Trilhas Matadoras (31)

Como escrevi na última semana, fui assistir o Elvis In Concert no Ginásio do Ibirapuera e, no feriado, tive a oportunidade de agradecer à patrocinadora da ofensiva, a minha mama paulista Walkyria Diana, que comprou os convites para o filho Orlando Diana Jr, que me estendeu o emocionante convite.

No feriado, eu e o Orlandinho comentávamos sobre o show, da filmagem espetacular da abertura e ele tentava lembrar de uma música na qual Elvis sacolejava eletrizante. Sapequei com Polk Salad.

Na verdade ele se referia ao clássico Suspicius Minds. E tanto que me fez chegar por e-mail a melhor versão da trilha, com golpes de karatê e voz e banda notáveis.

Abaixo, os vídeos a que me referi no texto. a filmagem do Orlandinho and Suspicius Minds best version.

Anderson Passos

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Dia das Crianças (o sorriso de Heitor)

Surpreendentemente consegui folgar no feriado e, assim, no Dia das Crianças, combinei com os amigos Danilo e Vanessa uma carona para Cotia e participei de um almoço pelo Dias das Crianças oferecido pela Marina Diana.

E claro que, de forma revezada, todas as atenções se voltaram para o Heitor Diana Silva, meu sobrinho, filho da Marina e do meu caro irmão Ferdinando. Cada vez que o pequeno disparava uma “carga” nas fraldas, era uma correria para ver quem daria banho ou limparia o moleque.

Em dado momento, o banho do Heitor mais parecia um harém tal qual a abundância de mulheres a banhá-lo e paparicá-lo. E diz-se que, além de sorrir, o pequeno, vivíssimo, piscava para elas como a dizer:

– Traz essa mãozinha aqui ó, meu bem…

De tão emocionado que estava com os olhos vivíssimos do pequeno, não ousei apanhá-lo no colo. Até que em dado momento, a avó materna Dona Walkyria e a mãe Marina suspeitaram de nova “carga” nas fraldas. Feita a conferência, o pequeno só fizera um modesto xixizinho, mas subimos para trocá-lo.

Enquanto a mãe separava as fraldas novas e a vó o despia, eu conversava amenidades com ele como “vamos dar um nó pra parar de fazer xixi” e eu era capaz de ouvir o Heitor, braços erguidos, caras e bocas ansiosas por falar, dizendo “não, titio!”

Até que ele, para este escriba até então, risonho apenas em fotos, abriu o sorriso mais lindo do mundo e catedrais de semanas tensas e fartas de cansaço se dissolveram dentro de mim como a virar pó numa implosão. Sim, amigos, o singelo sorriso de uma criança pode pacificar a humanidade. Ao menos para este abestalhado cronista, a cena traduziu o melhor dos bálsamos do final de semana prolongado.

Anderson Passos

Elvis in Concert

Nos últimos dois meses, me mobilizei junto aos meus parcos canais para ver se conseguia um ingresso para assistir ao Elvis In Concert no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Mas dizer que me esforcei por esse tempo todo, reconheço, era forçar a barra.

Ao saber que um ingresso poderia custar R$ 800, desisti de vez tendo em vista que eu jamais teria esse dinheiro. E o anúncio do jornal ainda me estapeava a cara: os R$ 800 eram uma oferta imperdível. Perdi, claro.

Consolei-me indo à exposição Elvis Experience, relatada neste humilde blog. O tempo foi passando, o trabalho tomando boa parte do meu tempo e sublimei o assunto em algum lugar do meu inconsciente.

Há duas semanas, no entanto, o meu irmãozão Orlando Diana Júnior, o Orlandinho, escreveu-me dizendo que tinha dois ingressos e me perguntando se eu faria o sacrifício de acompanhá-lo. Só deus sabe o que vibrei e chorei.

Daí que, na última terça-feira (9/10) à noite, lá estávamos nós no Ibirapuera, sob o patrocínio da nossa mama Walkyria Diana, que presenteou o Orlandinho com os bilhetes pelo aniversário dele. Volto aos dois ao final.

O show é eletrizante. Abre com o arranjo de Assim Falou Zaratrusta, trilha de 2001, Uma Odisséia no Espaço e uma explosão de luzes que leva à See See Rider. O telão exibe Elvis à beira do palco como a cumprimentar a fileira da frente.

Parte da banda é a mesma que acompanhou Elvis nos cassinos de Las Vegas nos anos 70. James Burton, 73, empolga nos solos. A primeira parte da apresentação tem precisamente uma hora.

Após 40 minutos de intervalo, a trupe volta: e com eles os sucessos Suspicius Minds, My Way, Polk Salad, entre outros. Em My Way contive o choro no osso do peito. Can’t Help Falling in Love fecha a apresentação espetacular. E o aviso da banda, de que Elvis Has Left Building, ou tinha ido embora, era a senha também para o público partir.

Eu e Orlandinho saímos do ginásio acompanhados do único famoso que eu identificara na plateia: o cantor Angelo Máximo. Diós mio.

Volto aos Dianas. Antes da apresentação, o ator Cássio Reis subiu ao palco para elogiar os patrocinadores da empreitada. Donde disse ao Orlandinho:

“O meu aplauso vai só para Walkyria Diana”.

Sim, porque quem gastou com os ingressos foi ela. Porque quem leu meus posts no Facebook emocionados por ver a exposição foi ela. Porque ela e Orlandinho foram responsáveis por um dos shows mais importantes da minha vida. Porque, por mais que eu me esforce, eu jamais poderei traduzir em palavras o quão bem e feliz eles me fizeram.

Mama Wal, receba de joelhos, o meu mais humilde tributo. E você, Orlandinho, o meu mais forte e vibrante e emocionado abraço.

Anderson Passos

Viva La Forza De La Vita!!!!

Eis que meu sono se resume a pouco mais de três horas. A razão, como a de outrora, é plenamente feliz e justificada: chegou Heitor Diana Silva, o herdeiro da onipresente Marina Diana e do meu irmão Ferdinando. O MEU SOBRINHO!!!

Heitor chegou democrata, como foi a sua gestação: absolutamente transparente. Ocorre que por essas maravilhas de convênios médicos, aliado ao fato de que pertenço um bocadinho às famílias de um e de outro, eu e os familiares assistimos o parto, separados da grande e emocionante cena, apenas por um vidro no bloco cirúrgico da Maternidade Santa Joana.

Mas a dizer da minha felicidade, alguém poderá perguntar:

– Mas foi assim sussa?

Quase.

Primeiro que, ao chegar ao hospital, desencontrei-me da família e minha ansiedade era tanta que percorri a pé estacionamento, portaria, recepção e, chegando ao segundo andar, uma enfermeira tratou-me como se pai do bebê fosse, até que expliquei que era só o Tio Gaúcho.

Então a Fernanda Diana, esposa do Orlandinho e cunhada da Marina, trouxe a luz e os pais do Ferdinando quase que a tiracolo. E nos encontramos todos finalmente.

Marina faminta de fome e de sono. Nos olhos dela, o brilho da mãe esperança. Já Ferdinando, o orgulhoso pai, nos guiava com uma calma que eu jamais teria pelos corredores e com o mapa da mina da alegria e da felicidade.

Registre-se: mais tarde, ele seria auxiliado pelo Orlandinho, que já passou por dois partos: do meu sobrinho Guilherme e da minha princesinha Beatriz. Este meu irmão se movimentava com desenvoltura pelos corredores e explicava cada procedimento, cada passo. Diria eu que foi o co-piloto perfeito pois que a ansiedade tomava o ar.

Se eu me mostrava calmo – sem tremores até – os avós babavam, babavam e, ao nos despedirmos da nova super-mãe da família, já paramentada para o grande salto da vida no bloco cirúrgico, o choro foi livre, leve e solto. Não sei se disfarcei bem, mas creio que sim.

A seguir, chegamos à parede externa da sala de parto. E em pequenos flashes de luz, podíamos ver a Marina de frente para nós, a espera da anestesia a ser recebida na coluna.

De tão nervoso, o vô paterno Washington ia de um lado a outro do corredor. Filmou um parte em “janela vizinha” e advertiu: cenas fortes viriam. Para passar o tempo, Maria Lúcia, a vó paterna lembrava partos anteriores e já vistos.

Vanessa e Alexandre, os irmãos do Ferdinando, eram puro contraste: a primeira chorava solto vez em quando. Alexandre só tirava sarro berrando “olha lá”. Puro alarme falso. E nossa ansiedade queria puni-lo a cada brincadeira daquelas.

De repente, a imagem que ia e voltava foi ficando sem intervalos: coração apertado. Lágrimas da Marina de pura emoção contra nossas igualmente emocionadas, mas impotentes lágrimas, de quem apenas podia rezar e enviar pensamentos positivos.

– Deus, que angústia!!! – estou chorando agora, mas é de felicidade.

De repente, como num novo corte de uma cena tensa para a de uma aventura em alta temperatura, os médicos cercaram a pequena Marina. As mãos dela tremiam e eu tremia junto.

Dona Walkyria Diana estimava que a sala poderia estar gélida. Eu também. Mas algo me aborrecia.

– Que dor. Guenta pequenina, guenta!!! – berrava dentro de mim o mais alto possível.

Eis que o médico então fez-nos ver a cabeça de Heitor. Imagens da filmagem do Ferdinando mostraram que o cordão umbilical se enrolara duas vezes em volta do pescoço do moleque. Alívio.

Papai Ferdinando ergueu-se então de seu banquinho, onde conversava com a mãe Marina, chamado pelo médico que, por um dos ombros, ergueu o Heitor. Erguia-se um troféu. Choro, gritos.

O menino então, nos braços de uma enfermeira, me saiu do campo de visão e Ferdinando os acompanhava. Minutos de aperto nos olhos e no coração da Marina. Felizmente ele não demoraria.

Ferdinando contou mais tarde e isso é de arrepiar: o menino que chorara ao ser limpo por mãos estranhas a dos seus, silenciou ao perceber a voz e o cheiro da mãe que lhe acompanhou por maravilhosos nove meses e lhe acompanhará pelo restante dos tempos. Oxalá!!!.

A seguir, desfilou para a plateia incansável sob gritos e urros. E lágrimas sempre. No abraço caloroso de todos, desabei. Mas não sem perder a compostura, meu sobrinho. Fique certo. Seu Orlando, de poucas palavras e sorriso abundante, chorou sorrindo nos meus braços. Igualzinho ao natal anterior, que marcou o anúncio da gravidez.

A guerreira Marina Diana, guerreira tal e qual a mãe Walkyria Diana, diga-se de passagem, ainda enfrentou uma cirurgia para corrigir um problema gerado por uma cirurgia anterior de apendicite. Saí do hospital passava das 15h30min frustrado por não revê-la. O procedimento não terminara àquela altura.

Heitor ainda não pude pegar no colo. Farei-o. Mas foi lindo vê-lo no telão do hospital com seus 3,2 quilos e 49 centímetros de altura. Mais saudável, impossível.

Grazzie Dio, grazzie aos Dianas, grazzie aos Mariano da Silva. Viva La Forza De La Vita!!!!

Anderson Passos

A metáfora da bengala

Tinha eu uma bengala. Que de alguma pirraça e por achar elegante e por achar que no pé dela poderia plantar uma navalha, comprei numa feira de um bairro artístico e artesão de São Paulo, a Vila Madalena.

Uma noite, numa crise de fúria que não vem ao caso explicar, a quebrei. E nostálgico dela, sempre que via um idoso e seu alicerce para andar ou se apoiar, eu lhe invejava. E sentia saudade do meu objeto destruído.

Diagnosticado com Parkinson, nuvens negras me acolheram. E como eu começasse a verificar tremores em minhas pernas, pensei:

– Agora a bengala não será de graça, de pirraça, de galhofa, nem de violência. Posso cair enquanto andar. E cair para não mais voltar – estremeci em pensamentos.

Então veio um dia recente,. luminoso. Explico: é que minha “mãe paulista”, Walkyria Diana, abençou-me com uma bengala pois agora, de fato. posso precisar dela.

Essa minha mama paulista talvez não tenha percebido, mas a vida nos concedeu um momento de fina ironia e, por que não dizer, de benção. Digo mais: fez-se uma metáfora!

Afinal, ainda que eu recentemente tivesse me isolado, talvez até a espera do pior, mama Wal e os seus Dianas todos me correram em socorro seja por pensamentos, seja no sorriso dos netos já chegados, seja na dança frenética do que está chegando, seja no candente amor que tenho por meu babo Orlando e por seus filhos, Orlandinho e Marina. E dizer menos do meu irmão Ferdinando e dos Mariano da Silva não poderei.

A bengala que me foi cedida por mama Wal nada mais é do que uma metáfora perfeita do que todos estes que citei são no meu coração: o apoio inesperado, a presença que não precisa ser necessariamente física para ser percebida.

Luto por mim. Luto por eles. Neles e nos meus de sangue – salvo algumas exceções para estes últimos – como nos meus amigos, tenho o melhor alicerce para seguir em equilíbrio. Tropeçando, claro. Errando claro. Mas acima de tudo consciente de que de tudo o que se vê e de tudo que a vida ensina, é possível resgatar combustível para a alma e não ceder ao apelo teimoso do fim do caminho.

A eles todos, em especial a essa Mama Wal fabulosa, o meu mais terno agradecimento, de quem recebi não faz muito um lindo texto, as minhas eternas e emocionadas homenagens.

Anderson Passos

Coming back to life (final)

Benne, para encerrar a jornada dessa semana relato meu reencontro com os Diana e os Mariano da Silva. E data melhor não podia haver: o aniversário do papa Orlando Diana.

Apesar do patrocínio da Renner nos presentes ao patriarca dos Diana – piada interna – rever a luz da mama Wal, da Marina Diana divina com o dançante Heitor na barriga, os meus irmãos Ferdinando o Orlandinho, a contagiante Fernanda, os sobrinhos já chegados e sempre no meu coração Guilherme e Beatriz, além de Maria Lúcia e Washington – pais do Ferdinando – foi dos melhores reencontros que a vida produziu.

Ladeado pelo Guilherme, e de frente para a vibrante Beatriz à mesa – ela que berrou a plenos pulmões “Tio Gaúcho” ao me ver chegando – me reenergizei, esqueci os tremores que, se vieram foram só de emoção. E, confesso, efeito também da ressaca levíssima da noite anterior.

Outro momento especial foi ver imagens em 3D do pequeno Heitor, que Marina espera. Tocá-lo, no ventre dele, foi ainda mais inesquecível. O pequeno mexia de leve, o que emprestava mais encanto à bela nova mamãe do pedaço.

A eles o meu mais emotivo, agradecido, vibrante, entusiasmado e radiante obrigado. E amanhã tem mais, certamente.

Anderson Passos

Trilhas Matadoras (26)

Nada escrevi sobre o Dia das Mães, data já um tanto longínqua, mas o faço agora.

Lembro bem de um noite dos anos 90 quando pus no meu som a trilha Running to Stand Still, do U2. Éramos eu e meu quarto no transe da melancólica melodia que fala de uma dependente de heroína.

E de repente, surge pela porta do quarto de tamanho mínimo a minha avó. Ela sabia que eu estava triste. Eu orgulhoso a disfarçar que estava tudo bem.

Nós abraçamos. Nada dissemos. Segurei o choro, como tento contê-lo agora.

Ali comecei a perceber que o álcool e otras cositas más que carregavam em mim me matariam. Felizmente minha avó sobreviveu para assistir minha volta por cima. Infelizmente não viveu o suficiente para me ver formado, ela mesma que tanto me ajudara.

Felizmente minha mãe estava comigo para nos confortar mutuamente quando minha avó nos faltou – e ainda nos falta. Felizmente outras mães apareceram no meu caminho paulistano como Walkyria Diana, Maria José Nascinento e, sim, também a Alzirinha. A elas as minhas profundas homenagens.

Anderson Passos