona Gládis, a mãe do mestre Paulo Torino, era nossa ouvinte número 1 – e não sabíamos disso, claro.

E claro que ela ficou escandalizada e, segundo o mestre, ela recomendou a ele de que aquilo estava passando de todos os limites.

Na segunda-feira seguinte àquele programa, Torino chegou à emissora vestindo o vermelho da Ferrari, no que vendo a cara do homem, ainda brinquei:

– Vermelho da Ferrari, mestre?

Ele não riu, não esboçou emoção nenhuma. Apenas me pediu o CD com o áudio do programa. Escutou, voltou à redação, tarjou com pincel atômico no disco o termo SUSPENSO e ali enterrou-se o Homem Mau.

Mas ele voltaria, tal como os mortos voltaram do lado de lá em Thriller, de Michael Jackson. A diferença é que o nosso defunto voltaria de fraque.

Anderson Passos

Unisinos FM (6)

Passei a produzir em paralelo as atrações culturais da Unisinos FM e o Programa do Terrível Homem Mau. O ano era 2002 e, como era ano de Copa do Mundo, ainda tentamos emplacar uma cobertura via tubo do evento esportivo. Paramos na ave de rapina Flávio Bernardi, o gêniozinho musical, apesar do empenho sem igual do mestre Torino.

Mesmo assim, a mesma equipe do Homem Mau conseguiu inserir programetes sobre o evento esportivo, cujo primeiro teve como convidado ninguém menos do que Juca Kfouri.

Mas estou tergiversando, diria a Dilma. Então falemos do Homem Mau. Ficamos no ar por quase um ano. Dos seus primórdios, algumas mudanças: o programa passou a ter roteiro e era transmitido ao vivo aos sábados, à tardinha, sempre estourando o tempo previsto de 30 minutos no ar. Isso de estourar o tempo foi uma rotina, aliás.

Por algumas edições, o Bad Man ganhou o valioso acréscimo de Alex Vitti e suas chamadas ao longo da programação, submetidas ao exigente crivo de Paulo Torino, eram aprovadas com vibração juvenil do mestre.

As vinhetas também tinham uma característica especial: a voz notável de Euclides Bitelo que, sem imitar ninguém que não a si próprio, trazia textos das mais diversas personalidades como Adilson Maguila Rodrigues e Mohamed Ata. O texto do último era algo como “se eu tivesse ouvido o Programa do Terrível Homem Mau, eu nunca teria aprendido a voar”. Em tempo, Ata é um dos pilotos de um dos vôos que atingiu as torres gêmeas do World Trade Center em 11 de Setembro.

Além dessas barbaridades, O Homem Mau colocou no ar gente de diversos calibres como Kakinho Big Dog, Enéas Carneiro e lançou um artista para o mundo de nome Carlos Miranda, cujos nossos comentários abalizados lhe valeram – provavelmente – a venda de uns dez CDzinhos.

Mas o programa sarcástico não duraria muito tempo numa rádio jesuíta. E o final veio num Dia das Mães.

Anderson Passos

Unisinos FM (4)

– Eu vou precisar de um produtor cultural para cobrir a Feira do Livro e vou te chamar.

A fala é do professor de rádio e diretor da Unisinos FM 103,3, Paulo Torino para esse encagaçado sujeito em 2001. Algumas aulas mais se foram, e o homem só me lembrou de ficar escutando a emissora para me ambientar aos comunicadores e ao estilo da mesma.

Por muito tempo não disse mais nada e eu até pensei que ele tinha esquecido do assunto de me chamar para produzir a Feira do Livro de Porto Alegre daquele ano.

Mas, após outra aula, ele sacramentou:

– Vai na minha sala amanhã à tarde.

Eu, que trabalhava numa produtora de vídeos como roteirista recebendo trocados, dei adeus ao trabalho insalubre e voei para São Leopoldo.

Fui apresentado por Torino à equipe e tenho especial lembrança de falar com a locutora Márcia Ganzer, a quem eu ouvira nas tardes que antecederam a reunião que selaria minha vinda.

No dia seguinte cheguei cedo – costume que nunca perdi – e, de tão ansioso, fui almoçar com meus mestres Torino e Pati Weber sem conseguir tocar na comida. Tremia horrores.

Naquele dia produzi exatamente duas miseráveis notas. E todos me disseram, confiantes.

– Vai embalar, não te preocupa.

E embalou mesmo.

Anderson Passos