Acerto do Tas

A mente flamejante por trás do CQC, Marcelo Tas, acaba de produzir um acerto estupendo. Falo do genérico do CQC, o Conversa de Gente Grande (CGG), exibido nas noites de domingo na Band.

É claro que programas com crianças “inteligentes” podem eventualmente encher o saco. Mas a condução do Tas nas entrevistas e na abordagem dos temas é dosada de plena maestria.

Já os pequenos, sem apelar para danças da garrafa ou figurino para excitar pedófilos de plantão, não ficam atrás e produzem não só respostas inteligentes, como igualmente surpreendentes.

Eis o fato: eu continuo a abominar o CQC, mas aplaudo graúdo o Tas e seu magnífico CGG.

Anderson Passos

Paulão

Conheci o Paulão, do Polícia em Ação – programa veiculado no Canal 20 da NET no Rio Grande do Sul – quando, ainda estudante da Unisinos, levamos o repórter policial para ser entrevistado num programa de humor e sarcasmo denominado Programa do Terrível Homem Mau, veiculado na Unisinos FM 103.3.

Lá, o pai de expressões como “curso de canário” contou várias histórias de bastidores de operações policiais que documentou, com direito a tiroteio, tigradas, histórias mil.

Outro dia eu falava com meus colegas de redação lembrando justamente a expressão “curso de canário”, que O Paulão cunhou. A expressão nada mais é do que uma analogia ao sujeito que é preso ou está na prisão. Todos se divertiam à beça com a expressão.

Na sexta passada (27/4), no entanto, os motivos para riso se foram. Enildo Paulo Pereira, o Paulão e seu câmera da Band, Ezequiel Barbosa, morraram num acidente estúpido quando o comboio policial em que estavam foi atingido por um caminhão desgovernado na chamada “curva da morte”, na ERS 122, em Farroupilha, na Serra Gaúcha.

Às famílias dos dois, o meu afeto e a minha solidariedade.

Anderson Passos

Jornalismo e humor

Sou em defensor de que jornalismo e humor eventualmente podem flertar, mas que são grandezas diferentes. O pessoal do CQC, talvez inspirado no personagem Ernesto Varela encarnado por Marcelo Tas, age diferente, não sem prejuízos.

Essa semana viu-se um “repórter” da atração tumulturar o que seria uma entrevista coletiva da secretária de estado americana Hillary Clinton, que passou por Brasília em visita à presidente Dilma Rousseff.

Na tentativa de entregar uma máscara de carnaval à representante americana, fotógrafos ficaram sem imagens e jornalistas sem história para contar, senão a cena do cqcista.

Sou um defensor do Jornalismo – não podia ser diferente, aliás – e me parece inconcebível que jornalistas tenham que dividir espaço com humoristas nesses eventos.

Outro dia eu mesmo passei por problema semelhante: eu fazia a cobertura da aclamação do ex-governador José Serra com prefeiturável do PSDB quando a dona Mônica Iozzi quis entregar ao pré-candidato tucano uma cartolina cujos dizeres sinalizavam que ele cumpriria seu mandato de quatro anos se eleito. Eu mesmo adverti do abuso, mas quem sou eu senão um jornalista tentando manter uma entrevista coletiva.

Fato é que os seguranças do PSDB agiram rápido e tiraram Serra dali sem que a moça tivesse sucesso em sua empreitada. O diabo é que, não fosse pelo discurso longo do tucano, eu não teria matéria porque graças à iniciativa do CQC não houve coletiva.

Espero que os assessores de imprensa sejam mais cuidadosos ao convocar os veículos para eventos desse naipe. Eu gostaria de, sinceramente, ir num evento sem correr o risco de uma pergunta infeliz ou de uma provocação fazer ruir o meu trabalho.

Encontrei o mesmo “repórter” do CQC naquela que talvez tenha sido uma de suas primeiras pautas. Era um seminário de prefeitos na Assembleia paulista e ele perguntava, dado o quórum baixo:

– Cadê os prefeitos? Alguém aí viu um prefeito?

Havia uns poucos, é verdade, mas nada que permitisse esculhambar o evento. Pois assim agiu o humorista. E quando um sujeito entra em campo para atrapalhar o trabalho dos jornalistas provocando potenciais fontes a uma resposta ríspida ou irritada, eu realmente fico a lamentar.

Espero que o CQC jamais dependa de ajuda minha para esse tipo de “trabalho”. Porque, se for o caso, a minha solidariedade será zero.

Anderson Passos

Ela pode até sumir, mas quando volta…

Todos sabem o quanto eu encho a bola da Izabella Camargo neste blog. Na minha humilde opinião trata-se da melhor apresentadora e repórter da TV brasileira.

De muito eu e Izabella não nos cruzamos. Eu não me preocupo. Porque, quando ela volta, ela o faz com brilhantismo.

Escrevo tudo isso pois que, ao que publica-se na imprensa, a Izabella está dando mais um salto na carreira. O destino? A TV Globo.

A notícia ainda está por ser confirmada mas, desde logo, a minha torcida está garantida. E eu juro que, por causa dela, voltarei a assistir os noticiários globais.

Que ela tenha toda a sorte do mundo. Competência e paixão pelo que faz a Izabella tem de sobra.

Anderson Passos

Rosana Jatobá

Dia desses o mercado jornalístico se surpreendeu com a saída da Rosana Jatobá da Rede Globo. Para quem não lida nome e pessoa, a moça, mãe de dois gêmeos recentemente, apresentava a previsão do tempo no Jornal Nacional.

Lá atrás, quando eu nem sonhava que a Jatobá era casada, eu tinha uma teoria delirante e maluca de que ela e a cantora Shakira eram a mesma pessoa. Nos meus delírios, eu sonhava que em meio à previsão do tempo ela pararia tudo e começaria a dançar ao som de She Wolf.

Na época em que eu trabalhava na revista eletrônica Consultor Jurídico, lá em 2008, lembro de dizer ao colega Daniel Roncaglia, que detinha o controle da TV:

– Hora das baianas.

Me referia à dobradinha Ticiane Villas Boas, na Band, seguida da previsão do tempo global. Bons tempos.

No momento em que teço essas palavras chove torrencialmente lá fora. São Pedro e eu, inimigos mortais, hoje nos juntamos órfãos que estamos da bela Rosana Jatobá. Que ela tenha sucesso sempre.

Anderson Passos

O caos por dentro

Conversei recentemente com um colega da Rede TV, que me dizia da crise da emissora, antes tida como “a rede que mais cresce no Brasil”.

Enquanto eu contava ao colega que recentemente uma equipe de imagem teve de pedir um cabo emprestado a colegas de outras emissoras de televisão para viabilizar uma gravação de uma coletiva, ele me devolveu sobre a crise dos salários impagos e todas as suas implicações.

Dentre as quais uma decisão judicial que obriga a empresa a custear R$ 100 milhões referentes ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) dos antigos funcionários da TV Manchete.

Relatou-me ainda que, exceção às estrelas da emissora como as primeiras-damas Daniela Albuquerque e Luciana Gimenez, bem como a decano Hebe Camargo, os salários dos servidores terceirizados estão atrasados.

Com a perda do Pânico na TV para a Bandeirantes, uma das maiores fontes de recente e audiência da emissora, não é difícil prever que a situação financeira da Rede TV só pode melhorar com a venda de horários para as igrejas neopentecostais. É esperar para ver.

Anderson Passos