A arrogância e a cegueira

Sou gaúcho e, portanto, posso falar com tranquilidade absoluta pelo tema. A arrogância cujo lema “melhor em tudo” parece inesgotável ganha ares cada vez mais burlesco. Só dois exemplos:

Recentemente uma turma foi pra frente da prefeitura contrária ao aumento das passagens no transporte coletivo. E, como a justiça decidisse pela ilegalidade do reajuste, o mesmo caiu e a corja, empoderada, fez pequena tomada da Bastilha a comemorar nas ruas. Muita calma, pessoal. Releiam o parágrafo por completo: foi decisão judicial e não pressão popular a causadora do fato.

Aí, para coroar, o personagem Kiko, do seriado Chaves, foi escolhido o Embaixador da Copa do Mundo da sede gaúcha. Isso é o que eu chamo de consciência política e cidadã.

Cada dia me “orgulho” mais e mais da minha terra.

Anderson Passos

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Solidariedade rara (1)

Como atleta, sempre gostei do argentino Barcos. Jogaria fácil no meu Fluminense, ainda que fosse um pega pra capar a busca pela titularidade com Fred. Mas não é o futebol que vem ao caso.

Dia desses, uma pequena torcedora do Grêmio, Gabrieli Van Oudheusden Medeiros, de apenas 3 anos e, tristemente diagnosticada com leucemia, ficou conhecida pelo País afora ao vestir, no leito do Hospital Universitário de Santa Maria (RS), a camisa do clube do coração e comemorar, a la Barcos, como o pirata artilheiro, um gol imaginário. A pequena guerreira só queria uma coisa: a visita do avante.

E eis que o craque, de grande coração e sem nenhum alarde, foi até a pequena e, de ver a imagem, meu coração ficou em festa. E, felizmente, ainda haveria mais.

Anderson Passos

O triunfo do supérfluo

Descobri que tem um concurso para Miss Bumbum. E, mais perplexo ainda, soube pelos portais de internet, em especial, que as candidatas têm feito campanha de forma inusitada.

No afã de eleger suas nádegas como as mais belas do Brasil, elas têm se permitido fotografar a torto e à direito, sempre evidenciando os glúteos. Se, em paralelo, a moça combinar uma cara de safada na foto, melhor ainda.

Agora, o melhor desse noticiário é que a candidata gaúcha teria usado de produtos químicos para tornear ainda mais suas carnes. Estou tentando imaginar quais, juro.

O mais surpreendente é que tal conduta representa grave irregularidade e possibilidade de eliminação do tal concurso. Uma notícia muito preocupante em se tratando da gauchada, que se imagina ser o centro do universo.

Anderson Passos

O tigre de Alegrete

Tenho um tio distante que tem fazenda, algum dinheiro, família, tudo certinho. Ele deve ter perto de 70 anos e um belo dia minha mãe liga escandalizada.

– Arrumou uma amante de 17 anos.

Eu dei risada, claro. Nem o fato de minha tia acordar bebendo uma latinha de cerveja – das dezenas que ela consome ao longo do dia – me deixou chocado.

Bem, mas já falei da diferença de idade. E claro que meu tio alegretense tinha que cometer uma tigrada. Sim, ele tomou viagra para fazer uma bela performance para sua gatinha e eis que teve uma parada cardíaca.

Recentemente, todos correram a Porto Alegre a procura de um hospital que pudesse atendê-lo naquele estado urgente.

No hospital, mesmo acamado, o homem ouve da mulher.

– Da próxima vez toma uns 50 azulzinhos pra não dar despesa, filhodap*#$

Anderson Passos

O jeito Record de fazer “jornalismo”

Essa história é real, antes que um pastor e seus asseclas venham amaldiçoar esse já amaldiçoado cronista.

Outro dia, uma dupla de profissionais da Record resolveu dar uma pausa para o jantar em Porto Alegre. Assim, parou o carro da emissora nas proximidades de um restaurante e eis que, ao retornar, o carro fora arrombado e equipamentos de gravação – câmera e tripé – foram roubados.

A história foi registrada na polícia e, surpresa, os dois “esfomeados” foram demitidos de suas funções dias depois do fato.

Será que o diabo lhes apossou o corpo e fez com eles ter conluio com os ladrões? Talvez seja essa a tese mais provável da emissora do “santo” Edir Macedo. E o Sindicato dos Jornalistas varonis do Rio Grande do Sul? Também está pagando dízimo para a canalhada do bispo?

Sem mais.

Anderson Passos

Eu e o mestre

Na semana passada, recebi um informe da minha orientadora da graduação, Patrícia Weber, sobre a chegada do mestre Paulo Torino a São Paulo donde não titubeei em resposta: vou recebê-lo. Isso porque foi ele a primeira pessoa a me dar uma oportunidade na área, quando atuei na Unisinos FM, 103.3, de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, há exatos dez anos.

Então fui às proximidades do Aeroporto de Congonhas e encontrei o mestre tostado de sol e brinquei:

– Veraneando na Pauliceia, mestre?

Então o mestre, sempre um realizador, me contou mais uma de suas proezas. Que se aposentara do batente jornalístico e investira suas forças no projeto de um jornal voltado ao automobilismo, sua grande paixão. O “bronzeado” se devia aos dois dias batendo perna em Interlagos, onde conversou com possíveis anunciantes.

Tudo isso depois, claro, de um outro revés profissional que nem vem ao caso comentar porque a notícia é esta: o mestre continua com a criatividade e o desejo de fazer o que gosta pulsantes.

Grazzie e buona sorte, mestre soberano

Anderson Passos

Do engajamento

Eu lembro de, numa época distante, ter sido estagiário simultaneamente na rádio FM da universidade onde estudei e de trabalhar como rádio-escuta no governo do estado do Rio Grande do Sul, gestão Olívio Dutra.

Para quem desconhece o jargão jornalístico, rádio-escuta é o peão da assessoria de imprensa que comunica que determinado apresentador, de determinada rede, está dando um malho e que um direito de resposta pode, eventualmente, inibir estragos à imagem, etc.

Mas eu dizia de engajamento e, mesmo naquela época o meu era zero, estritamente profissional. Tanto era que um colega da FM, sempre que me via chegar, sapecava:

– Chegou o vermelho.

Quando na verdade, outro colega em comum relatou, vermelho (era uma forma que usávamos para classificar petistas) era o meu próprio crítico que tinha ficha partidária, carteirinha, o escambau e, ao que leio por aí, ainda tem e usufrui consideravelmente dela.

Volto ainda aqueles tempos para acrescentar que tanto meu engajamento foi zero que Olívio não se reelegeu, assumiu Germano Rigotto (PMDB) e eu me mantive nas funções até o final do meu estágio e fui recomendado para atuar na Assembleia Legislativa. Tudo por méritos profissionais e não necessariamente por cores partidárias.

Eu dizia de engajamento e vou terminar. O meu último resquício dele, que ainda mantenho vivo, é o de jamais trabalhar para qualquer maldito pastor evangélico. A Record, por exemplo, paga mais? Pode até pagar, mas a grana me parece vir suada de gente humilde, descerebrada, que aposta todos os seus quinhões na roda viva das madrugadas de um Fala Que Eu te Escuto da vida. Donde, com orgulho, afirmo: que vão de retro, como eles mesmos gostam de dizer.

Agora encerro o texto: eu não lembrava de um último ato de engajamento meu até que ontem, lendo o blog do Juca Kfouri, me deparei com uma petição para trocar o nome do Engenhão, hoje creditado a João Havelange, para o jornalista João Saldanha.

Justificava o Juca que, dadas as denúncias de pagamento de propina pela Justiça da Suíça ao ex-dirigente maior da Fifa e da CBD, não havia sentido manter a homenagem a Havelange. No que estou amplamente de acordo. Ademais, fã de carteirinha do João Saldanha – herança do meu amado avô Prony da Silva Passos – e do próprio Juca, que sempre me acolheu amavelmente, fui lá e assinei a petição.

Pra chegar ao Blog do Juca, o caminho é este. Para assinar a petição para o Botafogo criar vergonha na cara e saudar um de seus mais ilustres torcedores, clique neste espaço.

Anderson Passos