Trilhas Matadoras (29)

Versão ao vivo da tocante North Star, faixa do U2 que chegou a ser apresentada em um dos shows da banda em sua passagem por São Paulo em 2011, mas ainda inédita em disco.

Anderson Passos

Anúncios

Trilhas Matadoras (26)

Nada escrevi sobre o Dia das Mães, data já um tanto longínqua, mas o faço agora.

Lembro bem de um noite dos anos 90 quando pus no meu som a trilha Running to Stand Still, do U2. Éramos eu e meu quarto no transe da melancólica melodia que fala de uma dependente de heroína.

E de repente, surge pela porta do quarto de tamanho mínimo a minha avó. Ela sabia que eu estava triste. Eu orgulhoso a disfarçar que estava tudo bem.

Nós abraçamos. Nada dissemos. Segurei o choro, como tento contê-lo agora.

Ali comecei a perceber que o álcool e otras cositas más que carregavam em mim me matariam. Felizmente minha avó sobreviveu para assistir minha volta por cima. Infelizmente não viveu o suficiente para me ver formado, ela mesma que tanto me ajudara.

Felizmente minha mãe estava comigo para nos confortar mutuamente quando minha avó nos faltou – e ainda nos falta. Felizmente outras mães apareceram no meu caminho paulistano como Walkyria Diana, Maria José Nascinento e, sim, também a Alzirinha. A elas as minhas profundas homenagens.

Anderson Passos

Há 14 anos

Há exatamente 14 anos, eu vim pela primeira vez a São Paulo. Algo nada programado, inicialmente. Quer dizer, foi de última hora mesmo.

Ocorre que eu morava em Porto Alegre e pipocavam na MTV Brasil chamadas até enjoativas da turnê Pop Mart, que o U2 apresentaria em Rio de Janeiro e São Paulo.

Àquela altura, a banda já havia passado pelo Rio e, numa quinta-feira, apanhei meu cartão de crédito, saquei dinheiro e corri a uma agência de viagens. Sim, havia lugar… num ônibus. Naquela época não se tinha as facilidades de viajar de avião como hoje.

Embarcamos na sexta à tardinha. Passadas 15 horas de viagem, corri à frente do ônibus e perguntei ao guia quanto tempo mais viajaríamos.

– Mais cinco horas…

Eu não aguentava mais ficar naquele buzão pela mais pura ansiedade em ver o show e pelo receio de ficar na estrada tanto tempo sem nenhum contratempo aparecer.

Então começamos a ingressar num trecho de serra, com precipícios que vistos do andar superior do buzão eram de arrepiar. Avançamos mais algumas horas e finalmente chegamos à Pauliceia. Não sei dizer que ruas percorremos ou onde estacionamos finalmente, senão que foi numa praça do bairro do Morumbi.

Alguns gremistas tacaram a bandeira do clube no para-brisa, mas foram desencorajados pelos motorista que temia que pedras fossem arremessadas no carro.

Chegamos em torno de 14h. Me informei em que direção ficava o Estádio do Morumbi com o guia e corri pra lá. Em torno de 15h – por contas das longas filas, ingressei no “Templo Bambi”.

No entanto, cometi a besteira de comprar lembranças – na verdade bottoms da turnê – e, ao retornar para o meu lugar no gramado, bem em frente ao palco no flanco direito do público, já não havia como seguir. Fiquei à esquerda do palco bem distante sem nada enxergar, dada a minha baixa estatura. O telão gigante me salvaria pois que as imagens da banda ali foram projetadas em cores berrantes à la Andy Warhol.

Depois de horas torrando no sol, a noite veio abafada e Gabriel O Pensador entrou em campo. Tive asco. Logo ele se foi. Então todas as luzes se apagaram e o super telão se acendeu. A sensação de estar diante de um feito tão espetacular, do ponto de vista da tecnologia, é indescritível. Veja abaixo:

[http://www.youtube.com/watch?v=aWcs9iLV6dg]

O show acabou e, confesso, fiquei aliviado pois que sem almoço e extenuado por horas e horas em pé. Nunca mais farei uma tigrada desse porte. Mas essa, reconheço, valeu muito à pena.

Se eu imaginava que 14 anos depois eu estaria morando e trabalhando na cidade – sem ter assistido à passagem da tour 360º do U2 – é claro que não. E que fique ainda mais claro: faria tudo novamente.

Anderson Passos

Declarações

Ainda no campo das declarações é de chorar de rir que o espertíssimo Edir Macedo – e digo espero porque ele ganha um bom dinheiro de deus e de seus medrosos fiéis – veio à boca da cena e soltou que cantor gospel é uma espécie de endemoniado.

Parece que ele se referia a uma dessas cantoras de outra igreja, que não a Universal. Evidente fica que se a tal cantora – que dizem vender mais CDs e DVDS do que água da bica – pertencesse à gravadora gospel que os bispos da Universal comandam. Aí esse negócio de endemoniado ficava de lado.

Outro dia conheci uma evangélica da Assembleia de Diós. Ela linda e só por isso troquei palavra. De repente, como ela não se dispôs a pregar pra cima de mim, até a tratei bem, embora sempre ressaltando que tinha e tenho ódio aos bispos neopentecostais. Tenho mesmo e assumo. Pior quem fica quieto. Aqui a nau do politicamente correto leva chumbo.

Ela me contou que toca violino na igreja e que adorava música gospel. Donde enviei um vídeo para ela, que vai abaixo.

Ah, sim, nas palavras de Edir Macedo, todos eles estão endemoniados.

Anderson Passos

Galeria do Rock

Palco de um dos núcleos de uma recente novela global, a Galeria do Rock permanecia um mistério para este cronista até o sábado (30/4).

A visita nasceu por acaso. Um dia antes, meu irmão [Everson Passos], que estaria de plantão na rádio CBN, ligou anunciando que me visitaria. Como as visitas dele são algo raras, acordei cedo e logo o sujeito me telefonava.

Coisa de 15 minutos depois, enquanto eu dava serviço para a lavanderia vizinha ao meu prédio, o homem já batia no interfone e nos encontramos ainda na calçada.

Ok, chega de preâmbulos. Ocorre que, sem muito assunto para tocar em dia, se não uma ou outra agrura profissional minha, sugeri ao meu irmão irmos à “terra santa”, a região da Santa Ifigênia, meca da tecnologia a bom preço em Sampa. Lá, propus, escolheríamos um presente para a nossa mama.

No entanto, antes disso, passando pela Barão de Itapetininga, meu irmão desvendou uma galeria qualquer e saímos em outra meca: uma loja atulhada de brinquedos antigos como Falcon, Gênius, autoramas, o diabo. Nunca é demais lembrar que ele coleciona essas coisas e, quando achei que ele ia sair gastando, saímos de fininho.

De repente, o assunto passou a ser a Galeria do Rock e confessei que jamais entrara ali. Numa primeira tentativa, há coisa de um ano, vi um balaio de motoqueiros no acesso da São João – o único que eu conhecia – e me desencorajei.

Então meu irmão anunciou que havia outra entrada perto de onde estávamos e me convidou ao passeio.

Um misto assustador de metaleiros, nerds, emos e sei lá mais o que passava lá dentro. De repente, tive um estalo: queria comprar bonecos do South Park para decorar meu rack.

E começamos a nos embrenhar nas lojas da galeria. E eis que achamos uma bem barata – não farei merchan – mas não o produto. Fiquei de voltar lá em alguns dias para apanhar os personagens do desenho vestidos de rappers.

Então seguimos pela galeria e paramos numa loja que vendia artigos de bandas. Meu irmão viu um boneco do Coringa versão postumamente oscarizada do Heath Ledger. E não hesitou comprando a peça.

No entanto, como a loja vendesse canecas personalizadas, meu irmão chegou a apanhar na mão uma do Pink Floyd. Abandonou-a a seguir e perguntou:

– Quer escolher uma?

Fiquei surpreso e, logo refeito, arrematei:

– Aquela do Jack Daniels é bem interessante e tem um gosto de nostalgia. A da Harley Davidson também é bacana.

Meu irmão ainda ponderou se eu não levaria uma caneca do U2, já que sou fã da banda. Rejeitei a ideia e a última palavra sobre a caneca foi dele. Acabei ficando com a da Harley Davidson.

Mas voltarei à Galeria do Rock para apanhar uma camisa e uma caneca do Jack Daniels.

Que meu irmão não nos leia…

Anderson Passos

They come but I don’t

O U2 está no Brasil e eu não vou ao show graças à má gestão da venda de ingressos pela Ticket For Fun. Resta-me o DVD ou, na pior das hipóteses, partículas do show no Youtube já que para esta tour – não sei dizer se felizmente ou não – nem a Rede Globo vai transmitir qualquer das apresentações.

Abaixo uma pitada da apresentação que abriu a tour 360º em Santiago, no Chile.

Anderson Passos

Utwobe

Mais uma vez o U2 está inovando. Se musicalmente já não é tão simples ser inventar a cada novo álbum, a banda usa da tecnologia para se promover e para atrair mais fãs.

A grande jogada da banda é a transmissão via Youtube de um concerto diretamente do estádio Rose Bow, em Pasadena, Califórnia (EUA).
A apresentação faz parte da tour 360º, onde a uma das grandes atrações é o palco que permite uma visão em 360º de qualquer parte do estádio da performance da banda.

A tour, que deve chegar ao Brasil em 2010 – assim espero – promove o mais recente disco da banda No Line On The Horizont.

Se alguém já esqueceu, o palco da apresentação deste domingo tem uma lembrança especial para os brasileiros. Foi ali que Baggio mandou uma bola pelos ares e o Brasil sagrou-se tetra campeão mundial de futebol. Antes dele, Massaro mandou uma bomba e Taffarel pegou a penalidade. E, pena, o Galvão Bueno quase morreu.

Voltando. O show começa num horário ingrato para os brasileiros (1h30min da madrugada de segunda-feira), mas acho que vale a pena esperar. E torcer para que Bono cante mais e discurse menos. Do contrário, pode repetir o gesto de Baggio e fazer um gol contra.

Abaixo, a chamada do show que está rolando na internet.

Anderson Passos