Pit Stop

Outro dia entrei em casa e, sob a minha porta, um envelope dos correios me surpreendia. Pensei até que pudesse ser uma carta da mama. Mas nem por isso deixou de ser grata surpresa.

O envelope vinha recheado pelo jornal Pit Stop, dedicado ao automobilismo e nele estão contempladas todas as categorias nacionais e grande parte, das internacionais inclua-se a Nascar americana ou a Fórmula 1. O projeto é do meu mestre soberano e incansável Paulo Torino.

O jornal impressiona não só pelo conteúdo, com fotos espetaculares – o que todo documento sobre automobilismo deve primar – mas pelo expressivo número de anunciantes.

Corri os olhos dedicadamente pelas páginas quando, chegando à página 24, encontrei uma matéria assinada pelo mestre onde ele se perguntava onde estava o público que simplesmente foi decepcionante quando da passagem do Mundial de Endurance, por Interlagos.

A maior homenagem estava naquelas linhas quando o mestre registrou minha opinião sobre o evento, a de que os preços eram demasiado altos, daí a fuga de espectadores.

Escrevo esse texto, claro, em tributo ao mestre, que hoje completa mais um ano de vida, de sabedoria, de empreendimento, de luta, de jornalismo. Escrevo para parabenizá-lo, agradecê-lo, louvá-lo, como todo aprendiz deve humildemente fazer aos seus mestre. Breve vou a Porto Alegre onde espero agradecê-lo com todo o meu entusiasmo ao vivo e em cores.

Grazzie mestre soberano, Paulo Torino!!!

Anderson Passos

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Fim do automobilismo

O desabafo é do Flávio Gomes, um senhor colunista de automobilismo. O texto é digno de reflexão… É longo, mas vale à pena. Foi enviado pelo meu mestre soberano, Paulo Torino.

Hoje é sábado e não tem nada muito interessante na cidade. Não tem virada cultural, nem micareta. Não foi feriado ontem, nem será segunda. Não há decisão nenhuma de campeonato de futebol, nem inauguração de shopping. Nenhum grande comício está marcado para lugar algum. Não há previsão de estreia de algum blockbuster no cinema. As Casas Bahia não agendaram nenhuma grande liquidação. Estamos longe do Natal e o movimento da 25 de Março é normal. Não é ano de Copa do Mundo e o Brasil não joga hoje. Não há crise econômica e está todo mundo bem de grana. Não está frio, nem calor. Não chove, não venta, faz sol. O dia está lindo. O trânsito está bom.
Há, em Interlagos, uma corrida de seis horas de duração, que nem é tanto tempo assim. Antigamente, faziam por aqui 12 horas, 24 horas, Mil Milhas varando a noite e a madrugada. No caso da corrida de hoje, serão seis horas sem grandes problemas, num dia ensolarado e gostoso. E, na pista, os carros de corrida mais espetaculares do mundo. Um programão.
E não tem ninguém no autódromo. As fotos acima foram feitas ao final da primeira hora da corrida. Lá no Setor A, as arquibancadas de concreto descobertas, tem um pouquinho mais de gente. Um tiquinho só. Sou especialista em público em eventos esportivos. Rato de estádio, sabem como é? Não tem 3 mil pessoas nas arquibancadas de Interlagos. Com boa vontade, 5 mil contando as pessoas que estão no paddock, como convidados ou tendo pagado ingresso.
Os organizadores dirão que foi um sucesso e que vendeu muito mais. Os discursos serão otimistas e ninguém terá coragem de admitir que o evento, em termos populares, foi um fracasso. Sinceramente? Não me importa quem vai mentir para quem, e quem vai acreditar e fingir que nada está acontecendo. O que estou escrevendo está longe de ser uma crítica aos organizadores. A corrida é uma graça, uma delícia, um encanto. OK, se não tem montanha-russa ou cinema 3D, se as atrações são modestas, se os preços dos souvenirs são absurdos (150 paus um boné é para enfiar o dedo no rabo e rasgar), nada disso pode ser usado como explicação para o público irrelevante. Fez-se o que era possível. E estamos falando de uma corrida de carros. O principal está aqui: grandes carros, grandes pilotos. Um espetáculo maravilhoso. “Ah, não teve divulgação!”, dirá alguém. Ora, ora… Emerson Fittipaldi passou três horas ao vivo no “Esporte Espetacular”, domingo. Foi a todos os programas possíveis da Globo e da Sportv. Deu centenas de entrevistas a jornais, revistas, emissoras de rádio, sites e blogs. Nunca apareceu tanto, como promotor da prova e como protagonista de uma efeméride das mais importantes: os 40 anos do primeiro título mundial do Brasil na F-1, dele mesmo.
O cenário não poderia ser melhor. Emerson falando o tempo todo de sua corrida para milhões de pessoas através da mídia, preços de ingressos razoáveis, grandes atrações na pista, um brasileiro, Lucas di Grassi, escalado para correr na Audi, a favorita à vitória. Dá para explicar por que ninguém veio a Interlagos?
Dá. E a corrida de hoje deve servir como o último pedido de socorro do automobilismo no Brasil. As pessoas que vivem de automobilismo aqui — dirigentes, pilotos, mecânicos, chefes de equipe, autoridades esportivas, jornalistas, promotores, patrocinadores, organizadores — precisam assumir: ninguém mais liga para esta merda.
Não fiquem zangados. É preciso ser humilde, agora. Essa gente toda (incluo-me; portanto não me encham o saco) tem de entender que o tanto que gostamos desse negócio é inversamente proporcional à quantidade de gente que gosta como a gente. O automobilismo, nos últimos anos, cresceu apenas nos custos. E foi se distanciando do gosto popular. Das pessoas. Dos fãs. O automobilismo, hoje, desperta apenas indiferença. Que é o pior dos mundos. Ninguém odeia o automobilismo. As pessoas são apenas indiferentes a ele.
O mundo das corridas é rico. Rico porque quem o pratica precisa gastar muito dinheiro para fazer com que ele exista. Mas é feito por ricos e para ricos. Virou um nicho. E além de exigir muito investimento em equipamento e tecnologia, também precisa de grandes espaços, arenas enormes e caras, de manutenção difícil, quase inviável, e rentabilidade baixa. O mundo do automobilismo é um contra-senso. Ninguém gosta, não atrai público, vive de trocas de favores e de “marketing de relacionamento”, não tem nenhuma importância, movimenta fortunas e depende da boa-vontade do poder público. É difícil acreditar que ainda não tenha sido extinto.
Se uma corrida como essa aqui é incapaz de colocar 20 mil pessoas em Interlagos, é porque, realmente, chegou-se a um ponto-limite. Está na hora de parar para entender o que está acontecendo. Dispensando, por favor, os discursos mais fáceis e óbvios — as pessoas têm mais opções de lazer, a TV a cabo, os parques, os patinetes, as bicicletas, o Domingão do Faustão, o iPad, o smartphone, a putaquepariu.
Não é nada disso. Nada disso. O lazer das pessoas e seus interesses estão em permanente mutação. No período em que o automobilismo foi mais popular no Brasil, estavam surgindo a TV a cores, depois os computadores pessoais, as novas modalidades esportivas, as revistas de mulher pelada, os festivais de rock, a música sertaneja e o caralho a quatro. Concorrência sempre houve entre tudo e todos.
Não é o surgimento de algo específico, sei lá, como o Michel Teló, que explica a morte do automobilismo.
Sim, morte. Porque quando se vê mais ou menos no mesmo momento histórico o fim de um autódromo como Jacarepaguá, a extinção das categorias de base, a irrelevância do kart, a transformação de campeonatos de turismo com enorme variedade de modelos em torneios monomarca fechados ao público, a estiagem de pilotos em categorias de ponta, um de seus maiores jejuns de pódios e vitórias na F-1, a inexistência de ídolos, a pobreza técnica daquela que se imagina a principal categoria do país, é porque este negócio morreu.
O deserto de almas hoje em Interlagos é prova disso. Ninguém deve se contentar com as migalhas. “Ah, vai, até que tinha bastante gente…”, dirá alguém. Não tinha. “Ah, o Setor A estava cheio!”. Não estava. As pessoas precisam parar de se enganar. Assumir que acabou e é preciso começar de novo. Compreender que na origem de tudo está a relação homem-automóvel. O que o carro significava para o jovem antes — liberdade para ir e vir, escolher seus caminhos, viajar, descobrir coisas, trepar no banco de trás, sair rumo ao desconhecido — e o que significa hoje — prisão ambulante, ameaça de assalto, alvo de radares e agentes de trânsito, despesa de estacionamento, IPVA, seguro e gasolina. É preciso ser honesto e, de novo, humilde. Aceitar que o que a gente acha legal demais, para a imensa maioria das pessoas é um nada absoluto. O que era um motivo de orgulho, um objeto de desejo e paixão, é hoje um estorvo.
Esta semana, participei de um negócio chamado Desafio Intermodal em São Paulo. Várias pessoas sairiam às 18h do mesmo ponto, uma praça na Zona Sul da cidade, para ir até a Prefeitura, no Centro. Cada uma de um jeito: correndo a pé, de bicicleta, skate, ônibus, metrô & trem, patins, bicicleta de mão, helicóptero, caminhando, de cadeira-de-rodas, camicleta, muleta, patinete, moto, lombo de jegue e sei lá mais o quê. Eu fui escalado para ir de carro. Cheguei em penúltimo. Cumpri o trajeto em 1h41min. A menina que foi a pé caminhando chegou um minuto depois. Ganhou o cara do helicóptero, com 22 minutos. A bicicleta chegou logo depois.
Errei uma saída, me fodi no trânsito, poderia ter chegado em mais ou menos 1h15min se escolhesse um caminho convencional, mas tentei fugir dos congestionamentos e tomei na tarraqueta. Foda-se, não era uma corrida, não queria ganhar de ninguém, e jamais seria burro o bastante para ir de carro ao centro da cidade naquele horário. Fiz apenas para participar daquele negócio, me pediram. Mas notei, quando me apresentei à chefia para registrar meu tempo, que todos os ciclistas, skatistas, patinadores, corredores, andarilhos, cadeirantes, peregrinos, amputados, aviadores, eunucos e eco-malas em geral olhavam para mim como se eu fosse o maior otário do planeta. Riam com nojo e desprezo e me miravam como se estivessem diante de um bobo-da-corte abjeto e decadente. Notei que aquela molecada toda me tinha por uma peça de museu empoeirada cheia de ácaros, hostil ao meio-ambiente, um vilão purulento, um pária, responsável pela destruição da camada de ozônio, o inimigo número 1 dos micos-leões, das ariranhas, das capivaras e das formigas-de-rabo-vermelho. Caguei para as formigas, quero que pegue fogo no rabo delas, e por mim as capivaras podem, todas juntas, ir à puta que pariu junto com as ariranhas, os pandas, os gnus e os gatos persas.
Tive ganas de subir num caixote e desafiar todos eles a alinharem comigo com suas bicicletas de titânio do caralho, ou com seus patins da puta que o pariu, ou com seus tênis Nike com amortecedor para ver se seriam capazes de chegar na frente do meu carro, qualquer carro meu, numa competição direta e reta numa pista de verdade. Pensei em perguntar àqueles babacas todos se quando eles vão para Maresias encher a cara de vodca com energético na balada, ou para Brotas descer uma corredeira e fumar maconha, vão a pé, de bicicleta, asa-delta ou de patinetes. Se podem abrir mão do carro em suas vidas. Se deixariam o conforto do ar-condicionado e do motor a explosão que os move para descer a serra de skate.
Mas é o mesmo sentimento que a molecada tinha em relação a mim. A garota que chegou a pé um minuto depois do meu carro estava puta e inconformada, queria ter ganhado de mim, queria que meu carro perdesse de todo mundo, fosse humilhado e esmagado. Ela tinha pelo meu carro o mesmo desprezo que eu tenho pelas ararinhas azuis e pelas trilhas no meio do mato, queria que eu e todos meus carros fôssemos à puta que pariu. Eu era, para ela, o passado e o culpado pelo fato de o planeta ao qual ela chegou vinte anos depois de minha simpática e doce pessoa ser uma latrina. Bem, eu quero que ela se foda, se a menina acha legal andar 15 km a pé no meio da cidade para ir de um ponto a outro, que ande. O mesmo ela deve pensar de mim, se esse babaca quer poluir o ar com seu monte de lata velha e ficar uma hora e meia parado no trânsito respirando gás carbônico e correndo o risco de ser assaltado, que fique.
Ocorre que aos olhos dela e de muita gente, ela é o futuro. Eu, o passado. Ela, a vítima. Eu, o culpado.
É isso, meninos e meninas. Nós, que gostamos de carros, somos os atuais culpados. É preciso começar a discutir a morte do automobilismo a partir daí, da vilania à qual o automóvel foi relegado. Compreender o que está acontecendo e pensar no que pode ser feito.

Anderson Passos

Eu e o mestre

Na semana passada, recebi um informe da minha orientadora da graduação, Patrícia Weber, sobre a chegada do mestre Paulo Torino a São Paulo donde não titubeei em resposta: vou recebê-lo. Isso porque foi ele a primeira pessoa a me dar uma oportunidade na área, quando atuei na Unisinos FM, 103.3, de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, há exatos dez anos.

Então fui às proximidades do Aeroporto de Congonhas e encontrei o mestre tostado de sol e brinquei:

– Veraneando na Pauliceia, mestre?

Então o mestre, sempre um realizador, me contou mais uma de suas proezas. Que se aposentara do batente jornalístico e investira suas forças no projeto de um jornal voltado ao automobilismo, sua grande paixão. O “bronzeado” se devia aos dois dias batendo perna em Interlagos, onde conversou com possíveis anunciantes.

Tudo isso depois, claro, de um outro revés profissional que nem vem ao caso comentar porque a notícia é esta: o mestre continua com a criatividade e o desejo de fazer o que gosta pulsantes.

Grazzie e buona sorte, mestre soberano

Anderson Passos

Encontros e Desencontros (final)

Bem, se no posts anteriores eu disse de encontros, agora falo de algumas leves frustrações da minha viagem à terra do nunca (Porto Alegre).

Graças à TIM e a OI, a minha comunicação com os mestre Paulo Torino e Patrícia Weber ficou muito comprometida, senão inviável. Ocorre que a dupla, munida de meu fone fixo no sul e do meu celular de Sampa não conseguiu me encontrar. Nem eu a eles, pois que meu aparelho antigo devorara os contatos telefônicos deles.

Donde arrisquei: fui à casa deles na zona sul da cidade e dei com a cara na porta. Fiz isso posto que eles se dispuseram a me buscar em casa e eu não queria gerar essa epopeia farroupilha.

Da próxima viagem não passa, mestres.

Outra leve frustração foi não ter podido rever meus irmãos Douglas Lunardi e Andreia Fortis, que esperam para fevereiro o primeiro herdeiro. Ela em São Paulo – vejam só – e o meu amigo envolvido até o pescoço com trabalho e a reforma do quarto para o garoto que chegará. No dia do meu aniversário, Douglas escreveu-me saudando pela data, o que me comoveu de muito. E, se encontro não houve, vale dizer que o e-mail do meu irmão foi um gesto que fez o casal ficar mais próximo deste cronista.

A comunicação e a agenda em casa, preenchida por poucos parentes que lá de casa quase não saiam também me impediram de rever as minhas saudosas Roberta Lemes, Valesca Nunes, a família Izidoro – da gélida Caxias do Sul – e Fabiane Cristhaldo, a última ex-colega de uma Rádio Guaíba que nem de perto soa como a atual.

Que 2012, a agenda e os astros nos ajudem a me recuperar com eles.

Anderson Passos

O novo Chico

Ousado, meu irmão mais velho vaticinou que Chico Buarque nada mais fez de marcante pela música brasileira desde Construção. Como se vê, a opinião é sujeita a polêmicas e meu irmão teria como companheiro de crítica o Juremir Machado da Silva e um ou outro gato pingado.

A primeira menção ao Chico que fiz, conta meu pai, se deu quando da minha janela, no bairro Partenon, em Porto Alegre, eu via a torre da Igreja de São Jorge, e tentei cantar O Que Será. Tinha menos de cinco anos, seguramente. Pois que lembro da cena, mas não precisamente da idade.

Anos mais tarde, lá nos nossos fantásticos jogos de botão na casa do Daniel de Mendonça, grande amigo gênio do Direito e das letras, me falou da genialidade da letra de Meu Guri, citando que o escrito, por si só, cabia como uma luva na descrição de um amigo nosso comum. Burramente, naquele tempo, eu achava Renato Russo e o rock brazuca das coisas melhores que se podia ouvir. Ouvido medíocre o meu.

Então os anos foram passando e, chegando à 103.3, frequência da Unisinos FM, encontrei mestre Torino, Patrícia Weber, Gabriel Izidoro, Douglas Lunardi e o poeta Alessandro Varela, este com uma visão única da obra do grande Chico. Luz tamanha que me varou e me convenceu de quão burro eu era até ali.

E a minha consagração foi levar o poetinha ao show do poeta maior no Teatro do Sesi, em Porto Alegre, com direito a Luiz Fernando Veríssimo a nos ladear na plateia. Choro de leve de saudade do meu irmão poeta por agora.

Escrevo escrevo e nada digo. Alegria, chegou novo Chico, que ouço encantado num site especialmente criado para recebê-lo. E a dizer da faixa Querido Diário – que ouço sem parar, vendo filmes na cabeça passando, com saudades de todos que um dia foram meus – digo que o grande Chico vem para os braços do povo não sem tempo.

Anderson Passos

Unisinos FM (8)

A chance do Homem Mau voltar à cena disfarçado veio quando fui convidado a co-apresentar e produzir o Moviola, em seguida ao falecimento do Bad Man. O meu nome foi sugerido ao mestre Torino pelo grande amigo Zé Fernando Cardoso.

Ocorre que, logo que cheguei à rádio, eu ajudava a ele e à Márcia Ganzer – titulares do programa – com contatos de pessoas do mundo do cinema gaúcho ou brasileiro ou sugeria pautas – o que não era muita coisa – e acho que isso gerou empatia.

O estágio da Márcia se encerrou enquanto mais ou menos começava. Então o Zé Fernando procurou o mestre Torino e sugeriu meu nome para ajudá-lo, sem que eu fizesse absolutamente nada que me habilita-se a tanto, penso hoje.

Claro que topei o desafio e eu e o Zé fizemos grandes entrevistas com as musas Marina Person, Carla Camuratti e, de repente, passado algum tempo, ele (o Zé) achou que tinha que ter uma nova faixa musical na programação: o Superbacana.

O Zé Fernando então deixou o “Mariola” e eu apressei a inclusão do homem mau Gabriel Izidoro e, mais tarde, do repórter cultural Alessandro Varela para me ajudar no programa de cinema da 103,3.

E o melhor do Mariola renovado, Bad Man, não foi ao ar. Primeiro porque se diziam barbaridades e, segundo, porque o Torino um dia invadiu o estúdio enquanto gravávamos o programa e cravou:

– Tem conversa demais e música de menos.

E assim, o Varela, que contava até o final dos filmes, acabou tendo de deixar o projeto dedicando-se a coberturas especiais, como Feiras do Livro, pré-estreias, livros, entre outros.

Uma memória linda do Moviola vem da Feira do Livro de 2003, quando transmitimos o mesmo ao vivo da Praça da Anfândega. Fizemos eu, Varela e Izidoro um programa que, humildemente, considero vigoroso, letárgico, no bom sentido.

Tínhamos conosco o crítico de cinema Heitor Goidanich, o Goida, como convidado. À época, ele lançava um livro sobre os filmes que mais o impressionaram numa trajetória de anos. E o resultado foi uma aula da Sétima arte. O autógrafo no exemplar que deixou de presente dá muito orgulho pois que dizia que nunca concedera uma entrevista tão indolor.

A rádio Unisinos FM ainda proporcionou aulas de companheirismo inigualáveis. Conto mais no próximo post.

Anderson Passos